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sábado, 24 de setembro de 2011

Thomaz e Cavaco: sem tirar nem pôr...

NOS ÚLTIMOS dias tive oportunidade, no decurso da viagem que Cavaco SIlva efectuou aos Açores, de escutar o actual Presidente da República numa verve e estilo que me fizeram recordar um seu antecessor no cargo - no caso, o contra-almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz, vulgo o "almirante Tomás", que foi autor de algumas  "tiradas" célebres até 1974 e às quais, agora, as aparentemente descontraídas declarações de Cavaco em nada ficaram atrás. Será que isso se pega e estamos a assistir a uma gradual "tomazisação" do actual chefe de Estado? Ou não passará de coincidência?

E querem ver que o "pirata" é o outro?!

NÃO SEI porquê, mas com esta overdose a que temos sido sujeitos à conta do já celebérrimo "buraco" nas contas da Madeira, dou comigo sempre a pensar naquele verdadeiro paradigma da manhosice e das contas feitas "à medida do freguês" que responde pelo nome de Vítor Constâncio  e que, para além de ser responsável pelo total falhanço do papel fiscalizador do Banco de Portugal relativamente (pelo menos...) ao BPN e ao BPP, ainda arranjou descaramento para aldrabar "défices orçamentais" à medida das necessidades de quem lhe encomendou a tarefa e muito possivelmente ajudou a "abichar", uns anitos mais tarde, um lugar no board do Banco Central Europeu - e ainda por cima com o pelouro da "fiscalização". Afinal não sei quem é que saiu mais caro: se Alberto João Jardim e os seus 5,8 mil milhões ou se o antigo governador do Banco de Portugal... Alguém quer (e sabe) fazer as contas?!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A triste história de um hotel nas mãos de um especulador

EM FINAIS dos anos 80, em plena "fúria da bolsa, o mítico Hotel Savoy no Funchal foi comprado pela "dupla" formada pelos então emergentes empresários Horacio Roque e Joe Berardo, ambos com profundas ligações à África do Sul. Feio, piroso, demodé, decadente, apesar de tudo o Savoy  mantinha um certo encanto, muito devido às mil e uma estórias de que foi palco, como aquelas que envolviam os "gibraltinos" que durante a II Grande Guerra ali se refugiaram a expensas do governo britânico. Conta-se aliás que, em 1945, no dia da rendição germânica, a festa foi de tal ordem entre os hóspedes que o hotel ficou parcialmente destruído... Pouco tempo após terem adquirido o hotel, os seus novos proprietários decidiram (como era moda na época...) cotá-lo na bolsa e "encaixar" umas quantas centenas de milhares de contos. Mas a meio do processo, a bolsa afinal virou "gato por lebre" e as intenções da então "dupla-maravilha" em empochar uns valentes "cobres" a quem quisesse investir no Savoy foram por água abaixo. E desde aí, remodelaçãozita aqui, remodelaçãozita lá, o Savoy foi perdendo o algum encanto que ainda lhe restava e afirmando-se cada vez como o "palácio do kitsch" e deixando definitivamente de ser um dos hotéis de referência do Funchal (ainda que num patamar significativamente inferior ao Reids, por exemplo) para tornar-se numa vulgar unidade hoteleira, com um serviço medíocre e um passado cada vez mais oculto. Hoje abro o jornal "i" e leio uma notícia sobre as obras (paradas) do Savoy ("Berardo sem dinheiro para novo Savoy Madeira"), ilustradas por uma fotografia que mais parece tirada em Beirute que propriamente no Funchal, com os jardins destruídos e o edifício todo esburacado. E tenho que confessar duas coisas: uma, que tenho pena; a outra, que o sr. Berardo irrita-me cada vez mais!