... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
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domingo, 25 de setembro de 2011
Dilma soma e segue
UMA SONDAGEM recentemente encomendada pelo PSDB (principal partido da oposição brasileira) e revelada hoje pelo sempre bem-informado colunista da "Veja" Lauro Jardim, mostra que se as eleições presidenciais de há um ano se realizassem hoje, Dilma Rousseff não teria precisado de uma segunda volta para derrotar José Serra e Marina Silva. Para quem temia que Dilma estivesse "condenada" a curto-prazo, convenhamos que o desempenho da sucessora de Lula no palácio do Planalto está bem acima das expectativas. O que indicia - como se já escreveu neste blogue - que este mandato de Dilma não será propriamente um intermezzo à espera de um hipotético regresso de Lula...
Costa e Seguro: o porquê de tanto acinte
CONFESSO QUE este crescente e visível acinte que António Costa tem mostrado relativamente ao seu novo líder António José Seguro e que chega mesmo a roçar as fronteiras do que seria tido como "aceitável" entre duas figuras de proa do mesmo partido, tem-me causado alguma estranheza. Puxei pela memória (que não costuma ser má...), cheguei mesmo a perguntar a uma ou outra pessoa de onde viria tamanha e aparente desprezo por parte de Costa, mas a verdade é que não cheguei a nenhuma conclusão... Até que hoje de manhã, durante uma conversa com um amigo (esse com uma memória verdadeiramente notável!) consegui reconstituir a história da desavença entre estes dois destacados socialistas, que até já chegaram a pertencer ao mesmo governo e tudo... E teremos de recuar até 1984, quando o PS estava praticamente partido em dois - entre os chamados "soaristas" e a facção que, na altura, era conhecida como "ex-Secretariado" e onde pontificavam, entre outros, Francisco Salgado Zenha e António Guterres - para entender os motivos que levaram o actual presidente da Câmara de Lisboa a "ter o pó" que tem ao actual líder socialista.
Nessa altura, discutia-se também a sucessão de Margarida Marques à frente da Juventude Socialista. António Costa era o nome praticamente consensual e tinha quase assegurada a liderança da "jota" socialista, de que era aliás já um dos principais dirigentes. Consensual até ter assinado a moção do denominado "ex-Secretariado"... Aí tudo mudou, mais concretamente para os "soaristas" que, por mão de António Campos (o homem-forte do "aparelho") rapidamente encarregou-se de encontrar um opositor à mais do que previsível (e à partida fortíssima) candidatura de Costa e assim impedir que a JS caísse nas mãos do "ex-Secretariado" - nada mais nada menos que um discreto e tímido jovem algarvio, de seu nome José Apolinário e cujo principal atributo político era ter recentemente conquistado a presidência da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa. Apesar de ninguém acreditar que Apolinário poderia vir a derrotar Costa na "corrida" à liderança da JS, o experiente António Campos encarregou-se de mostrar o contrário: montou na "sala do jardim" da sede do Largo do Rato uma estrutura única e exclusivamente destinada a apoiar a candidatura de Apolinário; montou uma "rede" de apoios a nível nacional, onde se destacava (aí está...) um até aí praticamente desconhecido jovem de Penamancor mais conhecido por "Tozé Seguro"; e rapidamente ficou claro que a sucessão de Margarida Marques, afinal, não eram "favas contadas" para Costa e consequentemente para o "ex-Secretariado".
E não foram mesmo... Perante uma previsível derrota, Costa optou por sair da "corrida" e, no seu lugar surgiu a candidatura óbvia e nitidamente mais débil de Porfírio Silva, que efectivamente viria a ser derrotado pela candidatura de Apolinário, que durante seis anos (até 1990) "reinou" na JS, altura em que foi substituído por... António José Seguro.
António Costa esse, num discurso durante o congresso que elegeu Apolinário e onde não conseguiu esconder alguma irritação, anunciou o seu abandono da organização de juventude do PS e, dado ter concluído a sua licenciatura em Direito, remeteu-se então à sua actividade profissional no escritório dos advogados Jorge Sampaio e Vera Jardim, deixando a política para segundo plano durante algum tempo.
Enquanto isso e por indicação da JS... António José Seguro viria a presidir ao Conselho Nacional de Juventude, iniciando assim uma carreira política que o levaria, anos mais tarde, a ser deputado, euro-deputado, ministro por duas vezes e agora líder máximo do Partido Socialista.
Será aqui que está a explicação para a irritação que visivelmente Seguro causa ao seu camarada António Costa?
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P.S. - Ao recordar estes episódios, lembrei-me do comentário que Mário Soares fez a António Costa, quando este lhe foi comunicar que tinha subscrito a moção do "ex-Secretariado". Depois de escutar Costa e as suas razões, com um tom displicente o então secretário-geral socialista lançou-lhe: "Ó António que pena... Um jovem com tanto futuro e arruina tudo por causa de uma caneta...".
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P.S. - Ao recordar estes episódios, lembrei-me do comentário que Mário Soares fez a António Costa, quando este lhe foi comunicar que tinha subscrito a moção do "ex-Secretariado". Depois de escutar Costa e as suas razões, com um tom displicente o então secretário-geral socialista lançou-lhe: "Ó António que pena... Um jovem com tanto futuro e arruina tudo por causa de uma caneta...".
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