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domingo, 6 de julho de 2008

Cuba: resposta a uma pergunta


A PROPÓSITO DE um dos primeiros posts deste blog ("Cuba:o fim do romantismo"), Celso Morais pergunta-me se serei capaz de lhe responder como é que me mostro "tão perigosamente seduzido por um regime de terror como o cubano" e como é que posso apelidar de "romantica" a revolução cubana.
Ora bem: não escondo que sou um admirador (contido) da chamada Revolução Cubana. De algumas das suas proezas – e aí a Saúde e a própria Educação são bons exemplos do lado positivo de todo um processo obviamente polémico e que gerou amores e ódios – mas também do percurso e carisma de Fidel Castro, a quem ninguém poderá alguma vez ficar indiferente. Tive a sorte de passar parte da minha adolescência em Havana, dado meu Pai ali ter desempenhado funções profissionais na segunda metade dos anos 70. Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que se algumas dúvidas tivesse tido relativamente ao chamado “socialismo”, essas teriam ficado totalmente dissipadas após mais de três anos de convívio diário e muito próximo com o quotidiano cubano. Mas também – diga-se em, abono da verdade – irritam-me tanto os que sectariamente e de forma pouco inteligente tentam defender o que é indefensável, como aqueles que, reduzem cinquenta anos da história de um dos mais interessantes processos de transformação política em todo Mundo, a um simples exercício de um pouco saudável e redutor maniqueísmo político.
Não fui ou estou seduzido pelo regime cubano, longe disso - e quem me conhece (lá e cá) sabe bem quão crítico fui e sou relativamente a muita coisa. Estou, isso sim e há muito, seduzido pelas suas gentes, que no fundo, para mim, são o grande e principal capital daquele país. E hoje em dia temo que sejam essas mesmas gentes as principais prejudicadas por mudanças que, apesar de inevitáveis, poderão destruir algumas coisas positivas que a Revolução cubana construiu. Apenas e só isso!
(Foto: Rui Dias)




1 comentário:

papoila disse...

Não há nada que pague a liberdade.