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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Será o veto à Lei do Divórcio?

APOSTAS NÃO faltam sobre o teor da declaração ao País de Cavaco Silva de hoje à noite e que assim, de forma surpreendente, interromperá as suas férias de Verão, dando azo a mais variadas especulações, tanto de carácter político como mesmo do foro pessoal. Ao longo de todo o dia, tenho ouvido um pouco de tudo acerca do misterioso teor da anunciada mensagem presidencial - desde o Estatuto dos Açores até à situação económica, as suposições sucedem-se. Porém, há momentos atrás, ouvi da boca de quem tem habitualmente uma forte e certeira intuição, para além de uma vastíssima experiência política, que o Presidente da República irá dirigir-se ao País para anunciar o veto à polémica Lei do Divórcio. Seria simultaneamente um "sinal" e um "piscar de olho" - ao governo e à direita, respectivamente. Será?
post colocado às 18:57

O jeitinho do ministro Pinho

O MINISTRO Manuel Pinho continua impagável e numa forma invejável, liderando de forma destacado o ranking do disparate e com um particular jeitinho de dizer "da boca p'ra fora" o que lhe irá na alma. Certamente esquecido da famosa promessa de José Sócrates que, durante a campanha eleitoral, garantiu ir criar 150 mil novos empregos (viu-se...), Pinho brinda-nos hoje na revista "Sábado" com esta frase verdadeiramente notável e plena de sentido de Estado: "Nenhum político sério, em qualquer condição, pode garantir qualquer dado sobre o crescimento, as exportações ou o emprego". Vai uma aposta que, hoje de manhã, já se ouviram berros de "animal feroz" lá para os lados de S.Bento?

Cadê os piratas?

LÊ-SE QUE o ministro Mariano Gago ordenou o encerramento compulsivo da Universidade Moderna. Quem se lembre de todo o "brruuááá" que envolveu esta instituição no final dos anos 90 e que motivou o chamado "caso Moderna" onde as especulações, mentiras e invenções não passaram disso mesmo, já ouve os "mauzões" de antanho (no caso, José Braga Gonçalves) parafraseando Nicolau Breyner com a sua célebre boutade: "Ah?! Então o pirata sou eu...?"... Uma lição que os "jornalistas de investigação" de então, com a "papinha" toda feita por polícias, maçons e quejandos, podiam aprender!

terça-feira, 29 de julho de 2008

"Carnaval do Fogo", de Ruy de Castro


QUEM QUISER perceber o Rio de Janeiro (e o Brasil), não pode perder este livro de Ruy de Castro, autor de outras obras tão fascinantes quanto, entre muitas outras, as biografias "Garrincha, a estrela solitária", "Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico" ou "Carmen Miranda", por exemplo. A propósito de "Carnaval do Fogo", a Publishers Weekly escrevia que "Ruy Castro transmite ao leitor o jeito carioca, o seu espírito indefinível, como nenhum outro guia tradicional de viagens o conseguiria fazer".É uma delícia ler (e reler!) esta obra que nos transporta durante os últimos séculos até ao Rio de Janeiro - da colónia à bossa nova, da primeira índia tupinambá que namorou um pirata francês até aos réveillons de hoje em Copacabana, das garotas da Rua do Ouvidor às de Ipanema... Se puder, não perca!

Esperem aí, que ainda há mais!

OS DISLATES da tal responsável do Turismo de Lisboa afinal não se reduzem aquela frase a roçar a fronteira da boçalidade e em que nos considera "bonitos, rafeiros e com pinta". Não, há mais, muito mais! A luminária, para não dizer "alimária", para além de achar que Lisboa é uma "cidade sexy" (e isso nós até damos de barato...), acha que a capital portuguesa é "óptima para quem gosta de andar de óculos escuros"... Tanto disparate, valha-nos Deus!

Miguel Arraes by Duda Mendonça

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ASSUMIDAMENTE progressista, chegou a estar exilado em Argel durante os governos militares brasileiros. Miguel Arraes foi uma das grandes referências da esquerda brasileira e, porventura, a mais forte imagem do Estado de Pernambuco durante anos a fio, sendo por diversas vezes eleito senador ou governador pelos seus conterrâneos. Este filme de Duda Mendonça (de quem é que havia de ser?!) é um exemplo de como, através de música e letra bem concebidas, pode-se transmitir uma mensagem de forma mil vezes mais eficaz que através de outdoors ou outros suportes comunicacionais e que hoje em dia só geram indiferença no eleitorado.

E ninguém demite esta senhora?!!

RESPONDE PELO nome da Paula Oliveira, dizem-me que é Directora Executiva do Turismo de Lisboa e garante-nos o blogue "persona(s)non grata(s)" (http://www.persona-ba.blogspot.com) que da sua boca, saiu esta "pérola" digna, no mínimo, de despedimento com justa causa - ainda por cima vinda de alguém que, pelos vistos, desempenha um alto cargo no turismo da capital: "Somos um povo bonito, rafeiro, mas com muita pinta". Não sendo a senhora em causa (pela foto que ilustra este post) propriamente bonita, não tendo lá uma pinta por aí além, resta-nos presumir que se considera, a si própria, como "rafeira". Também não era preciso tanto...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Regionalização: o rídiculo de uma discussão

A POUCO e pouco, pela mão dos do costume, o tema da regionalização começa de novo a vir ao de cima. Argumentos bacocos (verdade seja dita que de um lado e outro...) dividem políticos, comentadores e candidatos a opinion makers. Uns a favor, outros contras, o "dossier" ameaça tornar-se prioritário na agenda política dos próximos meses - isto para gáudio de Sócrates que assim lá vai arranjando assunto que "esconda" e adie o debate que urge fazer sobre o falhanço das suas políticas.
Mas ainda ninguém percebeu que é, no mínimo, rídiculo discutir-se a regionalização num País como o nosso - que para ser uma região, lhe falta a Galiza?!

domingo, 27 de julho de 2008

Com uma saudade do tamanho do teu coração...


É TÃO fácil – mas mesmo tão fácil – dizer bem do Fausto. Mas é tão difícil conseguir escrever o que sentimos com a sua ausência. Já dei voltas sobre voltas, escrevi e apaguei, imprimi e rasguei, pensei e vi-me grego para pô-lo preto no branco. Imaginei reduzir esta evocação a um telefonema – ele lá em cima e eu ainda cá por baixo:
“- Está lá?! Faustinho…
- Quem fala?
- É o bem-haja…
- Ó bem-haja… então? Alguma novidade?

Mas desisti – até porque as novidades não são propriamente as melhores… Tentei optar então por contar como nos conhecemos, em 1979, no pavilhão dos Olivais, no meio de um comício de Mário Soares. Desisti também – até porque pouco ou nenhum interesse teria. Puxei então pela memória e tentei contar quantas vezes o Fausto, fazendo uso daquele seu jeito tão propício ao apaziguamento, tentou moderar alguns ímpetos mais radicais da minha parte, tentando apelar ao meu bom-senso e a fazer-me ver quanto errado é abrir “guerras” em várias frentes. Preferi, também, desistir – nunca mais saíamos daqui. E falar das “partidas” que concebemos juntos, partilhámos, ou que fizemos um ao outro? Se calhar, algum “terceiro” ainda se melindrava… E quando nos chateámos por causa da Académica?! Decididamente, disso já não me lembro, garanto! E das vezes que ele, membro do governo, me ligava poucas horas antes do fecho do jornal e eu, temeroso de não saber dizer-lhe que não (e lá se ia a manchete…), mandava dizer pela secretária que não estava. Um dia disse-lhe: “É pá, ficas a saber que a partir de quarta-feira à tarde não te atendo. Faz de conta que não estou. Depois já sei, não consigo dizer-te que não e lá se vai a capa…”. E ele ria-se, ria-se. Mas deixou de ligar, verdade seja dita. Até um dia, a propósito de uma história que envolvia um ministro do governo a que ele pertencia e uma todo-poderosa secretária ou assessora, um caso que ameaçava abalar governo e famílias… E aí era ele que contava, sorriso matreiro e gozão: “Vocês sabem que o sacana dessa vez atendeu-me?! E sabem o que me disse? ‘Ó Fausto, nem penses… ainda por cima a gaja é boa como o milho e a foto dela na primeira página vai vender que se farta’. Ca ganda sacana!.
Podia contar daquela vez que, em plena crise no Benfica, quando os paulos sousas, pachecos e joões pintos da vida debandavam porta fora, fomos os dois até ao Estádio da Luz negociar o empréstimo de um jogador à Académica e que, confundidos com algum empresário menos benquisto por aquelas bandas (talvez por irmos de fato e gravata), tivemos de dar às de vila-diogo, antes que a turba de fanáticos adeptos nos chegasse a roupa ao pelo, supondo que lá tínhamos ido para delapidar ainda mais o já enfraquecido plantel encarnado. Ou quando, na primeira página do “Correio da Bahia”, numa visita que o Fausto fez enquanto membro do governo a Salvador, a legenda que ilustrava a fotografia a três colunas me identificava a mim (já de cabelo branco) como secretário de Estado da Administração Pública e a ele (talvez pelas barbas) apenas como chefe de gabinete: “Ai Faustinho, se o Guterres vê isto e com o pó que me tem, ainda és despromovido e acabas como guarda florestal na mata de Arganil…”.
Podia contar tanta, mas tanta coisa. Ainda por cima, todas boas, divertidas e gratificantes. Mas custa-me como o raio, caraças! Tenho tantas saudades dele. O melhor é mesmo acabar o telefonema…
“- Olha lá, sabes que lá te fiz mais um slogan…
- Um slogan? Mas eu aqui em cima não sou candidato a nada. Já bastou aquela do ‘
Fausto na Europa, com Coimbra no coração’
- Não, desta vez foi para o jantar que te fizemos há umas semanas…
- Jantar? Onde?
- Na antiga FIL, foi a Casa da Académica que organizou… mais de duzentas pessoas!
- F…, ó égua! E meteu palavra de ordem e tudo?!
- Claro. Foi tão simples criá-la… ‘
Com a saudade do tamanho do teu coração’. A sério, pá!”.


Nota: Texto a ser incluido num livro, a editar pela Minerva, de homenagem a Fausto Correia.

Valha-nos Deus...

JÁ QUALQUER um percebeu que, de facto, a senhora não passa de um mito alimentado, durante anos, pelos que não querendo dar a cara e sujeitar-se aos escrutínio de quem decide, a utilizam para manter o poder e assim consolidarem os seus negócios e ambições pessoais. É que, as semanas passam, as oportunidades não faltam e... a senhora continua sem dar uma "p'ra caixa" - pior - "é cada cavadela, cada minhoca". Enquanto ela clama a sete-ventos que não está ali para apresentar alternativas, mas apenas para criticar, o primeiro-ministro vai fazendo pela vidinha, encontrando parceiros mediterrânicos, latino-americanos e africanos, lançando projectos, estabelecendo "pontes" e, fundamentalmente, encontrando as fontes de financiamento que lhe vão faltando pela Europa.
E perante este forcing de Sócrates, a senhora e os seus conselheiros "fecham-se em copas", promovem universidades de Verão onde as "vedetas" são figuras do partido do governo e quadros da agência de comunicação que trabalha para o primeiro-ministro! Ou andam a fazer dos militantes do PSD parvos, ou são eles mesmo... parvos! Vá lá saber-se...

sábado, 26 de julho de 2008

E já agora... não se pode despedi-los?

CADA VEZ mais em bicos de pés e com uma mal disfarçada ânsia de surgir em tudo o que é televisão, rádio e jornal, o ministro Manuel Pinho saiu-se este fim-de-semana com uma das suas já habituais "máximas" que, não fosse o desastroso estado em que ele e os seus colegas nos conduziram,até daria para a galhofa. É que o inefável Pinho resolveu comparar este governo a "uma direcção comercial de luxo" de uma empresa. A ser assim, nada impede que os accionistas (ou seja, nós todos) os possam despedir, n'é? Por incompetência, é claro!

Obama, 1 - McCain, 0

QUE GRANDE lição de estratégia e marketing político deu Obama nos últimos dias! O seu repentino périplo, que o levou ao Afeganistão, Iraque, Israel, Alemanha, França e Inglaterra, permitiu-lhe ocupar os media americanos à exaustão, isto para além de condicionar o seu adversário Jonh McCain e "encostá-lo às cordas" na questão da retirada das tropas norte-americanas do Iraque, obtendo o acordo do primeiro-ministro iraquiano ao seu plano. Já para não falar do "banho de multidão" em Berlim e da repercusão que obteve nos Estados Unidos. Aguarda-se a resposta republicana...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O menino que mordeu o cão...

FAZ PARTE (ou fazia, sei lá...) das clássicas do jornalismo e era repetida à exaustão por chefes e mestres: "A notícia existe quando o homem morde o cão, nunca quando o cão morde o homem"... Gabriel Alexandre da Silva, um menino brasileiro de 11 anos de idade, merece por isso ser notícia -é que, para defender-se de um ataque de um pitbull, "virou-se" ao cão e mordeu-o no pescoço, a ponto de ter partido um dente: "É preferível perder um dente a perder a vida", ainda teve tempo para "filosofar"...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Troca de letras...

O CORPORATIVISMO é, possivelmente , um dos piores males que grassa na nossa sociedade. Então quando falamos da classe médica - e salvo raras e honrosas excepções - o panorama é, no mínimo, assustador! Tem tudo isto a ver com as declarações ao "DN" de hoje de um tal Jorge Breda, presidente do Colégio de Oftalmolgistas da Ordem dos Médicos (curiosamente também liderada pelo oftalmologista Pedro Nunes...) a propósito dos doentes que têm que ser enviados para o estrangeiro a fim de serem tratados a patologias do foro oftalmológico, nomeadamente na Suiça e nos Estados Unidos. Diz tamanha "sumidade", com ar pomposo e sabedor: "Mas não tem nada a ver com os casos de Cuba, estamos a falar de coisas sérias", tentando assim desvalorizar o êxito estrondoso que tem constituido o tratamento em Cuba, a expensas da sua autarquia, de quase duas centenas de habitantes de Vila Real de Santo António e que aguardavam há anos uma resposta eficaz do nosso Serviço Nacional de Saúde e dos oftalmologistas portugueses. ´
Para o dr. Breda é fácil falar de cátedra, difícil (se não mesmo perigoso...) era manter essa postura perante alguém que, após anos e anos de espera e de não ter meios para recorrer à clínica privada (onde os preços praticados são, no mínimo, escandalosos!) voltou a recuperar a visão e a dignidade que lhe faltava. Um conselho ao dr. Breda: meta-se no carrinho, vá até ao sotavento algarvio, procure algum dos doentes que a Câmara Municipal levou até Havana e "conte-lhes dessas"... Vai um aposta que não faltará quem troque os "érres" pelos "és" e o mande à "berda"?!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Força Hélder!

INDISCUTIVELMENTE o guineense Hélder Vaz é um dos melhores quadros políticos das antigas colónias portuguesas. Conheci-o em Bissau, onde tive o prazer de coordenar a campanha da Plataforma Unida e de que ele era candidato a primeiro-ministro. Poucas vezes tive oportunidade de trabalhar com um político que aliasse uma enorme capacidade de trabalho a uma determinação verdadeiramente notável como ele. Franco, sério, rigoroso, incapaz de "hipotecar" a sua palavra em troca de um voto ou de uma falsa promessa, Hélder Vaz era o paradigma da disciplina e da competência. Sabia do que falava, estudava os dossiers, encarava a política como um dever e uma missão. A sua campanha eleitoral em 2003 foi um momento ímpar para quem a viveu. Sem meios, com recursos escassos, fazendo das "tripas coração", revolucionou tabancas e cidades, superlotou praças e ruas, arrastou multidões, gerou um entusiasmo que enchia de optimismo todos quanto nela estavam envolvidos. Por razões e motivos que só em África são possíveis serem tão "descarados" e à vista de todos, na contagem de votos, os milhares e milhares de apoiantes que Hélder Vaz tinha na rua, esfumaram-se e traduziram-se num escandaloso e reduzido score eleitoral...
Talvez algo desiludido com a fragilidade do regime "democrático" guineense e do fechar de olhos da comunidade internacional (e especialmente de Portugal, onde o governo de Durão Barroso preferiu "assobiar para o lado" perante o escândalo que foram as eleições naquela antiga colónia) Hélder Vaz afastou-se progressivamente da política activa. Veio para Lisboa, penou durante alguns anos, tentando a custo recompor a sua vida, passou pela UCCLA e desde Janeiro passado ocupa (com todo o mérito, diga-se em abono da verdade) o cargo de Director Executivo da Comunidade de Países de Lingua Portuguesa.
Nos últimos dias tem-se assistido a um notório "renascimento" da CPLP e independentemente da vontade política dos países que a integram, quem conhece Hélder Vaz sabe que ele possui também uma grande quota de responsabilidade neste novo fôlego desta comunidade de países lusófonos. Vê-se e sente-se ali o seu optimismo, a sua imaginação, a sua determinação. Força, Hélder! Que não lhe falte a sorte, porque talento é algo que lhe sobra...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Touché...

"Depois da façanha em Angola, o primeiro-ministro foi à Líbia dar um grande abraço a Muamar Kadhafi. Qual será o próximo passo? Bin Laden?"
Rui Costa Pinto, blogue "Mais Actual", 20.07.08

Tal e qual o João Pedro...

PRIMA PELA discrição e quem com ele trabalhou, sabe que alia a sensatez a uma lealdade sem limites. Chama-se João Pedro Ferreira (ou João Ferreira) e durante anos dirigiu o "Tal&Qual" com um tino, argúcia e a tal discrição de se lhes "tirar o chapéu". Embora tenha "nascido" para o jornalismo já para o tarde - foi até quase aos trinta anos, se não me engano, professor de História - o João parecia que andava naquelas lides desde muito novo, tal a sua competência e profissionalismo. Trabalhámos juntos alguns anos e muitas vezes houve quem tentasse "intrigar" um contra o outro. Nunca o conseguiram. Houve mesmo quem, dentro do "T&Q" apostasse que a nossa relação profissional não duraria três meses, que nos iriamos engalfinhar num ápice. Enganaram-se redondamente - durou o tempo que tinha que durar, diga-se de passagem, anos... E mais: ficou, desde aí, uma relação de estima e respeito que perdura até hoje.
Vem tudo isto a propósito da "NS", a revista que acompanha aos sábados as edições do "Diário de Notícias" e do "Jornal de Notícias" e de que ele é o máximo responsável editorial. Na minha opinião, uma excelente revista e - aí está - equilibrada, ponderada, sensata, inteligente. Tal e qual o João Pedro!

domingo, 20 de julho de 2008

Esta senhora não foi embaixadora em Jacarta?



"Fiquei muito contente quando ele (o ex-presidente Suharto) morreu"



Ana Gomes, "Sol", 19.07.08

Gracias, Adolfo...





À ESQUERDA está o Rei Juan Carlos. À sua direita, sob o braço do monarca, que o envolve num gesto simultaneamente terno e protector, está Adolfo Suárez, antigo Presidente do Governo espanhol no período da transição democrática (1976-1981) e hoje vítima de uma grave doença degenerativa. A ambos, Espanha (e nós portugueses, também) deve-lhes muito. Pela forma, estilo e talento com que conduziram os destinos de um país que, apesar de uma guerra civil ainda presente na memória de muitos, soube evoluir politica e economicamente como poucos. A foto, que ilustrou a primeira página das edições do ABC, El País e El Mundo de anteontem, é uma prova de elegância, discrição e educação de quem não quis mostrar um Suárez debilitado e que já não consegue reconhecer os familiares e amigos. Como ao próprio Rei, que se deslocou à sua residência, para entregar-lhe pessoalmente o Colar da Insigne Ordem do Toisón de Oro, a mais alta condecoração espanhola.

Isto das OPA's toca a todos...

DIZ QUEM sabe: "Muita atenção ao BPI...". Um conselho a que não deverá ser estranha a recente entrevista de João Rendeiro ao "Semanário Económico", onde o "patrão" do BPP defende que os espanhóis La Caixa e os brasileiros do Itaú deveriam lançar uma OPA sobre o BPI. Nos meios económicos, prevêem-se tempos de grande turbulência lá para os lados do banco liderado por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Não sei onde é que meti o jornal...

NÃO LI nem tenciono ler o artigo de Luís Filipe Menezes no "DN" de hoje. Sou suficientemente seu amigo e admirador para fazer de conta que não sei onde é que meti "o raio do jornal" e assim esquecer que ainda há dias ele jurou a pés-juntos que só falava da situação do PSD em 2009. Será que ele não entende que com essa sua precipitação, está a legitimar à posteriori os ataques que foi alvo durante o tempo que liderou o partido?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Já a formiga tem catarro...

APESAR DO Verão, de praticamente não ter decorrido ainda um mês sobre a assumpção à liderança de Manuela Ferreira Leite, há quem no PSD comece a fazer contas e a posicionar-se, desde já, para uma previsível sucessão da antiga ministra das Finanças de Durão Barroso. Para além dos já "tradicionais" Passos Coelho, Rui Rio ou António Borges, uma nova "fornada" de candidatos a candidatos começa a dar os primeiros passos, uns tentando elevar os seus índices de notoriedade pública, outros "contando espingardas", estabelecendo pontes, fazendo contactos, tentando condicionar. Exemplos claros disso mesmo são o antigo secretário-geral de Durão e Santana Lopes, Miguel Relvas, que nos últimos dias tem surgido na imprensa um pouco a propósito de tudo e de nada (nomeadamente de uma distinção brasileira que foi, ou vai ser, alvo) e - pasme-se!!! - de Marco António Costa que, apesar do seu desaire no último congresso, onde até teve de abreviar o seu enfadonho e desinteressante discurso, não esconde junto dos que lhe são mais próximos o seu sonho de vir a liderar o partido. A esse sonho (há, em Gaia, quem lhe chame "pesadelo"...) não será alheio o precipitado anúncio de recandidatura de Rio à autarquia do Porto (sem que este não tenha sido tido nem achado), o afastamento que, a todo o custo, quer mostrar de Luís Filipe Menezes, ou as persistentes e discretas aproximações a Alberto João Jardim e ao seu inner circle, bem como ao reeleito líder distrital algarvio Mendes Bota - isto a propósito do "dossier" regionalização. Assim, sem mais nem menos!

Onde é que eu já ouvi isto?!



"Temos a melhor comitiva de sempre"


Manuel Boa de Jesus, chefe da missão portuguesa em Pequim/2008,

DN, 15.07.08

segunda-feira, 14 de julho de 2008

domingo, 13 de julho de 2008

O último reforço do BIG

O SOCIAL-democrata Manuel Dias Loureiro está de regresso ao mundo da banca. Após uma passagem pelo BPN, o actual conselheiro de Estado tornou-se recentemente num dos accionistas de referência do BIG, a instituição bancária liderada por Carlos Fernandes que, apesar de apostar fortemente no on line, encara muito seriamente a hipótese de apostar na abertura de balcões nas principais cidades portuguesas. Até agora, o BIG apenas possui dois balcões - um em Lisboa e outro em Braga.

O que é que ele havia de dizer?!

O PRESIDENTE do grupo Mota-Engil, António Mota, veio defender a construção do TGV. Segundo o "Diário de Notícias", Mota considera-o mesmo "fundamental para o País", ao mesmo tempo que propõe qaue as actuais linhas passem a servir para o transporte de mercadorias. Paralelamente, o "patrão" da Mota-Engil confirmou que esta empresa integra, conjuntamente com a Teixeiura Duarte e a Somague, um dos consórcios que vai concorrer à construção das linhas de alta-velocidade...

sábado, 12 de julho de 2008

De cima para baixo

PELA PRIMEIRA vez em muito tempo, as televisões (neste caso a SIC) filmaram José Sócrates de cima para baixo. Ocorreu ontem, junto à porta do hemiciclo, quando o primeiro-ministro saía no final do debate sobre o Estado da Nação. Vale o que vale, mas por vezes há detalhes que são sintomáticos...

Gelol by Duda Mendonça

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AÍ ESTÁ mais um dos "clássicos" da publicidade brasileira e uma das primeiras "obras-primas" de "Mestre" Duda Mendonça. E a forma como a emoção e os sentimentos "embrulham" um produto comercial (no caso uma pomada) é bem revelador do talento e da maestria deste ilustre baiano que, step by step, está de regresso à primeira linha do marketing político.

A propósito do "bloco central"

ESTA SEMANA, durante o jantar em que a Casa da Académica em Lisboa organizou para evocar Fausto Correia, tive a oportunidade e o prazer de compartilhar a mesma mesa com António Campos, o antigo "patrão" do aparelho socialista e que após dez anos no Parlamento Europeu resolveu dedicar-se de alma e coração à agricultura na sua quinta de Oliveira do Hospital. Em 1983, Campos foi quem, pelo PS, negociou com Mota Pinto, pelo PSD, o acordo que conduziu ao famoso "bloco central" e que no fundo mais não foi que uma "exigência" do FMI e da sua representante em Lisboa, a influente Teresa Tier-Mineseman. E ao escutar algumas dos deliciosos episódios que, a esse propósito, o antigo "braço-direito" de Mário Soares contou, fiquei com uma certeza sobre a principal diferença entre esse "bloco central" de 83/85 e este que agora tanto se fala e avizinha: é que, enquanto o primeiro, foi essencialmente político, este que agora se prepara e que tanto entusiasmo tem vindo a causar em certos sectores do PSD é nitidamente um "bloco central dos interesses"...

O peso angolano

NOS MEIOS financeiros há quem especule sobre o verdadeiro peso da Sonangol no capital do MIllennium/BCP, existindo quem garanta que, de forma "sorrateira", a poderosíssima empresa angolana já deteria 17 por cento do banco liderado por Carlos Santos Ferreira - através de uma "silenciosa" compra da posição accionista de Joe Berardo.
Por outro lado, nos meios jornalísticos, fala-se cada vez mais sobre um alegado envolvimento angolano na aquisição, por parte da Ongoing, do grupo editorial que publica o "Diário Económico" e o "Semanário Económico". Só assim se justificaria a verdadeira "fortuna" paga pelo grupo de Nuno de Vasconcelos pela "Económica" - nada mais, nada menos que 26 milhões de euros!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A pedido de várias famílias: Duda (parte II)


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ESTE "COMERCIAL" de Duda Mendonça é de 2006, ano do último "Mundial" de Futebol e fala por si mesmo quanto à genialidade e talento de quem o produziu e dirigiu. No mínimo, brilhante! O do "Gelol" vem já a seguir...,

Ora viva Sr.Feliz, como vai Sr. Contente?!

NO PROGRAMA "Falar Claro" da Rádio Renascença, onde o dirigente social-democrata Nuno Morais Sarmento não se coibiu de elogiar o desempenho do primeiro-ministro (ver post "Sem Comentários" de terça-feira passada), o socialista José Vera Jardim não lhe quis ficar atrás e, vai daí, não resistiu a demonstrar o seu agrado com a nova liderança social-democrata de Manuela Ferreira Leite: "Passou a ser uma oposição de causas e não de casos", afirmou o antigo ministro da Justiça de António Guterres, retribuindo a gentileza do seu colega de programa. E depois queixam-se que há quem aposte dobrado contra singelo que o "bloco central" está em vias de ser reeditado ou, em linguagem mais terra-a-terra, que "andam todos feitos"...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Made by Duda Mendonça (1983)

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NO ANO DE 1983, o Festival de Publicidade de Cannes concedeu a Duda Mendonça um "Leão de Ouro" pela criação e direcção deste "comercial" que rapidamente tornou-se um verdadeiro clássico da publicidade, ou "propaganda" como se diz no Brasil. O palco é Salvador, o cliente uma cadeia de lojas ópticas e o guião... uma linda estorinha de amor de Verão entre dois miúdos - um ternurento love story baiano, genialmente concebido por "Mestre Duda". Chega a emocionar...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sem comentários...

AO QUE PARECE, a Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, a mítica e insuspeita SEDES, actualmente liderada pelo antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha, divulgou um documento onde, de forma clara, aponta o dedo ao governo, acusando-o de tomar decisões e anunciar medidas apenas e só por motivos eleitoralistas. Segundo o relatório da reputada SEDES, o executivo liderado por José Sócrates procedeu a uma inversão de rumo, após três anos que a associação reconheceu como sendo de "esforços de estabilização orçamental". E dá alguns exemplos bem exemplificativos da forma como os socialistas estão a preparar meticulosamente a campanha eleitoral do próximo ano: "ênfase nos investimentos públicos", "cedência à agitação social", "baixas de impostos" e "a declaração do fim da crise orçamental".
Por outro lado, quase paralelamente, Nuno Morais Sarmento, que cada dia mais se assume como um dos "homens-fortes" da nóvel liderança social-democrata, afirmou à Rádio Renascença ter gostado da "atitude" de José Sócrates na sua recente entrevista televisiva: "Está ali um primeiro-ministro que perante as dificuldades quer reagir. Isso é muito positivo", defendeu o presidente do Conselho de Juridisção Nacional do PSD.

A palavra de Soares


"Somos hoje um dos países com maiores desigualdades sociais da União Europeia, o que representa uma imensa e intolerável desilusão"


Mário Soares, "DN" 8 de Julho de 2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Stevie Awards

A AGÊNCIA de comunicação Ipsis foi seleccionada para figurar entre os nomeados dos "International Business Awards", também conhecidos como "Stevie Awards", pela campanha levada a cabo a propósito da iniciativa levada a cabo pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, no âmbito de um protocolo estabelecido com as autoridades cubanas, com o tratamento em Havana dos munícipes que necessitavam de cuidados oftalmológicos. A campanha, intitulada «How a Small Town Hall changed a Portuguese Policy - a Public Relations Buzz Campaign», foi finalista na categoria de Melhor Campanha de Comunicação na Europa.

À atenção do PCP...

NA SUA ÚLTIMA "reflexion", desta feita publicada no site Cubadebate (www.cubadebate.cu), Fidel Castro não poupou críticas à actuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (FARC), nomeadamente no que diz respeito ao facto de manter em cativeiro civis e militares. E Castro não podia ter sido mais explícito, quando a propósito da libertação de Ingrid Betancourt e dos outros 14 reféns defendeu que nenhum propósito revolucionário justifica "(...)los métodos objectivamente crueles del secuestro y la retención de prisioneros en las condiciones de la selva" . E Fidel foi ainda mais longe quando afirmou: "Si algo me atrevo a sugerir a los guerrilleros de las FARC es simplemente que declaren por cualquier vía a la Cruz Roja Internacional la disposición de poner en libertad a los secuestrados y prisioneros que aún estén en su poder, sin condición alguna". Uma "reflexion" que deveria ser tida em conta pela direcção do Partido Comunista Português...

Kelvis Ochoa: que boa música se faz em Cuba!

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domingo, 6 de julho de 2008

Jardim e o primado da política sobre a economia

"Eu posso não concordar com algumas coisas do Presidente Chávez, mas há uma coisa em que faço minhas as suas palavras. É que a política não está ao serviço da economia. A economia é que tem que estar ao serviço da política"
Alberto João Jardim, DN, 6.07.2008

Atenção: esta senhora é uma chata!

NÃO DUVIDO que a actual mulher de José Saramago (Pilar del Río de seu nome) poderá ter sido uma excelente jornalista - não faço a mínima ideia, mas admito-o, embora para o caso pouco ou nada interesse. Agora o que eu sei e corroborei ao ler a entrevista de 4 (!) páginas que o "Diário de Notícias" resolveu publicar na sua edição de hoje, é que a senhora é tão chata (se não mesmo mais...) que o próprio marido, o que convenhamos, não é tarefa fácil. A sucessão de disparates, lugares comuns e pretensiosismos bacocos com que D. Pilar brindou os leitores da edição dominical do "DN" é verdadeiramente digna - não de nenhum Nobel - mas certamente do Guiness Book of Records, onde terá já certamente entrada garantida. Ao ler a entrevista, percebe-se que a senhora em causa tem-se a si própria em grande conta, que se julga indispensável ao Mundo (que obviamente gira à sua volta!) e que não existirá assunto ao cimo da Terra que não mereça a sua douta e sábia opinião. Enfim, D. Pilar é o que habitualmente denominamos como uma "ganda melga". Livra!!!
P.S. - Diga-se passagem que o tempo que perdi ao ler a entrevista da D. Pilar prendeu-se única e exclusivamente com a curiosidade em saber a sua opinião sobre o facto da junta de freguesia da terra natal do seu excelso esposo ter juntado o seu nome (dela!) à toponímia da vila e, já agora, porque é que tinha aceite tal "honraria". Mas (oh, azar dos Távoras), faltava a pergunta...

Jogo de espelhos...


COM A DEVIDA vénia, cita-se o blogue "Depois Falamos" de Luís Cirilo, onde é transcrito um take da agência Lusa de que se transcreve declarações de José Pacheco Pereira: "O maior inimigo do PSD é o próprio PSD(...)". E Pacheco Pereira? Não será ele também o maior inimigo de... Pacheco Pereira?

Cuba: resposta a uma pergunta


A PROPÓSITO DE um dos primeiros posts deste blog ("Cuba:o fim do romantismo"), Celso Morais pergunta-me se serei capaz de lhe responder como é que me mostro "tão perigosamente seduzido por um regime de terror como o cubano" e como é que posso apelidar de "romantica" a revolução cubana.
Ora bem: não escondo que sou um admirador (contido) da chamada Revolução Cubana. De algumas das suas proezas – e aí a Saúde e a própria Educação são bons exemplos do lado positivo de todo um processo obviamente polémico e que gerou amores e ódios – mas também do percurso e carisma de Fidel Castro, a quem ninguém poderá alguma vez ficar indiferente. Tive a sorte de passar parte da minha adolescência em Havana, dado meu Pai ali ter desempenhado funções profissionais na segunda metade dos anos 70. Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que se algumas dúvidas tivesse tido relativamente ao chamado “socialismo”, essas teriam ficado totalmente dissipadas após mais de três anos de convívio diário e muito próximo com o quotidiano cubano. Mas também – diga-se em, abono da verdade – irritam-me tanto os que sectariamente e de forma pouco inteligente tentam defender o que é indefensável, como aqueles que, reduzem cinquenta anos da história de um dos mais interessantes processos de transformação política em todo Mundo, a um simples exercício de um pouco saudável e redutor maniqueísmo político.
Não fui ou estou seduzido pelo regime cubano, longe disso - e quem me conhece (lá e cá) sabe bem quão crítico fui e sou relativamente a muita coisa. Estou, isso sim e há muito, seduzido pelas suas gentes, que no fundo, para mim, são o grande e principal capital daquele país. E hoje em dia temo que sejam essas mesmas gentes as principais prejudicadas por mudanças que, apesar de inevitáveis, poderão destruir algumas coisas positivas que a Revolução cubana construiu. Apenas e só isso!
(Foto: Rui Dias)




Salvador, Bahía

( Foto: "Fafy" )

sábado, 5 de julho de 2008

Quem sabe, sabe!

HÁ VINTE anos, José Manuel Trigo abriu pela primeira vez as portas do seu "T-Clube" na Quinta do Lago. Passados estes anos e após algumas "aventuras" por Lisboa (ai que saudades!), Braga e Alvor, o homem que mais sabe da noite (no bom sentido, é claro!) neste País, prepara-se para durante este Verão comemorar as duas décadas de existência de um conceito único de entretenimento e diversão nocturna, voltando mais uma vez a "arrasar" nas noites algarvias com uma "casa" alvo de um restyling a que o seu sóbrio e requintado bom-gosto não foram obviamente alheios. Parabéns Zé Manel!

O declínio do "herói"

DURANTE ANOS a fio, Daniel Ortega foi um herói de uma certa esquerda latino-americana. Líder da guerrilha sandinista que pôs fim ao despótico regime de Anastasio Somoza que governou a NIcarágua durante mais de quatro décadas, Ortega aceitou porteriormente os resultados eleitorais que o afastaram do poder para, 27 anos mais tarde e pela via democrática regressar à presidência do seu país - aliás um facto que ainda recentemente Mário Soares realçou como "positivo" durante a entrevista a Hugo Chávez na RTP.
Mas ultimamente a vida não tem sorrido ao líder sandinista. Para além da Comissão Internacional dos Direitos do Homem ter aceite uma queixa, acusando-o de genocídio e crimes contra a Humanidade, ainda recentemente o diário espanhol "El País" publicou uma extensa reportagem onde refere um suposto e estranhíssimo "pacto secreto" que Ortega mantém com o conservador Arnaldo Alemán, um ex-presidente eleito pela ALN que, apesar de condenado a prisão pela justiça nicaraguense, goza de um estatuto de impunidade que lhe permite passear-se livremente por Manágua. E como se isto não chegasse, a sua enteada Zoiloamérica Narváez insiste em publicamente acusar Daniel Ortega de "abuso sexual" desde 1982, altura em que ela tinha apenas 15 anos e o seu então padrasto 34... A queixa, feita há cerca de dez anos, seguiu os seus trâmites (afinal, parece que não é só por cá que a justiça é lenta) e há quem garanta que o actual presidente nicaraguense, hoje em dia muito criticado por alguns dos seus mais destacados camaradas de guerilha (à excepção de Tomás Borge),dificilmente resistirá a este escândalo.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Os primeiros balidos do cordeirinho

NÃO PERCAM, na biografia "oficiosa" de José Sócrates ("O Menino de Ouro do PS" de Eduarda Maio, pág. 193) esta deliciosa passagem sobre os momentos que antecederam a estreia parlamentar, a 16 de Dezembro de 1987, do então nóvel e jovem deputado: "O socialista aliviava a tensão repetindo interiormente que não chegara até ali para se contrair diante dos desafios. Precavia-se contra a eventualidade de algumas daquelas raposas velhas decidir saltar as bancadas e abocanhar um cordeiro incauto". Afinal, nessa altura, o agora auto-intitulado "animal feroz" era apenas um terno e frágil ovino...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A oportunidade de uma pergunta

TIVE PENA de não assistir à entrevista de José Sócrates na RTP, quanto mais não fosse para escutar a resposta do primeiro-ministro à pergunta sobre se o repto que em Maio e pelo menos por duas vezes, Pedro Santana Lopes lhe fez na Assembleia da República sobre a urgente necessidade do Governo (à semelhança do que os socialistas espanhóis fizeram) em lançar urgentemente um conjunto de medidas para combater a crise, teria alguma coisa a ver com o "pacote fiscal" que agora foi anunciado. Ou será que os jornalistas que conduziram a entrevista esqueceram-se de o questionar sobre tal?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A vitória de Álvaro Uribe

O DIA DE hoje será certamente um dos dias mais felizes para o presidente colombiano Álvaro Uribe, que contrariando todos os prognósticos e fazendo "ouvidos de mercador" às contínuas recomendações dos serviços de inteligência norte-americanos e franceses, deu "luz verde" a uma astuta e eficaz operação militar que conseguiu a libertação de 15 reféns em poder das FARC, nomeadamente da senadora e ex-candidata presidencial de origem francesa Ingrid Betancourt, há mais de seis anos em poder da guerrilha colombiana, bem como de um soldado norte-americano de ascendência portuguesa, Marc Gonçalves de seu nome.
Por um lado poderá ter desferido um golpe mortal na estrutura da FARC, bastante debilitada após a morte de dois dos seus principais dirigentes e de um público e recente pedido do polémico presidente venezuelano Hugo Chávez para que depusessem incondicionalmente as armas, mas por outro lado conseguiu fazer valer a sua tese de envolvimento militar, num momento em que todas as negociações levadas a cabo por NIcolas Sarkozy (que até uma mensagem televisiva protagonizou), Igreja Católica e Chávez conduziram a nada: "Fui eleito para dar segurança aos colombianos. Se um dia a guerrilha quiser conversar, estou pronto. Por enquanto, o que faço é combatê-la até derrotá-la", afirmou Uribe, em Junho de 2003, à revista brasileira "Veja". Recorde-se que esta intrasigência do presidente colombiano era justificada (e criticada) por muitos com o facto de, nos princípio dos anos 80, as FARC terem sido responsáveis pelo assassinato do seu pai, Alberto Uribe, curiosamente por muitos apontado como tendo fortes ligações ao "cartel de Medellin", então dirigido pelo célebre Pablo Escobar.
(Foto: elcolombiano.com)

A saga dos comentários anónimos

ALGUÉM (E DIGO alguém porque é "anónimo"), porventura porque não viu reproduzido um seu comentário onde a linguagem e os termos com que se referia a um protagonista de um dos meus post's não eram propriamente os mais elegantes, queixou-se posteriormente que "nesse blogue só cabem comentários elogiosos", pelo que não lhe augurava grande futuro. A questão porém é outra e bem mais simples: no meu entender, os blogues não devem servir para, a coberto do anonimato, insultar-se quem quer que seja - tenha-se (ou pense-se ter) a maior razão do mundo.É por essas e por outras que este blogue tem o nome do seu autor e não se esconde atrás de qualquer título porventura bem mais apelativo.
Admito - é claro - comentários anónimos. Agora o que não podem é ultrapassar os limites do que eu considero o mínimo de educação. Daí ter activado a chamada "moderação de comentários". Ponto final!

Havana, final dos anos 40 (Prado y Neptuno)


Um país que é uma fusão

COM UMA notável e certeira perspicácia alguém comentava ainda hoje o estado deste nosso País: "Cada dia que passa, a situação em Portugal é assim como uma espécie de fusão de grandes escritórios de advocacia..." Na mouche!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Palavra de pai!

"Eduquei-o (a José Sócrates) no príncipio da total tolerância"

Fernando Pinto de Sousa,
Diário de Notícias, 1.07.08

Que saudades do caraças!


A FALTA QUE Fausto Correia faz a todos os que tivémos a sorte de ser seus amigos! Na próxima terça-feira, dia 8, a Casa da Académica em Lisboa, de que Fausto foi um dos principais e entusiastas promotores e fundadores, vai evocá-lo no decurso de um jantar que reunirá, à volta da sua memória, dezenas e dezenas de amigos que ainda hoje não acreditam como foi possível ele ter-se ido embora tão cedo. Vai ser no restaurante da antiga FIL (à Junqueira) e a partir das 20 horas. Aí está um exemplo de quem, apesar das "pontes" que sempre soube, com um talento invulgar, estabelecer; de "dar-se bem com Deus e o Diabo"; e de movimentar-se com um notável à vontade em tudo o que era área política, manteve-se sempre leal aos seus príncipios de ordem partidária - por muito que isso, às vezes, lhe custasse...
(Foto: Direitos Reservados)

De facto, tudo isto anda muito confuso...

AINDA A PROPÓSITO da surpreendente participação de Manuel Dias Loureiro na apresentação da biografia "oficiosa" de José Sócrates, de facto tudo isto muito confuso, para não lhe chamar outra coisa... As diferenças e clivagens político-partidárias esbatem-se, diluem-se neste estranho e revelador limbo, onde todos fogem de pôr "o preto no branco" e os interesses pessoais e profissionais se sobrepõem às estratégias partidárias. É por esta e outras coisas que a "ruptura" é imperiosa. Sob pena da República se transformar no palco das negociatas feitas à custa do peso político dos seus protagonistas!