domingo, 22 de Novembro de 2009

Il Divo


RETRATA DE forma soberba o poder e influência que, ao longo de décadas, Giulio Andreotti possuiu na cena política italiana. Dirigido pelo realizador Paolo Sorrentino, premiado em Cannes, "Il Divo" é um filme a não perder, especialmente neste momento em que a "italianização" começa a ser um tema recorrente na política portuguesa e onde uma frase proferida por Andreotti dá para pensar (e sorrir...): "Para crescer, uma árvore precisa de estrume"...

sábado, 21 de Novembro de 2009

Uff! (ou do mal o menos...)

"Marcelo (...) só está à espera que Ferreira Leite saia"

Título do jornal "I"

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Um partido à deriva

É CURIOSO o silêncio que se abateu sobre a sucessão de Manuela Ferreira Leite à frente do PSD. Após um frenético desfilar de pré-candidaturas, de múltiplas movimentações em tudo o que era bar e restaurante de hotel de cinco estrelas por essa Lisboa fora, eis que repentina e aparentemente o tema deixou de estar no centro das atenções, não só do "planeta laranja" mas da própria agenda jornalística. Enquanto isso, o partido vai sendo liderado na prática pela dupla formada pela fragilizada Manuela Ferreira Leite e por um politicamente insignificante José Pedro Aguiar Branco, com este último ainda a sonhar que poderá chegar a sua hora em sentar-se no principal cadeirão da Rua de S.Caetano à Lapa. Valha-nos Deus!

Uma simples pergunta...


SOB o título "O que pensará hoje Cavaco Silva, que há uns anos falava da boa e da má moeda?", Pedro Santana Lopes escreve um excelente artigo na sua habitual coluna no semanário "Sol" e que não resisto a transcrever:

"Face ao que se vem passando em Portugal, compreenderão que muitas vezes sinta alguma curiosidade sobre o que pensará e sentirá o Presidente Cavaco Silva que, aqui há anos, defendeu que a boa moeda tinha de substituir a má moeda.

Perante o estado a que chegou o país – e que atinge o Presidente da República nos seus níveis de popularidade –, o que pensará a pessoa que entendeu que era precisa ‘moeda’ bem diferente da que existia quando escreveu o célebre artigo?

Tenho esta curiosidade – e não mudei a minha opinião de que, apesar de tudo, é um conforto ter uma pessoa com a honradez e o sentido de responsabilidade de Cavaco Silva na chefia do Estado.

Só que tudo o que se passa vai exigir, nos próximos tempos, muita firmeza política da sua parte. Como Presidente e como eventual candidato. Não é só o centro-direita que precisa de um Presidente que garanta ordem e rectidão, e que crie as condições políticas para Portugal poder recuperar e progredir. Será Cavaco Silva a protagonizar esse caminho? Já faltará pouco para se saber a decisão.

É essencial que, qualquer que seja o candidato, assuma posições claras sobre os tais temas imperativos de que falei na semana passada e que justificam a tal conferência nacional que referi.

Quase tudo deve mudar, a começar por normas do sistema de Governo e do sistema eleitoral, passando pela Justiça, pela Segurança Social, pela comunicação social.

No sistema de Governo, por exemplo, das duas, uma: ou se limita o poder presidencial de dissolução do Parlamento – ou então, como em França, dá-se ao Presidente da República o direito de presidir ao Conselho de Ministros quando o entender (actualmente, só o pode fazer se o primeiro-ministro o solicitar).

No sistema eleitoral, deve pensar-se na introdução de círculos uninominais ponderados com um círculo nacional proporcional, para além da redução do número de deputados.

No sistema de Justiça, reformar profundamente o regime do segredo de Justiça.

Na comunicação social, reforçar as garantias do pluralismo e prever incompatibilidades éticas.

Na Segurança Social, requacionar, entre outras coisas, o direito ao 14.º mês para as pessoas de rendimentos mais elevados.

É impossível a situação nacional continuar como está. Tal como é insustentável o Estado Providência, em geral, continuar com as responsabilidades que ainda lhe cabem.

Portugal tem novamente pela frente um duro caminho para o reequilíbrio financeiro. Só que a paciência dos portugueses é menor – porque já fizeram vários caminhos desses e tudo volta sempre ao mesmo. Vai ser muito exigente. E repito: só um Governo de salvação nacional o poderá fazer."

A necessidade de novos actores

É PRATICAMENTE inquestionável que este regime, nesta "forma" e com estes "protagonistas" está a dar as últimas, com o seu "prazo de validade" a esgotar-se de dia para dia. A descredibilização da actual classe política perante a sociedade é visível e a necessidade do surgimento de novas "caras" que possam corporizar o que hoje são os valores da imensa maioria que reclama uma mudança radical na forma de fazer política torna-se indispensável. Mas, porque as circunstâncias são hoje bem distintas do que eram em 1926 ou 1974, terá de ser o próprio regime a promover a sua própria regeneração, promovendo o afastamento desta classe política onde os vícios, as cumplicidades e os interesses corporativos e pessoais imperam e se sobrepõem a tudo e criando as condições para que novos protagonistas "salvem" o que ainda resta desta democracia agonizante. Mas será que consegue?
O regime, ou melhor, o que resta dos seus "guardiões" será suficientemente inteligente para promover um refreshment que permita a uma nova "fornada" de políticos (que existem, não tenham a menor dúvida!) apresentar-se aos portugueses sem passar pelo crivo absurdo e viciado de uma "trupe" de pretensos formadores de opinião que, a seu bel-prazer e segundo as suas conveniências pessoais, escolhem quem pode e não pode protagonizar a nossa cena política? Há semanas, numa entrevista dada a Mário Crespo, o brasileiro Duda Mendonça, porventura um dos nomes mais destacados do chamado "marketing político" a nível mundial e um dos principais artífices da eleição de Lula, não escondia a sua surpresa pelo facto de, em Portugal, a televisão "jogar" um papel menor nesta "revitalização" da democracia, se comparado com o que sucede em muitos países. E comentando a dificuldade dos que, sem pertencer ao chamado establishment possuem em dirigir-se directamente e sem intermediários ao eleitorado para expor as suas ideias e projectos, chegava a afirmar : "Em Portugal, Lula ou Obama dificilmente seriam eleitos"...
Não sei se seriam, ou não, eleitos. O que sim tenho a certeza é que, por este caminho, um dia destes Portugal arrisca-se a que um qualquer Alberto João Jardim de segunda escolha "varra" o país de norte a sul, capitalizando descontentamentos e frustrações e, a coberto de uma pretensa "moralização", alcance o poder e (aí sim...) nos empurre definitivamente para o abismo.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Coincidências...

SABE-SE HOJE, através da revista "Sábado" que um estudo "Media Monitor" indica que o desaparecido semanário "Independente", desde que publicou a primeira notícia sobre o "caso Freeport", associando o nome de José Sócrates ao estranho e célere licenciamento do empreendimento de Alcochete, sofreu uma significativa quebra de receitas de publicidade, nomeadamente com o governo a reduzir o seu investimento naquele jornal em 65 por cento, a PT 78% e a EDP em 64%. Obviamente uma coincidência...

Os energúmenos bósnios são mais energúmenos que os nossos?

FOI NO mínimo rídicula e bem reveladora da mesquinhez que tomou conta da mentalidade de muitos de nós, a forma como a generalidade dos meios de comunicação social noticiaram a presença da selecção portuguesa na Bósnia-Herzegovina. Desde a SIC-Notícias, com uma postura alarmista, a interromper a emissão para noticiar que os jogadores portugueses tinham sido insultados à chegada ao aeroporto de Sarajevo por uma "multidão de adeptos bósnios enfurecidos" (minutos mais tarde viu-se um punhado e meio de "índios", perante o sorriso e a calma dos atletas portugueses, a fazerem exactamente a mesma figura com que os energúmenos das nossas claques normalmente recebem as equipas adversárias...), até ao comentador da TVI a mal-conter a sua indignação pelo almoço que os responsáveis federativos bósnios ofereceram ao sr. Madaíl e companhia só ter-se iniciado (imaginem!) às três e meia da tarde ou pelo som dos seus auscultadores estar a ser "sabotado", ouviu-se um pouco de tudo! E o modo como foi encarado o facto dos adeptos bósnios terem assobiado o nosso hino nacional antes do início do encontro?! E o "crime de lesa-majestade" perpretado por esses mesmos adeptos que, na noite que antecedeu o encontro, lançaram dois ou três foguetes junto ao hotel onde os jogadores portugueses pernoitavam?! Alguém se lembrou de perguntar a cada um dos seleccionados quantas vezes, ao serviço dos seus clubes, lhes aconteceu exactamente o mesmo em Portugal? Era capaz de ser interessante!
E já agora, também não fazia mal nenhum nenhum lembrar que esta "terrível" estada na Bósnia não teria ocorrido se, como seria normal, a selecção portuguesa tivesse garantido o apuramento nos jogos do seu grupo, sem ter de recorrer a um "play off"...

Será que Cavaco já lê jornais?

"É importante a intervenção do Presidente para dar confiança ao sistema de justiça"

Telmo Correia, "I"

Frase

"Os gays querem casar-se de papel passado? Porreiro, pá! As grandes vítimas do Simplex (os notários) até agradecem"

Jorge Fiel, Diário de Notícias

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

O paspalho ou as voltas que este País dá...

A COMISSÃO Europeia aponta os 8 por cento como a cifra para o défice das contas públicas portuguesas em 2009. O ministro Teixeira dos Santos é mais optimista e "aposta" nos sete por cento. E já agora o paspalho do dr. Constâncio desta vez não quererá "meter a colherada" no assunto e deitar cá para fora um número, daqueles que dá um jeitão a quem deve obediência? Ou já deixou de celeremente vir fazer as "suas" contas? Francamente...

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Será que, será que, será que...

AINDA RELATIVAMENTE ao post anterior e em que se refere a ausência de qualquer tomada de posição por parte do Presidente da República em face das declarações (no mínimo idiotas) do ministro Vieira da Silva... Será que alguém ficaria espantado se Cavaco Silva convocasse o primeiro-ministro a Belém e exigisse a demissão imediata do agora ministro da Economia? Será que é aceitável que um governante considere "um acto de espionagem política" a existência de escutas devidamente autorizadas por quem de direito? Será que estas minhas dúvidas não têm cabimento?

sábado, 14 de Novembro de 2009

Um cúmplice chamado Cavaco Silva...

LEIO QUE uma alta figura da magistratura italiana recém-chegada a Lisboa e ao deparar-se com o ambiente que se vive na sociedade portuguesa, com este regime a definhar e a apodrecer de dia para dia, terá exclamado: "Liguei a televisão e parecia que estava em Itália!". Nada que nos surprenda, pelo menos a quem siga, nem que seja ao de leve, esta contínua e preocupante degradação das instituições e a descredibilização de grande parte dos protagonistas da nossa cena política, económica e judicial. Isto chegou a um ponto tal que existe um ministro que se permite classificar as escutas (devidamente autorizadas por quem de direito e no âmbito de uma investigação que já levou a que fossem constituídos arguidos) em que o primeiro-ministro foi "apanhado" como um acto de "espionagem política"! E tão ou mais grave que estas - no mínimo - inconcebíveis declarações de VIeira da Silva é o inacreditável e injustificável silêncio de quem, já há muito, tinha a obrigação de intervir explícita e publicamente. Esse alguém chama-se Aníbal Cavaco Silva e arrisca-se a ficar na história objectivamente como "cúmplice" consciente desta "italianização" da sociedade portuguesa...

Ah, pois está, 'tá...

"Isto está a passar todas as marcas"

José Sócrates

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Sem mínimos olímpicos...

SE É verdade (nem que seja só uma quarta parte desta embrulhada...) o que tem vindo a lume a propósito do badalado caso "Face Oculta", espera-se que, desta vez, o Presidente da República tome rapidamente uma posição pública e já agora inequívoca, por muito que isso lhe possa custar. É que já chega de assobiar para o lado (como o tem feito desde que, para a fotografia, subiu a ladeira do Palácio de Belém de mão dada com a mulher e os netinhos), sempre que qualquer coisa que faça possa condicionar a recandidatura daqui a poucos meses. Que o Presidente da República se preocupe mais com a República que com ele próprio é o mínimo que se espera... Mas já começámos a perceber que este chefe de Estado já nem os "mínimos olímpicos" possui!

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Regionalização ou "retalhização"?

PARA MAL dos nossos pecados já recomeçou a discussão acerca da regionalização, com os arautos da dita cuja a tentarem, a toda a pressa, fazer aprovar (mais) um referendo sobre o tema. Numa altura em que qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que aqui mesmo ao lado a Espanha corre o risco de, a médio-prazo (para não dizer curto...), poder vir a pulverizar-se em quatro ou cinco estados (Catalunha, País Basco, Galiza, Baleares e até Andaluzia), eis que, presurosos e frenéticos, surgem os defensores da "retalhização" do nosso País, porventura esperançados na criação de mais uns quantos lugares de nomeação política e esquecendo o peso que Portugal, enquanto Estado-Nação, desempenharia num cenário desse tipo. Como diz alguém: será que ainda não perceberam que para que Portugal seja, ele mesmo, uma região, falta-lhe a Galiza?! Livra!

domingo, 8 de Novembro de 2009

Abaixo de cão!

DE HÁ duas semanas para cá, o insuportável Luís Filipe Borges tem vindo a brindar os leitores da sua coluna na revista "Tabu" do semanário "Sol" com uma série de disparates sobre Cuba, país esse que, segundo parece, teve a infelicidade de tê-lo recentemente como visitante. O infindável número de imbecilidades que, em apenas numa página, o cavalheiro consegue escrever sobre a realidade cubana merecia justamente a outorga de um qualquer prémio que distinguisse a cabotinice e a alarvidade. Não se pede a este auto-intitulado humorista, pretenso apresentador de TV ou antigo paginador que seja um especialista sobre Cuba, a sua história e quotidiano, longe disso... O que se lhe pede, isso sim, é que antes de alinhavar as "bojardas" e dislates com que nos tem brindado, pense um bocadinho, pergunte outro tanto e, já agora, poupe-nos a ler coisas tão idiotas como aquela em que nos conta que, durante cinquenta anos e até recentemente o colombiano Juanes ter subido a um palco em Havana, nenhum cantor estrangeiro terá actuado em Cuba. Ó homem, cale-se!

Narciso Miranda e o "pecado" (dos outros)...

LEIO QUE no interior do Partido Socialista há quem teime em avançar com o processo que conduza à expulsão de Narciso Miranda e outros duzentos militantes que cometeram o "pecado" de integrar listas independentes nas últimas eleições autárquicas. No mínimo extraordinário, especialmente se nos lembrarmos em tudo o que, ao longo de mais de três décadas, o antigo presidente da Câmara Municipal de Matosinhos deu ao seu partido. De vez em quando é preciso ter alguma memória e recordar que enquanto Narciso "dava o peito às balas" nas trincheiras socialistas, os que hoje defendem ou pactuam com a sua "defenestração" entoavam hossanas aos camaradas Mao ou Stalin e rotulavam o dr. Soares de perigoso "agente da reacção" ou "lacaio do imperialismo" ou, como José Sócrates, "navegavam" em águas laranjas como aplicados e dedicados "jotinhas"...

sábado, 7 de Novembro de 2009

Um excelente livro


CHAMA-SE "Angola e o fim da União Soviética" e é um livro indispensável para quem queira compreender os anos 70 e 80, mais concretamente o período final da "Guerra Fria" e a sua repercussão em África. E fica finalmente provado, através de depoimentos e documentos soviéticos agora divulgados, que os cubanos decidiram avançar para Angola sem pedir qualquer autorização a Moscovo, dando assim razão aospoucos que há muito defendiam essa tese.O jornalista José Milhazes acedeu a documentação dos arquivos russos e entrevistou veteranos de guerra, bem como altas personalidades da política soviética. Vale mesmo a pena ler!

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Já é tempo!


SE FOSSE vivo, Fausto Correia faria hoje 58 anos. E nós estaríamos a "sarnar-lhe" o juízo, a fazer-lhe (ou ser alvo) de alguma das muitas partidas de que era autor ou vítima. Eu e tantos outros temos saudades do nosso "Faustinho" e ainda não perdemos a esperança de ver quem decide homenageá-lo coerentemente, dando o seu nome aquela que foi um das suas principais obras enquanto governante - a "Loja do Cidadão". Já é tempo!

Qualquer coisa que não bate certo...

QUANTO GANHARÁ mensalmente, em média, o vice-presidente do Millennium? Com prémios e bónus incluídos, 200 mil euros? 150 mil? 100 mil? Dificilmente auferirá menos... Agora alguém com dois dedos de testa acredita que Armando Vara iria receber 10 mil euros de um sucateiro como pagamento referente a "tráfico de influências" ou "informação privilegiada" ou lá o que fosse?! Não conheço a pessoa em causa, ao longo dos anos foi mais o que nos separou do que nos uniu, mas acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Este país começa a cheirar (mesmo) mal...

Há sempre um(a) idiota à esquina de um blogue...

É COM um enorme desvelo que nos últimos dias tenho deparado com uma atenção redobrada pelo meu blogue por parte de um(a) "anónimo" a quem certamente faltará coragem para dar a cara, que é como quem diz, assinar por baixo. Energúmena personagem tecla a torto e a direito, ora insultando como quem bolsa alarvidades sem nexo e com claro "cheiro" a despeito, ora pretendendo dar lições de uma gramática duvidosa e que nem chega a compreender que um hipotético erro pode não passar de uma "gralha". As figuras que certas pessoas fazem... Mesmo a coberto de cobardes e reveladores anonimatos que só escondem a falta de vergonha que não conseguem disfarçar. Pobre gentinha! (IP 93.108.9...)

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A hipótese Marcelo volta a ganhar força

A HIPÓTESE Marcelo Rebelo de Sousa volta a ganhar força no PSD. Nas últimas horas e depois do discurso presidencial da tomada de posse do novo governo ter sido analisado "à lupa", há quem não se canse em desdobrar-se em contactos para criar uma "vaga de fundo" entre os chamados "notáveis" de apoio a Marcelo para suceder a Manuela Ferreira Leite. Até porque há quem tenha "lido" no recente discurso de Cavaco o "recado" da sua recandidatura no próximo ano, o que condicionaria as óbvias ambições presidenciais do irrequieto professor. Entre algumas distritais (até aparentemente mais "resistentes" ao nome de Marcelo) a hipótese começa a ganhar adeptos...

O que hoje é verdade...

MEMÓRIA É coisa que falta (e de que maneira...) na política portuguesa, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, eu sei lá, fazendo mesmo lembrar aquela célebre frase do controverso Pimenta Machado a propósito do futebol nacional - "o que hoje é verdade, amanhã é mentira". Vem isto naturalmente a propósito das recentes declarações de José Pedro Aguiar Branco, recém-eleito líder parlamentar do PSD, sobre a necessidade do partido parar de "trucidar líderes". Vindo de quem vem, no mínimo abre-se a boca de espanto. É que não foi há muito tempo que Aguiar Branco, em pleno "consulado" de Luís Filipe Menezes à frente do PSD, desdobrava-se em entrevistas a pedir congressos extraordinários para destituir o líder...

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

À atenção de José Saramago...


Padre de Boticas detido pela GNR por posse ilegal de armas. Fernando Guerra, conhecido por em tempos ter agredido violentamente o sacristão de Covas, foi presente ao Tribunal que decidiu impôr-lhe uma medida de coacção que implicará apresentar-se semanalmente às autoridade.

Ainda não foi desta

AINDA NÃO foi desta que o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros assumiu a área do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro - uma decisão a que poucos se opõem (independentemente dos partidos), mas que tarda em ser concretizada. Diz-se que Luís Amado teria "torcido o nariz" a essa hipótese e feito mesmo depender a sua continuidade à frente do palácio das Necessidades do não-alargamento das actuais competências do MNE. "Diplomacia económica" sim, mas mais na teoria que em outra coisa...

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Do "Público" para Bruxelas?

FALA-SE CADA vez com maior insistência numa possível nomeação de José Manuel Fernandes para um lugar no gabinete de Durão Barroso na Comissão Europeia. A ser verdade, é difícil dissociar essa hipotética transferência do director do "Público" das ambições presidenciais de Durão...

Um grande de Espanha


A MONARQUIA e democracia espanhola devem-lhe muito. Chamava-se Sabino Fernández del Campo, foi chefe da Casa Real e principal conselheiro do Rei Juan Carlos durante muitos anos e desempenhou um papel fundamental na resposta ao fracassado golpe de estado que ficou conhecido como "23-F". Discreto, hábil negociador, tinha como lema uma frase que não cansava de repetir: "O silêncio é a melhor lealdade". Morreu ontem, aos 91 anos.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Falta muito?

"Adorava voltar a ter Marcelo a comentar política na TVI"

Júlio Magalhães, in "Diário de Notícias"

O cantor, o prémio e a publicidade enganosa...

O FACTO de ter uma boa voz não pode levar o cantor Carlos Manuel de Ascenção Almeida (mais conhecido por Carlos do Carmo) a ter o descaramento em ufanar-se a torto e a direito e agora até num anúncio a um banco (!), de ter recebido o conceituado "Premio Goya" de 2008, atribuído pela Academia das Artes de Ciências Cinematográficas espanhola à "Melhor Canção Original" com o "Fado da Saudade" que, afinal, veio a saber-se não era, nada mais nada menos, do que a música do quase centenário "Fado do Versículo", com registo na Sociedade Portuguesa de Autores em nome de Alfredo Marceneiro, que muito boa gente cantou e gravou ao longo de décadas e continua a cantar e a gravar. Em bom português, isso chama-se "aldrabice". Nem mais nem menos. E já agora, publicidade enganosa, o que não fica nada bem a uma instituição como a Caixa Geral de Depósitos, n'é?

Visita obrigatória

NO MOMENTO em que José Saramago anda tanto nas bocas do mundo, recomenda-se uma visita a este endereço: http://www.saramagoplagiario.blogspot.com/. E já agora, ler atentamente...

Uma sigla...


ESTA FRASE pertence a Alberto Gonçalves e é, no mínimo, elucidativa acerca do que ele denomina como "o pandemónio do corrente PSD": "A maçada é que, no caso, os feudos pessoais, os ódios íntimos e as lutas internas em que o partido se entretém são tão internos, íntimos e pessoais que o cidadão desprevenido e leigo tende a perguntar-se o que é que aquilo tem a ver com ele. E a resposta, aliás óbvia, não promete um futuro risonho ao PSD, se é que uma mera sigla ainda une o que os homens desuniram(...)".

sábado, 24 de Outubro de 2009

Um mês depois...

JÁ PASSOU um mês sobre a desobediência protagonizada pelo chefe da missão portuguesa junto da Unesco e em que este votou contrariamente às directivas recebidas de Lisboa. O que espera o reconduzido ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado para cumprir a lei, ou seja, exonerar Manuel Maria Carrilho?

Pobre partido...

NO JÁ famoso "ringue" laranja do qual o prof. Marcelo Rebelo de Sousa aparentemente preferiu saltar, cada dia que passa perfilam-se dois "boxeurs" - Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho. Está tudo dito...

Não lhe ficava mal um bocadinho de vergonha...

DE FACTO neste nosso País existem pessoas que devem pensar sermos todos parvos, burros ou, na melhor das hipóteses, que "comemos muito queijo"... Ao que parece, o ex-presidente Jorge Sampaio (que curiosamente, com a "corrida" presidencial a dar os primeiros passos, anda com uma notória e visível ânsia de protagonismo) defendeu uma revisão constitucional que crie mecanismos de "protecção" aos governos minoritários! Ouve-se e não se acredita, lê-se e ficamos embasbacados! Como é possível que alguém que foi o único e exclusivo responsável por demitir um governo de coligação apoiado por uma ampla e estável maioria parlamentar venha, quatro anos e pouco depois, defender uma coisa dessas?! Senilidade? Oportunismo? Incoerência? Desconheço, embora do dr. Sampaio já se espere qualquer coisa. Uma coisa é certa: um bocadinho de vergonha na cara não lhe ficava nada mal...

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Para que conste...

SEGUNDO LEIO no blogue de Pedro Santana Lopes, parece que afinal José Alberto Carvalho não esteve, noite fora, a festejar a vitória socialista com António Costa numa ceia em Lisboa. Segundo o director de Informação da RTP foi apenas uma coincidência ambos terem escolhido o mesmo local - o restaurante "Bons Amigos". Tudo coincidências!

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Não lhe liguem, coitado...

ATÉ ADMITO que exista quem considere José Saramago um grande escritor, não duvido que alguém assim possa pensar. Não é decididamente o meu caso, acho que o nosso País está servido (e bem!) de outros, cuja escrita é bem mais interessante e rica que a deste homem a quem um dia a Academia Sueca resolveu conceder um Nobel. E também confesso, verdade seja dita, que o homem "encanita-me" bastante, tanto pelo triste passado enquanto director-adjunto do "Diário de Notícias" (e não me venham falar em excessos de juventude, porque em 1975 Saramago já não era propriamente um menino...), como por aquele ar pretensamente superior e professoral com que opina sobre tudo e todos, dando-se uns ares de referência moral da Pátria que aquela irritante senhora Pilar del Río deve adorar e fomentar.
Vem isto a propósito da polémica (oportunissima para as vendas, é claro!) que o seu último livro provocou nos meios católicos cá do burgo, a ponto de já existir quem lhe exija que renuncie à nacionalidade portuguesa, como foi o caso do euro-deputado Mário David. Mas ninguém percebe que é exactamente isso que o sr. Saramago quer? Que falem dele, do seu livro, que os jornais e televisões lhe dediquem espaço, que surjam uns Sousas Laras da praxe a dizer uns disparates inconsequentes e bacocos da boca para fora?! Por favor... Não lhe liguem, encolham os ombros, sorriam, assobiem para o lado. Sabem que mais? Comprem livros do António Lobo Antunes, ponham-nos debaixo do braço e formem um cordão humano a atravessar Lisboa! Isso é que era!

Uff...

SEM QUERER ser chato - até porque a pessoa em questão sempre me mereceu estima - vou ser obrigado a voltar ao assunto da ceia que, na noite da vitória socialista nas eleições para a Câmara de Lisboa, juntou José Alberto Carvalho e António Costa à volta da mesma mesa, aparentemente para celebrar a vitória eleitoral deste último - notícia essa que não foi, até hoje, desmentida ou rectificada... E tudo porque li ontem em tudo o que era jornal as posições do director de Informação da RTP numa conferência que assinalou os 50 anos do "Telejornal" e em que José Alberto Carvalho defendeu vigorosa e até exaltadamente a sua "dama" (que é como quem diz a televisão pública), garantindo a "pés juntos" não existirem pressões governamentais nem interferências nos alinhamentos do principal serviço noticioso do canal público. Fico mais descansado!

terça-feira, 20 de Outubro de 2009


"Se o Presidente da República é exigente connosco, também temos que ser exigentes com ele"

Pedro Caldeira
in "Jornal de Negócios"

Nos braços de Costa!

No Chiado, à espera de Costa...

domingo, 18 de Outubro de 2009

O deputado que não chegou a ser

PARA QUEM, como eu, viu no dia das eleições legislativas o cabeça-de-lista do PSD pelo círculo de Braga a, calma e serenamente e naquele seu jeito descontraído, comprar pão na "Sacolinha" do bairro do Rosário em Cascais, não fica nem um pouco surpreendido com a renúncia ao cargo de deputado protagonizada por João de Deus Pinheiro...

Vinicius, pois claro!


Andam dizendo na noite
Que eu já não te amo
Que eu saio na noite
E já não te chamo
Que eu ando talvez
Procurando outro amor

Mas ninguém sabe, querida
O que é ter carinho
Que eu saio na noite
Mas fico sozinho
Bem perto da lua
Bem perto da dor

Perto da dor de saber
Que este céu não existe
E que tudo o que nasce
Tem sempre um fim triste
Até meu carinho
Até nosso amor

A ceia do director


LEIO E não quero acreditar!!! Então não é que no rescaldo da última eleitoral, José Alberto Carvalho não arranjou outra companhia para ir cear que, nada mais nada menos, o candidato vitorioso em Lisboa, ou seja, António Costa, acompanhado pelo seu staff?! Convém recordar que José Alberto Carvalho é o director de informação da RTP...

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Ele há indignações estranhas... by José Ferreira Fernandes

A PROPÓSITO da desajustada (para não dizer ridícula) pretensa campanha no "Facebook" contra o novo anúncio da cadeia de supermercados "Pingo Doce" não resisto a transcrever a crónica de José Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias" de ontem:

"O Pingo Doce contratou um famoso publicitário brasileiro para a campanha que começou nas televisões na semana passada. Vai daí, começou outra campanha no Twitter, esta semana: abaixo--assinados de portugueses (já vão em 1600) contra o anúncio do supermercado. Fui ver. Talvez porque não seja o cliente- -tipo, o anúncio não me aquece nem arrefece. Mas, porque nasci com a dose suficiente de bom- -senso, uma coisa garanto: não tem nada que suscite uma mobilização indignada. Então? Porquê os 1600 e o frenesim, que já apela até a um encontro de indignados? Eu explico: cherchez la femme. O que, traduzido para a circunstância, é: alguém ficou sem a conta choruda que o supermercado tinha para publicidade e que foi parar ao brasileiro. A dor de corno na bolsa é das que mais doem. Espero que sem relação, mas também esta semana, alguém ressuscitou um vídeo da actriz brasileira Maitê Proença, onde ela é grosseira sobre os portugueses. O vídeo é velho de dois anos e, no entanto, também já há abaixo-assinados contra a brasileira. Se hoje Liedson marcar 5 golos (4 contra Malta e um na própria baliza) e amanhã aparecer um abaixo-assinado contra o "brasileiro" que traiu o nosso guarda-redes, vou ficar atento: o defraudado publicitário português está mesmo assanhado."

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Vai mais um copo?

HÁ MOMENTOS, quando leio certas croniquetas de determinadas figurinhas que por aí se arrastam já penosamente e quase sempre com os habituais vapores etílicos a tolher-lhes o raciocínio, em que sou "assaltado" por recordações com alguns anos... Foi o que me aconteceu hoje, ao ler um montão de dislastes (certamente escritos com o precioso dicionário de sinónimos como "muleta") e em que um conhecido idiota da nossa praça que já deixou de ser jornalista mas (coitado...) ainda não conseguiu ser escritor resolveu analisar o resultado de Pedro Santana Lopes nas eleições de domingo passado.
E ao ler o chorrilho de flatulências emitidas por esse arauto de um pretenso moralismo que acaba quando lhe cheira a avença, lembrei-me de uma história já com oito anos, mas que define bem o carácter e a idoniedade do escriba em questão. Estávamos em vésperas de um acto eleitoral e, de repente, o idiota em causa resolveu investir, qual quadrúpede encadeado pela violência da iluminação de uma "nocturna", furiosamente contra um candidato autárquico, com um artigo manhoso, vil e pleno de alusões pessoais. O tom e o modo eram de tal modo desajustados que, segundo corre, alguém amigo do emergúmeno e sabedor das suas fragilidades resolveu adverti-lo: "Ó homem! Olha que isso já é demais... Vê lá, não te esqueças que tens um gabinete e uma avençazinha dadas pelo adversário dele... E a casinha de Benfica? Se alguém resolve investigar como é que a 'abichaste' e quanto pagaste por ela? Vai ser uma chatice se este ganhar, n'é?". Aí ia dando o fanico ao homem! Certamente pensando no gabinetezinho na Rua das Portas de Santo Antão, na avençazinha ao velho estilo SNI que metia mensalmente ao bolso, na sua linda e nova casinha ali para as bandas da Luz, pelo sim e pelo não esta flatulêntica personagem apressou-se a mandar recados e mais recados, em jeito de mão estendida, ao alvo dos seus escarros em forma de letra: "Eu não quis ofender, precipitei-me... se calhar fui mal entendido, não tenho nada contra ele, fui influenciado, digam-lhe que eu páro, nunca mais me meto com ele... e já agora se isto lhe correr bem pode contar comigo para ajudá-lo...". Desconheço se o recado chegou ao não ao destinatário, embora sabendo que para o caso tanto faria. O que sei é que, a partir daquele momento, o aldrabilhas em questão calou-se e durante meses não escreveu uma única linha menos simpática, só voltando a fazê-lo alguns anos depois, quando aquele a quem ele tanto persegue aparentemente caiu em desgraça e tornou-se no alvo preferido de todos que utilizam a pena de forma manhosa e cobarde.
Mas nos últimos meses, com a "ressureição" à vista do político em causa, com a perspectiva de poder regressar ao lugar que já tinha ocupado, o cobardolas amainou o tom, preferindo mesmo tentar escapulir-se à contenda eleitoral que se avizinhava, entretendo-se em comentar outros assuntos e temas. Até hoje, é claro... Agora que as coisas correram eleitoralmente menos bem a esse mesmo político, a alimária voltou a eructar violentamente através de um texto que certamente lhe servirá para voltar a ter (ou renovar) a avençazinha. Sim porque a casinha, essa ninguém lha tira.
Eu pela minha parte, se o vir por aí e se estiver bem-disposto sou homem para lhe dar.. uma moedinha. É p'ró copo de três! Bem bom, não é?

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Vai um pelourozinho?

VALE A PENA olhar atentamente para os resultados de Lisboa. Não tivesse existido voto útil por parte de significativas partes dos eleitorados do PCP e do Bloco de Esquerda e Pedro Santana Lopes teria conquistado a presidência da Câmara com uma vantagem de 3 mil votos. Se dúvidas existirem, basta consultar as votações para as juntas de freguesia e para o executivo municipal e atentar nos 22 mil votos "transferidos" para António Costa. Vamos ter o camarada Ruben com o pelouro da Cultura?

Sintomas

SINTOMÁTICO, PARA não dizer outra coisa o facto do PSD perder pelo menos quatro das suas tradicionais "praças-fortes" - Barcelos, Figueira da Foz, Leiria e Trofa. Há quem comece a achar que o problema não é unicamente de Manuela Ferreira Leite, mas sim do partido em si...

Sinais...

A PARTIR de hoje e após a obtenção da maioria absoluta por parte de António Costa, José Sócrates que se cuide - especialmente para quem, dentro do PS, já começou a comparar os resultados das legislativas de há 15 dias e os das autárquicas de hoje. E quem ouviu com atenção o discurso de vitória de Costa, certamente que reparou no facto deste não ter referido uma vez sequer o nome do líder socialista - isto para além de o ter feito esperar no bar da mezzanine do Altis...

From the Equator with love...

DE QUANDO em vez, de rajada e sopetão, lá surge a criaturinha das barracas, certamente de mão na anca e - sabe-se lá... - se um dia destes a calcorrear a Artilharia Um noite fora. Transborda de raiva, possui certamente um mal-disfarçado cheiro a catinga e vai vomitando uns dislates ranhosos que possuem o mérito de servir de assinatura indelével a quem nunca olhou a meios para alcançar os manhosos objectivos a que se propõe. Volte sempre!

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Se eu votasse por esse País fora...

Cascais - António Capucho, PSD/CDS
Lisboa - Pedro Santana Lopes, PSD/CDS/MPT/PPM
Oeiras - Isaltino Morais, "Oeiras mais à frente" (IND.)
Sintra - branco
Amadora - Joaquim Raposo, PS
Tomar - Pedro Marques, "Independentes por Tomar" (IND.)
Gaia - Luís Filipe Menezes, PSD/CDS
Porto - Rui Rio, PSD/CDS
Matosinhos - Narciso Miranda, "Matosinhos Sempre" (IND.)
Ourique - José Raul Santos, PSD
Faro - José Apolinário, PS
Vila Real de Santo António - Luís Gomes, PSD

domingo, 4 de Outubro de 2009

A bota que não bate com a perdigota...

JÁ PASSARAM alguns dias sobre aquela estranhísima (para não dizer outra coisa...) intervenção presidencial, o assunto estará certamente mais que "estafado", mas por muito que tente há ali qualquer coisa que eu continuo sem perceber... É que, a propósito da publicação no "Diário de Notícias" de um e-mail entre jornalistas do "Público", Cavaco SIlva afirmou: “Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?”. E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Ou seja: o que é que um "e-mail" enviado pelo editor de um jornal a um jornalista na Madeira tem a ver com os computadores do Palácio de Belém? Ou isto "traz água no bico" ou então, lá para as bandas da Presidência, a tensão por lá vivida nos últimos tempos fez sequelas...

No mínimo... estranho!

HÁ COISAS de facto muito estranhas nesta campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa. Por exemplo: porque é que nenhuma estação televisiva promove qualquer debate com os candidatos?

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Volver


"Yo adivino el parpadeo de las luces que a lo lejos,

van marcando mi retorno.

Son las mismas que alumbraron,

con sus pálidos reflejos, hondas horas de dolor.

Y aunque no quise el regreso,

siempre se vuelve al primer amor.

La quieta calle donde el eco dijo:

'Tuya es su vida, tuyo es su querer',

bajo el burlón mirar de las estrellas

que con indiferencia hoy me ven volver"


Volver, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera

A vez do tango!

A UNESCO acaba de declarar o tango como "Património Cultural e Imaterial", aceitando assim a candidatura conjunta apresentada pela Argentina e pelo Uruguay em 2008. É uma excelente notícia para todos os que, mundo fora, se deliciam a escutar e a dançar as melodias que marcaram não só uma época, mas até um modo de encarar a vida.
Mas já agora, em tempos de campanha eleitoral para Lisboa, convinha saber onde pára a idêntica candidatura do fado que foi lançada por Pedro Santana Lopes em 2005. Será que os seus sucessores na autarquia deixaram cair esta iniciativa por alguma razão pessoal, partidária ou política? Ou não a acham importante? Convinha saber...

Por cima de patada... coice!

A CADA dia mais crescente fragilização de Cavaco Silva levou a que nos últimos dias Jorge Sampaio tenha vindo a aquilatar as suas chances de poder voltar ao Palácio de Belém. Vontade não lhe falta, alguns sectores do PS (soaristas e não só) não escondem que o preferem a Alegre ou a Jaime Gama e, como quem não quer a coisa, o antigo presidente não resiste a sondar alguns amigos e empresários acerca dessa hipótese. Citando alguém: "Safa!"...

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Valha-nos isso!

A INSÓLITA e desajustada mensagem presidencial teve um mérito. O de, finalmente, após quase um quarto de século de existência, o "cavaquismo" ter-se finado! Se alguém, após a noite do último domingo, ainda tivesse dúvidas, hoje teriam ficado dissipadas. Uff!

À espera...

DEPOIS DE ter, à posteriori, ouvido a declaração presidencial a propósito do abusivamente denominado "caso das escutas" (abusivamente porque nunca se falou de escutas no "sentido telefónico do termo", passe a expressão...) e as acusações de manipulação que foram feitas a dirigentes do Partido Socialista com o propósito de condicionar o resultado eleitoral do último domingo, fico a aguardar que, coerente e logicamente, o Presidente da República se recuse a indigitar o líder do partido mais votado como primeiro-ministro...

Opção consciente!


AO QUE parece Cavaco Silva vai fazer uma declaração às oito da noite. Presumo que o tema seja as tão propaladas "escutas" que ainda ninguém percebeu se são telefónicas ou de mesa para mesa nos restaurantes da Rua da Junqueira ou nos banquetes oficiais nas visitas presidenciais. Praticamente à mesma hora, Pedro Santana Lopes e a sua "Lisboa com Sentido" vão inaugurar uma grande exposição na Praça Afonso de Albuquerque, fronteira ao Palácio de Belém. Uma mostra do muito que Lisboa vai mudar nos próximos oito anos. Entre a declaração presidencial e a exposição, decididamente opto pela segunda!

Extraordinário!

NESTE PAÍS existem cada dia mais coincidências... Então não é que dois dias depois das eleições legislativas e onde o CDS se tornou "determinante" em arranjos de maioria parlamentar, as autoridades resolveram "visitar" três escritórios de advogados da capital, ao que se sabe todos eles relacionados de algum modo com a polémica adquisição dos submarinos no "consulado" de Paulo Portas no MInistério da Defesa. No mínimo, extraordinário!

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

A preocupação mora aqui...


A FORMA como ontem à noite José Sócrates "puxou" por António Costa reflecte bem a preocupação com que os socialistas encaram a cada vez mais improvável reeleição do actual "ministro para a capital", perdão, do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É que feitas as contas dos resultados eleitorais de ontem no concelho de Lisboa, os partidos que compõem a coligação "Lisboa com Sentido" de Pedro Santana Lopes obtiveram mais 20 mil votos que o PS...

Tostões e... furados


A BOA moeda! Viu-se...

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

A política do "kleenex"

A DECISÃO de Cavaco Silva em afastar um dos seus principais colaboradores e que com ele trabalhava há quase um quarto de século só surpreenderá quem não tem acompanhado o percurso do actual Presidente da República desde que surgiu na cena política, no início dos anos 80.
Cavaco Silva sempre foi useiro e vezeiro na chamada “política do kleenex”, ou seja, no que vulgarmente se denomina por “usar e deitar fora”. Entre valores e interesses pessoais, Cavaco jamais hesitou, optando sempre pelos últimos em detrimento do que mais nobre possui a política enquanto arte - a gratidão e a solidariedade. Desde que surgiu na cena política, Cavaco nunca hesitou em “deixar cair” quem pudesse (nem que fosse ao de leve...) comprometer as suas ambições. Sucedeu, por exemplo, com ministros como Miguel Cadilhe, Jorge Braga de Macedo e até Leonor Beleza, a quem na primeira oportunidade apontou a porta de saída dos seus governos; com Fernando Nogueira, que durante mais de uma década “ofereceu o corpo às balas” como seu “número dois” e a quem desmentiu publicamente uma semana antes das eleições que opunham este a António Guterres; com Pedro Santana Lopes, a quem como artífice da sua ascensão ao poder na Figueira da Foz deve em grande parte a liderança do PSD e contra quem não hesitou em alinhar numa campanha há muito não vista no nosso País quando este ocupava o cargo de primeiro-ministro; e até mesmo com Durão Barroso a quem, em 2001 e poucas semanas antes das eleições que haviam de conduzir ao poder o actual presidente da Comissão Europeia, foi incapaz de publicamente prestar apoio.
Agora foi a vez de Fernando Lima e, por arrasto, da sua amiga Manuela Ferreira Leite que na noite do próximo domingo e a confirmarem-se as expectativas sobre o que será um discreto resultado eleitoral bem pode responsabilizar Cavaco Silva por esse mesmo score. Mais uma vez, usando de um calculismo que lhe poderá vir a sair bem mais caro do que poderá supor, o actual chefe de Estado “sacrificou” colaboradores e amigos, sempre em nome de uma estratégia e ambição pessoais que começam a ser vistas com profunda desconfiança até mesmo por quem com ele sempre esteve.
Cavaco Silva tem de entender que teve a sorte de “estar no sítio certo no momento certo”: por exemplo, quando Sá Carneiro convidou Loureiro Borges para seu ministro das Finanças e este recusou, indicando-o para o lugar; quando, na Figueira da Foz, o seu partido suspirava por alguém alguém que fosse contraponto de uma liderança débil como tinham sido as de Balsemão, Mota Pinto ou Machete; quando se apresentou ao País após três anos e meio de um “bloco central” que deixou os portugueses praticamente em depressão; quando os cofres europeus se abriram de par em par, estando ele em S.Bento. E ao mesmo tempo tem de entender, de uma vez por todas, que “estar no sítio certo no momento certo” não implica necessariamente “ficar na História”. Para isso, é necessário lutar por algo, sacrificarmo-nos, possuir e privilegiar valores – não bastando usar e abusar de um calculismo que tem tanto de frio e cínico como de serôdio e provinciano. É isso que diferencia um Cavaco Silva de um Mário Soares, de um Sá Carneiro, de um Francisco Salgado Zenha, de um Adelino Amaro da Costa ou de um Ramalho Eanes, por exemplo. É é por isso que enquanto uns possuiem dimensão e “mundo”, outros nunca deixarão de ser umas aplicadas e certinhas personagens a quem não se lhes conheceu um rasgo ou um pensamento minimanente brilhante durante toda uma vida...