COMENTÁRIOS

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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Isaltino Morais


ANTES DE mais e para que fique bem claro: não conheço Isaltino Morais. Se o vi duas ou três vezes e se com ele troquei outros tantos "bom dia" ou "boa tarde" ao longo destes últimos 20 anos foi muito. Não sou seu amigo, conhecido, ou até "colega" nalguma actividade de índole mais "espiritual". E vou mesmo mais longe: nunca foi alguém que me inspirasse grande simpatia pessoal, bem antes pelo contrário. Ponto final parágrafo.
Posto isto, assim a jeito de uma clara e inequívoca "declaração de (des)interesses", não resisto a confessar que tenho assistido, incomodado e até algo enojado, a certos "movimentos" por parte de alguns que, tendo-o servido ao longo destas quase duas décadas com desvelo e veneração, hoje apressam-se a renegá-lo e a correr para os braços  dos que, à conta de acusações já gastas e repetidas,  lhe almejam a sucessão. É triste... Triste porque, independentemente de tudo, Isaltino Morais foi um grande presidente da câmara e transformou Oeiras no que é hoje; triste porque, a serem verdade as acusações que pendem sobre o hoje detido autarca, durante anos esses rumores e boatos correram céleres e foram sempre pronta e firmemente desmentidos por uma "guarda pretoriana" que hoje, ao que me contam, entrou grande parte agora em "deserção"; e triste também porque - ou muito me engano... - ainda hei-de, daqui a uns tempos e no que concerne à sucessão de Isaltino, lembrar-me daquele sábio provérbio do  "atrás de mim virá quem de mim bom fará"... Vai uma aposta?

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Um verdadeiro "artista"...

                                                                                    Foto: Público
NÃO SEI se já repararam que, no meio de toda a polémica sobre se os presidentes de câmara podem, ou não, candidatar-se a um outro concelho ao fim de terem cumprido três mandatos, existe alguém que não abre o bico... É que enquanto o Tribunal do Porto se pronunciou, primeiro contra, depois a favor de Luís Filipe Menezes e o de Loures rejeitou a proviência cautelar interposta contra a candidatura de Fernando Costa, em Lisboa, caladinho que nem um rato e sem mexer uma palha, o alegado inteligente candidato do PSD à nossa principal autarquia prefere certamente rezar a todos os santinhos para que o tribunal lisboeta não siga o exemplo do seu congénere da Invicta e viabilize a sua candidatura... Sim, porque a última coisa que essa impagável figura do nosso universo político-futebolístico chamado Roboredo Seara pretende é ver-se metido numa alhada como a "corrida" à Câmara de Lisboa. Foi lá parar ainda ninguém sabe bem como (supõe-se que a troco de alguma coisa - estamos aqui para ver...), e o melhor que lhe pode suceder é que o "impedimento" decretado pelo Tribunal dure, pelo menos, até ao dia das eleições. Palavras para quê, é um artista português!

E depois queixem-se...



ATÉ HÁ uns minutos atrás não fazia a mínima ideia sobre o que era um tal Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo que, foi-me dado agora a saber,  graças a uma rápida pesquisa googliana, tem por missão "preconizar a difusão dos valores históricos e culturais que unem Brasil e Portugal, representando, unindo e engrandecendo nossa comunidade luso-brasileira e seu valioso movimento associativo(..). Perguntarão a que propósito vem tudo isto... Eu passo a  explicar: é que hoje, ao abrir o caderno "Ilustrada" do jornal "Folha de São Paulo", deparei, no canto superior esquerdo da sua página 8, com uma notícia que que revelava  estar o programa de televisão "CQC" na iminência de ser processado por "fazer piada de português", que é como quem diz, contar anedotas sobre portugueses. Ainda pensei que tivesse sido um pressuroso, diligente e voluntarioso membro do sempre mui activo Ministério Público brasileiro a apresentar queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, mas para minha surpresa e logo no segundo parágrafo da notícia percebi que não - a queixa tinha sido feita, nada mais nada menos, que por esse tal Conselho da Comunidade Luso-Brasileira, o CCLBESP. E então porque é que os dirigentes de tão distinto órgão se sentiram ofendidos? Segundo o jornal, "por terem recebido muitas reclamações de portugueses que vivem no Brasil e em Portugal" devido a umas graçolas e piadas que um dos integrantes do programa televisivo fez a propósito da participação portuguesa no Euro-2012! Lê-se e não se acredita. Pensa-se que a atitude do tal Conselha é  - essa sim - uma anedota. E depois ainda se queixam estes senhores, tão ciosos de difundir os valores históricos e culturais que unem os dois países (é isso, não é?) que os brasileiros "fazem piada de português"...

PS - Se os dirigentes do CCLBESP me permitem, atrevo-me a dar-lhes uma sugestão. A próxima vez que um brasileiro lhes conte uma "piada de português" perguntem-lhe se ele sabe a razão porque existem tantas "piada de português". E perante a óbvia negativa da resposta do vosso interlocutor, expliquem-lhes: "É para brasileiro entender!". É fácil, tem graça, não ofende e assim já não é preciso ir fazer queixinhas à polícia, pois não?

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Desculpe lá... o sr. deputado tem prima?


EU JÁ tinha percebido que aquela balofa criatura que responde pelo nome de Carlos Abreu Amorim - que vá lá saber-se porque artes e manhas voou há dois anos da fronteira da extrema-direita radical e caceteira para cabeça-de-lista do PSD e posteriormente para uma das vice-presidências do grupo parlamentar - não era propriamente flor que se cheirasse. Não foi pelo ar bestunto e algo azeiteiro (para usar expressões que certamente lhe serão caras...) que exibe cada vez que as câmaras o focam, não, não foi por isso. Foi mais pelo oportunismo político que tem mostrado ao longo destes últimos dois anos e que teve, até ontem, o seu ponto-alto, nas destemperadas e abjectas críticas feitas ao ministro das Finanças - tudo para, como candidato à câmara de Gaia (ao que isto chegou, meu Deus...), tentar amealhar mais uns votos por parte de quem naturalmente se sente descontente com o rumo do País. Mas isso não chegava à patética personagem que, certamente desesperado pela entrada de José Guilherme Aguiar na corrida eleitoral, precisava urgentemente de fazer alguma coisa para inverter a natural "curva descendente" da sua candidatura. E o momento foi ontem, quando o Futebol Clube do Porto se sagrou campeão nacional... Não sei se aconselhado por algum consultor mais voluntarioso, a obelixiana criatura resolveu, via twitter, "colar-se" à vitória portista e teclou: "Magrebinos: curvem-se perante a Glória do Grande Dragão!". Não contente, daí a bocadinho e porventura sabendo que a SIC-N entrevistava em directo desde a Avenida dos Aliados o seu rival Guilherme Aguiar, o cretino voltou a atacar: "Agora vou para a Baixa e para o Dragão com a canalha (já habituada) celebrar mais um campeonato! Thank You, Jesus!!!". Vale a pena dizer (mais) alguma coisa? Vale. Perguntar ao deputado Amorim se ele tem prima... Estamos entendidos?

PS - Já agora, para que conste e para quem não saiba: não sou benfiquista e, apesar de ser de Cascais, não sou magrebino. Magrebina será porventura a mãezinha do sr. deputado, vá lá saber-se...

Uma conversa que é um recado...

ENTREI NO restaurante e logo pela pinta de quem me recebeu percebi que era português. A inversa também deve ter sido verdadeira porque foi a primeira vez, nas centenas de vezes que me sentei a uma mesa de um restaurante no Brasil, que não me trouxeram primeiro a carta de vinhos que a ementa propriamente dita. Escusado será dizer que não demorou a troca de perguntas, do tipo "então o meu amigo é de onde?", "está aqui há muito tempo?" e o invariável "... e está-se a dar bem?". E então é assim: o "meu amigo" é de Lisboa, alfacinha de gema, lagarto até mais não e, como se não chegasse, dono, até uns meses, de um restaurante ali para os lados das Avenidas Novas. E funcionava bem? "Muito bem. Fazia cento e tal almoços a 7 euros e meio o menu, dava para o gasto...". E então? "Então, o senhorio achou que, lá por eu ter a casa cheia todos os dias, podia-me aumentar a renda de mil e 750 para 4 mil euros...". Pois... "Sabe que mais? Passei a casa, recebi a massa, metade, porque o resto já não deu para receber porque os gajos faliram e, olhe, vim para cá!". E agora? "Agora? Estou aqui a trabalhar, ganho o suficiente, a minha mulher está aí a chegar e seja o que Deus quiser..." E o senhorio? "Esse coitado, de tanto querer com nada ficou. Ninguém pegou na casa, está de portas fechadas vai para três meses!" Não resisti e lá lancei a pergunta da praxe ao homem. A resposta veio pronta: "Saudades? Tenho e muitas! Mas não dá, amigo. Sabe qual é o problema? Pedem-nos para apertar o cinto, mas não nos dizem até quando. E assim não dá mesmo. Se me dissessem, estilo olha é até Março de 2017 ou Outubro de 2018, tudo bem, a malta aguentava. Mas não nos passam cartão, tratam-nos como se não existíssemos...". Pois é, amigo Mário, pois é!

Domingo, 19 de Maio de 2013

Não há passarinho que lhe valha...


POR MUITO controverso que pudesse ser, Hugo Chávez tinha a chamada "noção dos limites" - isto para além de uma legitimidade de uma margem suficiente de votos em eleições cuja transparência nunca foi claramente posta em causa. O mesmo não se pode dizer do seu sucessor Nicolás Maduro, um sujeito que representa o protótipo do político latino-americano boçal e arrogante e que ao não esconder as suas aspirações e tiques ditatoriais está lenta e firmemente a "cavar a sua própria sepultura" e também, claro, a do chavismo de que se auto-nomeou príncipe-herdeiro. A Maduro falta-lhe tanto a noção dos limites, como a do ridículo: já conversou em público com um passarinho que encarnava, segundo ele, o seu antecessor e pai espiritual; já mandou o seu ministro do Comércio à televisão anunciar a importação de 50 milhões de rolos de papel higiénico (!); e - não tão caricato quanto isso, bem antes pelo contrário... - apareceu em público garantindo ter supostamente identificado ("com bilhete de identidade e tudo") os 900 mil simpatizantes de Hugo Chávez que nas últimas eleições não terão votado nele e contribuído assim para que a margem que o separou do seu adversário Henrique Capriles não chegasse aos 1,5 por cento. Na prática, Maduro não só veio implicitamente confirmar o que a oposição há semanas clama (a "chapelada" eleitoral) como vem, ao melhor jeito de um qualquer general Alcazar, ameaçar todos quantos - e agora também na área política do chavismo - não lhe confiaram o seu voto. É fácil adivinhar, mais dia menos dia, o destino (triste) de Maduro...

E que tal sair da hemeroteca?!

PARECE TER causado grande frisson o artigo que fez capa da revista do "Expresso" desta semana e onde são revisitados cerca de 800 textos de Paulo Portas enquanto  director do semanário "O Independente". Por muito estranho que possa parecer a quem faz o favor de seguir este blogue e conhece a minha opinião sobre o actual "número três" do governo, pouco ou nada me interessa o que há vinte e tal anos o jovem Portas pensava e escrevia sobre o poder, a política e os seus actores. Em primeiro lugar, porque me lembro perfeitamente dos ditos escritos; em segundo, porque admito que, em certos assuntos e em relação a certas pessoas, a criatura em causa possa ter mudado de opinião; e em terceiro e último lugar porque acho o artigo do semanário que já foi da Duque de Palmela como um exemplo claro e indesmentível do que é o chamado "jornalismo preguiçoso" e como este substituiu o trabalhoso, difícil e complexo jornalismo de investigação que em Portugal já produziu peças notáveis - não tantas como nos quiseram fazer crer, mas ainda assim algumas... 
Em vez de me recordarem as "velhas" opiniões do nosso ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o actual Presidente da República (que ele na altura, pelos vistos, achava "merecer um estalo") e seu cônjuge ou, por exemplo, até sobre o  dr.  Barroso, eutinha preferido mil vezes que o "Expresso" me tivesse explicado timportimtim coisas muito mais sombrias e aparentemente mais complexas do percurso político-profissional do dr. Portas e até coisas se calhar bem mais simples, como por exemplo  as razões que o levavam naquele época do apogeu cavaquista e que ele tanto abominava a poupar alguns dos seus próceres, caso por exemplo do dr. Dias Loureiro, o tal que era "o ministro mais desperdiçado" dos governos de Cavaco Silva. Tinha sido bem mais interessante. Mas também mais difícil, eu sei - não bastava ter passado uns dias na Hemeroteca...

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Uma saída para Paulo Portas by Ricardo Alves Gomes

ACERCA DA patética (para não lhe chamar outra coisa...) declaração de Paulo Portas em que este garantiu ser "politicamente incompatível" com a denominada TSU dos pensionistas e "só ter uma palavra", o sempre certeiro Ricardo Alves Gomes, através do seu blogue www.ricardoalvesgomes.blogspot.com, é extremamente claro na conclusão que tira e que aqui, com a devida vénia, se reproduz: "Depois desta última declaração, 'politicamente incompatível... uma só palavra' (sic), resta a Paulo Portas a saída do CDS/PP do Governo, mantendo-se a Coligação no quadro parlamentar. A bancada centrista passaria a suportar o Executivo, em nome da estabilidade, agora negociando avulso as medidas e diplomas mais sensíveis. Resta saber se Portas será consequente. E se Passos Coelho aguenta o balanço". Aliás, diga-se de passagem, não seria nada novo para o CDS que, em 1978, assinou com o Partido de Socialista então liderado por Mário Soares um chamado "acordo de incidência parlamentar" e em que, a título individual, "permitia"  militantes seus participarem no elenco governativo - casos de Vítor Sá Machado os Negócios Estrangeiros, Basílio Horta no Comércio e Turismo e, salvo erro, Rui Pena na Reforma Administrativa...

Mais um bocadinho e vamos vê-los a todos de braço estendido...

EU AINDA sou dos que acreditam na chamada "arte da política" e que existe quem a encare e exerça com sentido de responsabilidade e para encontrar o que, cada um, julga ser o melhor para a sociedade que o rodeia e onde está integrado. Não sou daqueles para quem os políticos são todos uns "malandros" ou que a política não possa de um "meio" ou um "fim" para quem quer um "tacho" e coisas do género.
Por isso causa-me alguma irritação ver, surgidos do nada, sabe-se lá investidos em que legitimidade, um sem-número de criaturas que pregam a ética, a moral, quais profetas do bem e que se julgam donos e senhores da verdade e da razão. Falo por exemplo de movimentos anódinos e que só possuem algum relevo porque existe quem, porventura à falta de melhor, lhes dá algum espaço nos media e também, muitas vezes, porque os seus membros se prestam a fazer o papel de "idiotas úteis" a alguns políticos que preferem o recato dos seus gabinetes a virem dar a cara.  Como esse tal movimento "Revolução Branca" formado ainda ninguém percebeu para "revolucionar" o quê e a quem escutei ainda há pouco na RTP, pela boca de um dos seus membros-fundadores,  um amontoado de lugares comuns, daquela típica conversa de paragem de autocarro que não leva a lado nenhum e só contribui para acentuar o descrédito pela democracia e seus valores. A certa altura da entrevista, a criatura (de quem não retive a graça) disparava assim: "Eu até acredito que existem políticos honestos. Só não sei é onde é que eles andam...". Daí a começarem a andar de braço estendido e a fazer romagens a Santa Comba Dão é só um passo, acreditem...

P.S. - DIga-se já agora que há quem, no seio da própria política, ajude a este estado de coisas... Como por exemplo esse tal Paulo Morais que, desde o Porto, não há dia que não surja a terreiro, qual acusador-mor, a apontar o dedo a tudo e a todos - também ele investido numa legitimidade que só o próprio conhece e sabe de onde vem. É daquelas pessoas que quando lhe perguntam a profissão, em vez de economista, advogado, professor ou outra coisa qualquer, deve certamente responder com um rotundo a até ameaçador "moralizador" ou coisa do género! Agora que a invocação do divino está tão na moda, só me resta desabafar: valha-nos Santa Maria...

Homessa, dr. Capucho...

ANTÓNIO CAPUCHO (por quem, como já aqui escrevi, tenho profunda estima e a quem Cascais muito deve, realçe-se) que me desculpe, mas esta sua decisão de encabeçar uma lista à Assembleia Municipal de Sintra não lembra nem ao careca. E não é por ser numa candidatura concorrente à do PSD, longe disso. O antigo presidente da Câmara de Cascais até podia ser candidato nas listas do seu próprio partido no concelho vizinho, que para mim ia dar ao mesmo. Ou seja, falando claro: a bota não bate (mesmo) com a perdigota. Ao fim de doze anos como presidente em Cascais, candidata-se agora à Assembleia Municipal em Sintra?! Sinceramente não entendo, por muito que tente não consigo perceber. Ainda por cima vindo de alguém que sempre pautou a sua carreira política por uma postura eticamente irrepreensível e pouco dada a estes "números" mediáticos. "Número" este que, quer ele queira quer não, retira-lhe toda e qualquer autoridade para, como ele tanto gosta, surgir publicamente como paladino de uma certa ética e moral políticas. Desculpe lá dr. Capucho, mas desta vez, não sei mesmo o que lhe diga...