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terça-feira, 24 de setembro de 2013

O farmacêutico de Cascais e a ópera-bufa


REZA A tradição e o costume que do farmacêutico João Cordeiro espera-se normalmente o pior. Rezingão, quezilento, arrogante, durante anos protagonizou e espalhou conflitos sem fim, fazendo uso e gala de um estilo trauliteiro e boçal  próprio daqueles que optam pelo confronto relativamente ao diálogo para assim esconder as suas fragilidades e a falta de razão. E este é o Cordeiro, assanhado e conflituoso, que os cascalenses sempre conheceram, lá atrás do balcão da sua farmácia, onde carrancudo e com um ar de que alguém lhe deve alguma coisa, atendia por vezes quem por lá chegava.  
Mas se esse Cordeiro-farmacêutico só incomodava com a cara de poucos-amigos quem com ele se cruzava no seu botequim, o mesmo não se pode dizer deste outro Cordeiro-candidato, que agora nos surgiu todo sorridente nos outdoors que o apresentam como bondoso, amável e - pasmem! - socialista. Exactamente, foi o que leram: so-cia-lista! Não ainda daqueles de  punho esquerdo no ar, mas já capaz de "enterrar" um (re)conhecido reaccionarismo e pavonear-se agora pelos quatros cantos desta minha terra de boné rubro, bandeira do PS na janela do carro e, ao que me dizem, um discurso de campanha todo ele repleto de preocupações éticas e sociais... Verdade seja dita que esta nova faceta de quem pôs e dispôs durante anos na Associação Nacional de Farmácias e que em matéria de relacionamento com o PS possui um "cadastro" significativamente extenso, tem-me dado algum gozo, sendo raro o dia em que não provoco amigavelmente alguns dos meus muitos amigos socialistas ao questioná-los sobre esse seu novo "camarada" e a sua desastrada e pouco ou nada participada campanha. 
(E já agora, que estou a falar da campanha de Cordeiro, permita-se-me um parentêse: é que se pouco me importa que António José Seguro tenha meia-dúzia de almas penadas quando se arrisca a vir (nem que seja por uns míseros 20 minutos) a Cascais tentar puxar por um candidato cuja responsabilidade de escolha lhe cabe por inteiro, o mesmo não posso dizer da forma desrespeitosa e até insultuosa como envolveram um generoso e prestável Ramalho Eanes numa candidatura que não passa de uma farsa e onde o general foi "obrigado" a participar em penosos eventos onde não conseguem juntar nem uma dúzia de pessoas. Mas isso pouco ou nada interessa a alguém que durante décadas, à frente de uma associação empresarial, atropelou tudo e todos, fazendo tábua rasa de valores e cruzando bastas vezes o que é tido como fronteira da ética e do razoável.) 
Por não pertencer ao Partido Socialista, não quero estar aqui bater muito na tecla da falta de respeito pela história do partido que a escolha (ou imposição) de  Cordeiro por parte de  Seguro representou, nem tão-pouco abordar os estranhos, ínvios e mal-esclarecidos motivos (familiares ou outros, já ouvi um pouco de tudo...) que o levaram a tomar uma decisão deste "calibre". Mas por outro lado, até por uma questão de memória,  não entendo como um partido, onde personalidades como Eduardo Ferro Rodrigues, António Correia de Campos, Maldonado GonelhaAntónio Arnaut e tantos outros são militantes destacados, pode aceitar como candidato alguém que tanto mal e dano causou a esse mesmo partido.
Bom, mas adiante... 
A verdade é que para a generalidade dos cascalenses, o candidato socialista representa o oposto do que Cascais tem e precisa de continuar a ter. Tudo à sua volta cheira a velho, caduco, reaccionário, desajustado da realidade, com uma estranha carga revanchista e até um certo toque fascistóide, se atentarmos na pose e estilo de duce alardeado nos cartazes. Nestas últimas semanas, Cascais assistiu a uma deprimente e tosca ópera-bufa, cuja resposta por parte de quem tem a responsabilidade de decidir só poderá ser uma no próximo domingo: a de devolver Cordeiro à sua farmácia. Veremos então se mantém o sorriso e a amabilidade surpreendente com que nos brindou nas últimas semanas...

4 comentários:

Anónimo disse...

Permita-me uma emenda: "uma parentêse",não. Trata-se de um substantivo masculino, portanto "um"; e "parêntese", já que se trata de uma palavra esdrúxula, ou seja, com acento tónico na penúltima sílaba.
Também existe a forma alatinada "parêntesis", igualmente no masculino.

Jorge Diniz disse...

É verdade que este é o "tipo" de que ninguém gosta. Ninguém é uma "metáfora", obviamente, conquanto mais de 70% do povo português "gosta". Se assim não fosse, explique-me como, inter alia, alguém como Isaltino, Valentim, Felgueiras, Sócrates e Passos Coelho ganham eleições! Não foi a enganar? Evidentemente que também os ligados a pcp e be "bebem" do mesmo elixir.
O "problema" não está neles. Está na "bebida" (muitos anos a...):

miguel vaz serra disse...

Amigo ZPF
Portimão é o caso mais escandaloso de como o povo é burro de pai e mãe.
Escândalo trás escândalo, o PS está há décadas no poder, tem o Vice-Presidente detido por corrupção,o tal que comeu o papel que o incriminava, e mesmo assim a candidata que se presenta agora, Isilda Gomes, diz que "não gostaria de falar sobre o caso de Luís Carito". Ela que fez parte do elenco durante anos e saiu segundo dizem há uns tempos para fingir que não tinha nada de comum com os outros.
Pois parece que as sondagens lhe dão a vitória...
Ou seja que o povo é corrupto, gosta de corruptos e vota nos corruptos.
Não haveria outra explicação.....mas para mim há.
A oposição é sempre tão má e incompetente que não sabe ganhar eleições.

Pedro Polónio disse...

os eleitores de cascais não gostaram mesmo do sr. farmácia... mesmo na freguesia de s. domingos de rana, onde o ps ganhou as eleições para a junta de freguesia, o sr farmácia conseguiu ter menos votos que o candidato do psd.