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sexta-feira, 27 de junho de 2014

A importância de Soares e o dilema de Seguro


A ARRUAÇA em que se tornou a luta pelo poder no Partido Socialista dificilmente terá outro desfecho que não a cisão, especialmente se António José Seguro levar a melhor nesta guerra fraticida que se instalou no seio dos socialistas. E para isso é só Mário Soares querer ou, trocando por miúdos, aquele que é ainda hoje a principal referência dos socialistas afirmar publicamente a sua intenção em demitir-se do partido que fundou.  Um cenário não tão inadmissível quanto possa parecer à primeira vista, especialmente para quem, como Soares, escolheu claramente a forma combativa como quer "marcar" os últimos anos da sua vida política.
E esse é um dos grandes problemas (ou dilemas, como quiserem) com que Seguro se defronta neste momento: pode ganhar o partido numa noite e, no dia seguinte quando acordar, esse mesmo partido pode estar reduzido a metade...

5 comentários:

Joaquim Amado Lopes disse...

Mero bluff.
Uma cisão do PS em dois equivaleria a abdicar de disputar a luta pelo Governo, a menos que uma das partes colocásse a possibilidade de se aliar ao PSD (ou PSD/CDS) no caso de vitória deste sem maioria de deputados. Mas isso significaria necessariamente abdicar da chefia do Governo.

A arruaça dentro do PS é por tachos e por poder vir a controlar o Estado (e o dinheiro que houver para distribuir pelos "amigos"). Se Mário Soares levar o bluff até ao fim (e no estado em que se encontra pode muito bem fazê-lo), os outros farão contas ao de que estariam a abdicar e rapidamente o deixarão a falar sózinho.
É que mesmo que António José Seguro leve a melhor agora, pode-se sempre voltar a colocá-lo em causa passados uns meses. Mas levaria muitíssimo mais tempo a voltar de uma cisão do partido.

António Cunha disse...

Meu caro José Paulo Fafe; lamento (sinceramente, acredite) ter de reconhecer que a sua análise é certeira e plena é a razão do vaticínio. A luta política, o confronto de opiniões, a firmeza posta por cada um na defesa daquilo em que cada um acredita, não tem mal nenhum, evidentemente. Nunca teve nem alguma vez terá. Mas o crescente azedume da discussão entre socialistas (tantas vezes de tão baixo nível) e o também crescente extremar de posições faz de facto prever o pior. Vejo, oiço e leio (todos os dias) a forma como sólidos amigos socialistas de há poucos dias passaram, de um momento para o outro, a trocar a disputa das ideias por ofensas e ataques pessoais que não fazem o menor sentido. E o resultado pode ser um desastre. Oxalá você, por esta vez, não tenha razão. Abraço, caro amigo.

Anónimo disse...

O 'criador' nunca faria isso à sua 'obra'.

Até porque isso equivaleria a um lavar de roupa suja 'eterno'.

O Rui Mateus não pode ser desenterrado.

Miguel Vaz Serra disse...

Essa alegria eu nunca vou ver,amigo Zé Paulo.
Mário Soares não desfaz camas...faz é a cama dos que se metem à sua frente.
Sempre foi assim.
Seguro está tramado.
Não acredito que ganhe.
Mário Soares já não tem força,mas o tipo da Covilhã tem poder.
Foram muitos anos a expandir os tentáculos por zonas muito escuras....e o escuro tem sempre muito poder.Mais que as cozinheiras do avental!!!
Como é estúpido,muito pouco inteligente e a esperteza (e não só),é bem saloia, não vê que escolheu o alvo errado.
Costa quando se apanhar no poder,tira o tapete a Sócrates em 3 segundos pois esse de parvo não tem nada e sabe que o tempo da corrupção descarada acabou (enquanto não há dinheiro,claro...)

Miguel Vaz Serra disse...

Já agora deixo aqui parte de algo muito interessante e a ler por inteiro.
“Sejamos sérios, o actual governo de maioria PSD/CDS é um mau governo, que não sabe ou não quer evitar mais sacrifícios aos portugueses, mas não foi este Governo que preparou o terreno para os cortes salariais, para as privatizações feitas sem critério e para o descrédito das instituições. Fomos nós socialistas que o fizemos e quanto mais rapidamente o compreendermos melhor será para o PS e para Portugal. Inversamente, fazer voltar ao poder político os mesmos que no PS conduziram Portugal para o desastre, é um crime contra a Nação Portuguesa e um ultraje aos princípios e valores do Partido Socialista.” http://observador.pt/2014/06/25/manifesto-de-apoio-seguro-para-travar-o-ps-que-conduziu-o-pais-ao-desastre/