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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cadê o "bacalhau à Dilma"?


ACHO QUE foi Mário Wilson que há uns anos disse qualquer coisa acerca da facilidade em passar-se de "bestial a besta"... Lembrei-me do "velho capitão" há uns dias no Porto, quando me sentei à mesa do "Cafeína" e me aprestava a pedir o famoso "bacalhau à Dilma", assim baptizado em honra da presidente brasileira Dilma Rousseff que, há três anos anos e durante uma breve escala técnica naquela cidade, escolheu aquele que é sem dúvida um dos melhores restaurantes da Invicta como poiso para almoçar. Mirei e remirei a lista e do "bacalhau à Dilma" nada, tinha eclipsado-se: "Estranho, ainda há um mês atrás encabeçava os pratos de peixe...", pensei com os meus botões. Perguntei ao empregado que me atendia sobre o "paradeiro" do prato. A resposta veio pronta: "Está aí, é o bacalhau gratinado com 'ailoi', miga de grelo e radicchio". Então e o nome, perguntei? O empregado baixou ligeiramente o tom de voz: "Tínhamos muitos clientes brasileiros que protestavam...". Pois é, como dizem do lado de lá do Atlântico... "dançou"!

O "vale tudo" de Paulo Portas

A ANUNCIADA auditoria mandada executar pelo ministro Pedro Mota Soares à Santa Casa da Misericórdia num momento em que os candidatos presidenciais começam a colocar-se na grelha de partida e quando Pedro Santana Lopes aprestava-se a ocupar o seu lugar só surpreende quem não conhece Paulo Portas. Ao longo da sua vida, Portas dedicou-se a tentar enlamear a vida de quem o rodeia, sempre em nome de uma lógica de conquista de poder e em ver-se livre de quem possa atrapalhar os seus planos - foi assim no "Independente" onde acumulou "vítimas", foi assim no CDS (quem não se lembra das traições que foi alvo Manuel Monteiro, só para citar um nome?) foi assim nas  trapalhadas menos claras em que se viu envolvido nos últimos anos, desde o "caso Moderna" até este intricado e polémico "folhetim" dos submarinos.
Para Portas, cujas ambições presidenciais são a médio-prazo, Santana Lopes é um alvo a abater - teme-o, sabe-o capaz de ocupar o seu espaço político e é urgente detê-lo. Esta não e a primeira vez que Portas traiu Santana. Fê-lo enquanto director do "Independente", fê-lo enquanto seu ministro e parceiro de coligação no XVI Governo Constitucional (e até com Jorge Sampaio e José Sócrates...)  fê-lo quando, há três anos e meio, tentou impedir a sua ida para a Santa Casa da Misericórdia. Este é o verdadeiro Portas, o Portas das intrigas, das maledicências, das sacanices, o Portas das manhas e do "vale tudo" - no fundo é o Portas que ao longo da vida não hesitou em desferir facadas nas costas de quem finge abraçar. Este é o Portas que, ao mesmo tempo que fingia estar com Santana, se encontrava às escondidas com Sampaio ou Sócrates; este é o Portas que piscou o olho a António Guterres; este é o Portas que ao mesmo tempo que estende a mão a Pedro Passos Coelho manda recados a António Costa; e este é o Portas que ao longo da vida sacrificou amigos em nome de uma ambição sem limites.  No fundo este é o Portas em que é impossível confiar, que não hesita em apunhalar pelas costas quem se colocar à sua frente...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O meu amigo Alexandre Pais


HÁ PESSOAS que têm o "hábito" de ter razão antes do tempo. O meu amigo Alexandre Pais, um dos mais sólidos, sérios e brilhantes jornalistas que conheci ao longo dos meus mais de 20 anos de profissão, é desse tipo de pessoas. Durante anos, "entreteve-se" (e este "entreteve-se" é obviamente uma figura de estilo…) a imaginar e lançar projectos jornalísticos que, podendo não dar certo naquele momento, era certo e sabido que anos mais tarde o tempo iria provar da sua razão. Foi assim com o “Off Side”, porventura o primeiro jornal desportivo que abordou o futebol com outro olhar e linguagem; com a “Élan”, uma revista masculina que foi uma autêntica pedrada no charco naqueles anos ainda acinzentados; com a “Tomorrow”, que não só pelo formato, esta nova revista do “Expresso” me fez de algum modo recordar; pela “Teenager”, a primeira revista virada para os adolescentes e que foi pioneira no sector; e com a “Dona”, a primeira rival da “Nova Gente” e percursora desta verdadeira enxurrada de publicações dedicadas ao chamado beautiful people.
Como eu escrevi um pouco acima, o Alexandre é um dos mais sólidos, sérios e brilhantes jornalistas que conheci  – pena foi que só tenha trabalhado com ele nos meus últimos anos como jornalista… Quando o conheci, a mesquinhez de quem decidia tinha feito com que o tivessem “encostado” num (passe a expressão…) canto da redacção do “Tal&Qual”, onde aguardavam que o Alexandre, mais dia menos dia e cansado de algumas desconsiderações, batesse a porta e os poupasse à óbvia indeminização. Pediram-me na altura: “Faz-lhe a vida negra para ver se ele se vai embora, ele é muito caro…”.
Não fiz, bem antes pelo contrário – não descansei enquanto não encontrei uma “fórmula” que permitiu ao Alexandre ter a importância e o destaque que ele merecia na estrutura de qualquer jornal. Sem exagero, ao longo daqueles dois anos, o Alexandre foi o verdadeiro “pilar” do “Tal&Qual”, contribuindo com as suas experiência e notável sabedoria para, muitas vezes, dar alguma consistência a um jornalismo que tinha uma óbvia tendência para “pisar o risco”. E apesar de um ou outro “torcer de nariz” por parte de alguns mais susceptíveis, não havia texto que não passasse pelo seu exigente crivo, até para ele dar-lhe o seu indispensável “jeitinho” e uniformizar a escrita do “T&Q” – a começar pelos meus. Bons tempos esses… E depois também, note-se, existia o “outro” Alexandre Pais, o Alexandre fora do jornalismo - e esse era também era um Alexandre confiável, sereno, leal, discreto, alguém feito de uma “massa” que hoje não é muito vulgar encontrarmos.
Um dia, no Verão do último ano dos anos 90, resolvi deixar o jornalismo. O Alexandre, claro, ficou. E nem imaginam o gozo que me deu, poucos meses mais tarde,  a vê-lo, primeiro, à frente do “Tal&Qual”; depois a protagonizar o grande arranque do “24 Horas”; e finalmente a tomar conta do “Record”…
Não sei porque raio me deu para escrever sobre o Alexandre Pais, se calhar foi por lê-lo hoje de manhã na “Sábado”, onde escreve semanalmente uma página que é a primeira que eu procuro quando folheio a revista – talvez, não sei… O que sei, isso sim, é que as poucas saudades que tenho do jornalismo são as muitas saudades que tenho, tantas vezes, dele. Grande abraço, careca!