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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O advogado, as fontes e as "manchetes"...

EU PERCEBO que o advogado de José Sócrates suba as paredes todos dos dias em que o "Correio da Manhã" dedica uma manchete ao seu cliente. Aquilo incomoda? Ah, incomoda - claro que incomoda! Aquilo prejudica a estratégia da defesa? Claro que sim, que prejudica! Mas isso é uma coisa - a de incomodar, de perturbar, de fazer mossa. Outra coisa é vir contra-atacar acusando o jornal de pagar as notícias que publica... Até porque João Araújo sabe bem (e há muitos anos...) como funcionam estas coisas das fontes, nomeadamente entre advogados, juízes e jornais. Foi assim que muitos jornais publicaram, durante anos, algumas "cachas" como, por exemplo, o "Expresso", quando nos anos 80 publicou alguns documentos que foram determinantes para a condenação de Otelo Saraiva de Carvalho no âmbito do processo das "FP-25". E que eu saiba, ninguém pagou nada a ninguém...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

João Araújo: a irresistível queda para a graçola fácil...



GARANTO QUE só à terceira ou quarta vez é que acreditei naquilo que estava a ouvir... Pode parecer muito estranho, mas não consigo achar normal que o advogado de José Sócrates (e duvido que o próprio antigo primeiro-ministro também ache...), por muito blagueur ou por muita graça que se ache a si próprio, possa afirmar alto e bom som o que ontem afirmou, numa entrevista à RTP-I, sobre o seu próprio cliente... Pergunta o jornalista a propósito das razões poderiam ter motivado Sócrates a confiar-lhe a sua defesa: "(...)os senhores já eram amigos?". Responde João Araújo"Era e sou amigo dele, não há muito tempo tratei-lhe de uns assuntos familiares, simples, à minha medida e como estava mais à mão, o homem escolheu-me para tratar disto(...)". O jornalista insiste: "Mas já tinha uma relação com o engenheiro José Socrates?". Entre risadas, o advogado esclarece: "Sim, uma relação de amizade, de pequena amizade, não é daqueles amigos a quem eu empresto dinheiro...". Desculpe, importa-se de repetir?!

Profissão? "Personalidade"...


A ARQUITECTA Helena Roseta de vez em quando resolve fazer prova de vida e, ao jeito daquela imaginária prima do Solnado que gostava de "dizer coisas", não resiste em sair-se com uns lugares comuns, daqueles que ficam "bem", que não adiantam nem atrasam, mas que lhe dão uns efémeros segundos de rádio no noticiário das 16 ou das 4 da manhã ou duas mal-amanhadas linhas numa notícia de pé de página feita em cima de um take da Lusa. Então se lhe põem um abaixo-assinado à frente, é certo e sabido que a D. Helena não hesita e, pouco se importando com o tema, rapa da caneta e, zás!, toca a assinar... É sobre a TAP? Venha ele! Sobre a supressão da carreira 32? Força! Sobre o atraso nas obras de alargamento da estrada municipal nãoseideonde? Porque não? Sobre as raposas de cauda roxa às bolinhas amarelas? Leva à Roseta, que ela assina! De tanto assinar, a D. Helena até já deve ter um calo no indicar direito e certamente já trocou formalmente a sua profissão de arquitecta pela de "personalidade", que é um termo com que os nossos jornalistas gostam muito de baptizar as habituais luminárias que, a propósito de tudo e de nada, gostam de fingir que têm opinião sobre tudo e mais alguma coisa, estilo Freitas do Amaral e Bagão Felix, ou agora  também Carvalho da Silva que, perdida a liderança da CGTP, mantém a cabeça à tona de água muito à custa dumas imaginárias "causas comuns".
Na prática, D. Helena e todos esses "profissionais dos abaixo-assinados" descobriram a pouco pouco que a única maneira de resistirem ao sentimento de "marimbanço" que a opinião pública lhes dedica é atrelarem-se a alguns que, pelo seu peso político e intelectual, vale a pena escutar, independentemente de estarmos, ou não, de acordo com o que defendem. Concorde-se ou não, as opiniões de, por exemplo, um Francisco Louçã, de um Silva Lopes ou de um Pacheco Pereira contam, é gente que sabe do que fala, que não se refugia em lugares comuns e que pensa pela sua própria cabeça. Por outras palavras: mas interessa a alguém saber o que a D. Helena pensa sobre isto ou aquilo?! Ou alguém acredita que o seu nome (ou de qualquer outra dessas "personalidades") acrescentam o quer que seja a algum abaixo-assinado, carta aberta ou manifesto?!