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sábado, 24 de janeiro de 2015

O deputado e os "legos"

HÁ DIAS vi na televisão um deputado do PCP puxar de uns "legos" e prestar um inestimável serviço à democracia. Isso mesmo, leram bem: puxar de umas peças de "lego", colocá-las em cima da mesa e prestar um inestimável serviço à democracia! Paulo Sá podia ter tomado a palavra e contestado, com  recurso a números, léxico "economês" e lugares comuns próprios de quem faz política, o alívio de carga fiscal de que a ministra das Finanças se ufanava na comissão parlamentar. Mas não, o deputado comunista deu um exemplo notável de como se deve fazer política hoje em dia, quando todos estão cansados desses mesmos números, desse léxico insuportável e dos lugares comuns próprios de quem se leva excessivamente a sério. Como? Puxando pelos "lego" e mostrando por "a mais bê" que afinal a carga fiscal não vai diminuir tanto assim durante este ano. Simples, eficaz, para que todos percebessem e acompanhassem um raciocínio que podia ser chato e sem "tradução" possível. Foi tudo o contrário, foi uma verdadeira aula de comunicação política, a do deputado comunista!

Uma "trovoada" chamada Miguel Galvão Teles


CONHECIA HÁ muitos anos o Miguel Galvão Teles. Pese a diferença de idade, que era alguma, tratávamos-nos por tu e embora apenas nos víssemos de quando em quando, mantínhamos uma relação que se pode dizer de amizade, forjada nalgumas "cumplicidades" políticas dos anos 80. A última vez que estivemos juntos foi na "Versailles", já a saúde do Miguel não estava "famosa". Ontem, num dos muitos elogios fúnebres que lhe foram dedicados (já não sei feito por quem, peço desculpa...) vi que referiam a sua "trovoada de inteligência e humor". Era isso mesmo, o Miguel era "uma trovoada"!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Dupond et Dupont, por Luis Menezes Leitão

UMA INTERESSANTE análise sobre a estratégia de António Costa, assinada hoje no jornal "i" por Luís Menezes Leitão. A ler, ou melhor, a não perder:
"É manifesto que António Costa pretende constituir um governo de bloco central com um PSD liderado por Rui Rio, o que lhe daria sempre a maioria absoluta, por muito maus que fossem os resultados eleitorais dos dois partidos. A contrapartida poderia ser o apoio do PS à candidatura presidencial de Rio, agora que estão frustradas as ambições de Sócrates, logo que se saiba que Guterres não avança e que Vitorino nunca deixará de ser a D. Constança. 
Até lá Costa continuará a namorar partidos e candidatos de esquerda folclórica para compor o ramalhete, mas no fim será com Rio que combinará o seu governo. 
Esta estratégia pressupõe, porém, duas coisas: que Costa ganhe as eleições no país e que Rio ganhe a seguir as eleições no PSD. E as últimas sondagens demonstram que qualquer destes pressupostos está muito longe de estar garantido. Mas como não se deve deixar que a realidade estrague uma boa ideia, Costa e Rio já apareceram alinhados a ressuscitar o cadáver político da regionalização. Pareciam Dupond e Dupont. Costa disse que o país precisava da regionalização e Rio disse mais, que a regionalização era o abanão de que o país precisava. 
Mas a verdade é que o país precisa tanto de se regionalizar como um peixe precisa de uma bicicleta. E de abanões como o que sofremos em 2011 já está o país farto. Os portugueses precisam que os impostos sejam reduzidos e não que se criem estruturas inúteis para albergar políticos. Estes dois podem andar juntos, mas duvido que cheguem a algum lado".