QUANDO, HÁ uns anos, bateu à porta do então presidente Lula para apresentar a sua demissão como ministra do Ambiente do governo do PT, Marina Silva não arranjou melhor justificação que confessar ao seu líder: "Lula, eu falei com Deus e ele disse-me que este era o momento para sair…". Apanhado de surpresa com o motivo apresentado pela sua ministra, Lula apenas conseguiu pedir-lhe um tempo até arranjar um substituto. Os meses foram passando e Marina continuou no cargo. Daí a uns tempos voltou à carga. Mas Lula já estava "vacinado" para esses argumentos "divinos" e disparou: "Marina, vais ter de aguentar. Sonhei com Deus e Ele disse-me que ainda não é o momento de saíres"… E Marina aguentou mesmo - mais um ano na pasta. Lembrei-me desta história deliciosa agora que a até ontem candidata presidencial levou um "banho" nas urnas, não conseguindo passar à segunda volta das presidenciais brasileiras. Será que, vinte e quatro horas depois do desaire, Marina ainda estará a pedir contas a Deus pela derrota que sofreu? Ou será que acha que tudo não passou de "um castigo divino" e deixou-se conversas?
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
terça-feira, 7 de outubro de 2014
sábado, 27 de setembro de 2014
Obviamente... António Costa!
NOS TEMPOS em que a minha "costela soarista" se sobrepunha a qualquer outra, andei pelo Partido Socialista - estamos a falar na década de 70, em pleno PREC e ainda nos tempos dos primeiros governos constitucionais, era Mário Soares primeiro-ministro. Talvez esse meu "passado" contribua para que hoje, não sendo militante ou sequer simpatizante socialista, não consiga deixar de acompanhar com grande preocupação o que se passa naquele partido desde há uns meses a esta parte e em que uma guerra pelo poder entre António José Seguro e António Costa atingiu níveis inimagináveis. Isso - por esse meu "passado"... - e também porque também sou dos que crê convictamente que um Partido Socialista forte é crucial para o regime e "estanca" o crescimento à esquerda (pelo menos aparentemente…) de alternativas folclóricas, inconsequentes e quase sempre criadas à volta de figuras supostamente messiânicas e de existência fugaz.
Conheço os dois Antónios, o segundo bastante melhor que o primeiro - o que me permite até, convenhamos, logicamente conhecer-lhe mais defeitos a ele que ao actual líder. Politicamente considero Seguro mais fraco que Costa - o que também, convenhamos, e dadas as minhas afinidades partidárias (se é que ainda as tenho…), levar-me-ia a preferi-lo ao actual autarca de Lisboa - mais estruturado, sólido e actuante, enfim mais capaz de se afirmar como alternativa ao actual governo.
Mas apesar disso, mesmo estando eu claramente do outro lado da "barricada", confesso que estou a torcer para que amanhã António Costa vença as primárias socialistas que, mais que um candidato a primeiro-ministro, definirão quem liderará o partido nos próximos anos. Por uma única e simples razão: quero um Partido Socialista forte, o que só ocorrerá com a vitória de Costa. Se porventura Seguro ganhasse as eleições de amanhã, as feridas seriam tão profundas entre os socialistas que a cisão seria inevitável e, mais tarde ou mais cedo, o PS diluir-se-ia e se enfranqueceria, concedendo assim a aventureiros e oportunistas um espaço que eu prefiro ver ocupado por quem e como esteve até agora.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Joaquim Barbosa, o verdadeiro "entretainer"
NÃO É só em Portugal que essa coisa de ser "ex qualquer coisa" é rentável - no Brasil também dá um jeitão. Que o diga o impoluto e intocável Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal que, durante o já célebre julgamento do "mensalão", encantou um certo Brasil com uma pose de justiceiro e de paradigma da ética que chegou a render-lhe até (pasme-se!) o estatuto de "presidenciável"… Agora, aposentado e liberto da presidência da principal corte brasileira, Barbosa não arranjou melhor ocupação que a de dar conferências por esse Brasil fora. E a sua primeira aparição nessa sua nóvel ocupação vai ser já na próxima segunda-feira, nada mais nada menos que chamado "congresso dos shoppings"… Por esse andar, ainda o vamos ver a animar convívios e saraus de empresas em resorts à beira-mar. Já faltou mais...
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