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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ao que isto chegou!


A PROPÓSITO de um post no blog do embaixador Francisco Seixas da Costa que teve o condão de me chamar a atenção para uma chamada de capa do jornal "i" ("Ex-colega do avô de Vítor Gaspar esteve na manif da UGT") tive o privilégio de receber um mail de alguém de quem não tinha notícias há muito tempo - do Tó, aquele que é filho da prima do tio-avô da mãe da mulher do nosso ministro das Finanças:
 "(...)A minha mãe, a Adozinda, está desolada. Prima do tio-avô da mãe da mulher de Vítor Gaspar tinha combinado com a Efigénia, a prima-direita do tio do pai do ministro das Finanças que se iam encontrar na manif de ontem e no fim de contas desencontraram-se... "Que ferro!", como diria o Eça, esse escritor favorito da mãe da  cunhada de Vítor Gaspar e cujo avô, o Alberto, até foi seu contemporâneo nas lides diplomáticas - enquanto José Maria servia em Havana, ele andava por terras gaulesas, salvo erro em Lyon. Bom, mas voltando ao encontro falhado da minha mãe com a Efigénia... Esta ficou tão contente com a perspectiva de voltar a ver a sua amiga que dois dias antes até avisou a sua antiga colega de escola, a tagarela da Maria Cristina, do que ia acontecer. E a Maria Cristina que até tinha trabalhado nas Águas da Covilhã com o pai do sobrinho-neto da prima-direita do tio por afinidade do Vítor Gaspar chegou a dizer-lhe que se chegasse a tempo de uma ida a Manteigas onde foi visitar a mãe - que conheceu muito bem aquela senhora que chegou a namorar com o cunhado da tia da mãe da mulher do ministro - que iria ter com elas! Mas a minha mãe esqueceu-se de dizer à Efigénia que a manifestação dela era a da UGT. Resultado? Por muito que tivesse procurado a amiga, não a conseguiu achar na Avenida da Liberdade, porque a outra tinha rumado à festa da CGTP, lá para os lados da Alameda. O que lhe valeu foi ter encontrado o João Biscaia, lembram-se? Aquele foi colega do avô do Vítor Gaspar na fábrica lá em Manteigas! Estiveram á palheta durante toda a manifestação, até ter chegado uma senhora jornalista que interrompeu a conversa deles e pôs-se na conversa com ele(...)"

Um romance actual


LÊ-SE BEM e com gosto. "Enquanto Lisboa Arde, o Rio de Janeiro Pega Fogo" é um livro onde Hugo Gonçalves consegue criar e contar um personagem moderno, actual, real e que é certamente um misto dos muitos  que, na casa dos vinte e tantos ou trinta anos, cruzaram o Atlântico e assentaram arraiais à procura daquilo que deixaram ou nunca tiveram em Portugal. Escrito num português propositadamente influenciado por subtis e oportunos  brasileirismos que só o enriquecem, é um livro que surpreende e cativa quem, tantas vezes ao correr das páginas, sente que também conhece a Margot, a Marília, o Felipe, o Ricky, o Carlos pai da Benedita, a Kay, Mounsieur Dordogne e também o Lázaro ou o Pedro Cabral. E a quem já sentiu aquela brisa ou vento únicos que sentimos em cima de uma bicicleta à volta da Lagoa, antes de enfiarmos pela Maria Quitéria em direcção ao Bartodomeu. Vale a pena. Mesmo!

Nicolás Maduro: um exemplo de contrafacção


OU MUITO me engano ou o truculento Nicolás Maduro não conseguirá cumprir o seu duvidoso mandato presidencial até ao fim na Venezuela. Uma coisa era Hugo Chávez e o seu estilo que, apesar de polémico, era suportado por um carisma e uma legitimidade que uma suficiente margem percentual de votos lhe conferia. Outra coisa é gerir um legado e uma herança política sem tacto e assentando na arrogância gratuita, por cima de toda a folha e recorrendo à violência de forma inconcebível como ocorreu ontem no parlamento em Caracas. Enquanto Chávez era "fino que nem uma águia" e possuía um instinto político que o seu percurso de altos e baixos lhe tinha conferido, Maduro é definitivamente alguém grosseiro e lerdo. Em vez de gerir a sua débil e duvidosa vitória eleitoral com "pinças" e tanto interna e externamente encontrar plataformas de algums consenso, o sucessor de Chávez resolveu pôr em prática uma política que só levará a extremar ainda mais o cenário político venezuelano e reforçar a lógica vitimização daqueles que se lhe opõem. O que, mais tarde ou mais cedo, o conduzirá inevitavelmente a uma saída sem glória e pela porta dos fundos do Palácio de Miraflores. Sem ficar na História, claro, e como um vulgar candidato a ditadorzeco latino-americano...