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sábado, 6 de abril de 2013

Um Peneda armado em Monti...


NOS ÚLTIMOS dias, num crescendo que roça as fronteiras do ridículo e de um provincianismo a toda a prova, um deslumbrado José Silva Peneda não consegue disfarçar a sua ambição de vir a breve trecho transformar-se na versão lusitana de "Mario Monti", chefiando um hipotético governo de iniciativa presidencial, por convite do seu amigo Cavaco Silva, à semelhança do que ocorreu há uns meses atrás em Itália.  Há um microfone estendido? É certo e sabido que o dr. Peneda está lá por perto e danado para botar faladura... Acenderam-se os holofotes e as câmeras estão a postos? Pronto, lá vem logo célere e presuroso o dr. Peneda mostrar o facies, qual emplastro televisivo... Algum jornalista está dificuldade de encher uma página? É discar o número lá da Maia, que o "sô dotôr" dá logo uma entrevista, por telefone e tudo... Não há microfone, as câmeras estão desligadas e o telefone não toca? Não faz mal, o dr. Peneda rapa da caneta e toca a escrever uma carta (e logo aberta!) ao ministro das Finanças alemão - não se sabe é se a missiva foi em português ou no idioma de Goethe... Não chega? Monte-se a tenda, soltem-se os palhaços, os cãezinhos a dar voltas à arena em duas patas, os leões a rugir, que se for preciso o dr. Peneda até se transforma em em trapezista, daqueles sem rede e tudo. E o perigo é exactamente esse, o dr. Peneda - tal o afã - dar um trambolhão e voltar à Maia de monco caído e com o rabinho entre as pernas. Acontece...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Alguém se acusa?



TELEFONEMA AMIGO de alguém sempre muito atento ao que por aí se vai escrevendo, chamou-me a atenção para um texto intitulado "Ética Republicana" publicado no blogue “Blasfémias” da autoria de alguém que assina regular e singelamente como Rui A.. Dificil ser mais conciso, directo e certeiro: 
Relvas caiu. Ao que se sabe, a sua demissão foi provocada pelo conhecido episódio da sua licenciatura. O país político rejubila de gozo. Outros, que também ocupam lugares de relevo político e sobre quem eventualmente recaem situações similares ou bem mais graves, mantêm-se nos seus lugares, impávidos e serenos. A morte política de Miguel Relvas era, há muito, um facto consumado. Faltava escolher o dia e a hora. Resta dizer que a sua demissão resulta de um inquérito feito por um ministério do governo de que fazia parte, de que foi directamente responsável um ministro seu colega. Não tenho memória de um precedente parecido em Portugal. Pelo contrário, lembro-me muito bem de casos abafados, jornalistas ameaçados, poderes públicos pressionados por causa de escândalos bem mais graves do que este. Teria sido fácil, dentro do governo, esconder esta situação e compor um arranjo que permitisse a Miguel Relvas ficar no seu lugar ou sair dele de forma mais airosa. Era isso, de resto, que toda a oposição e a maioria dos comentadores anunciava que iria acontecer. Mas, desta vez, não foi assim. E, por isso, independentemente de quaisquer outras leituras políticas, é mais do que justo reconhecer que o governo de Passos Coelho deu um exemplo ao país. Um exemplo da tal “ética republicana” com que muitos enchem a boca, mas raramente praticam”.
Na mouche!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Miguel Relvas


A PROPÓSITO da saída do governo de Miguel Relvas e tentando ver as "coisas" com alguma distância: Relvas cometeu erros? Cometeu. Podia tê-los evitado? Alguns, certamente podia. Devia ter saído do governo antes? Com os dados que são do conhecimento público, repito, com os dados que são do conhecimento público, tudo indica que sim. Mas já agora: no meio de tanta "festança" e júbilo (muitas vezes desmedido...) que a sua demissão provocou por aí fora, alguém já se lembrou que o governo perdeu possivelmente um dos poucos ministros que "pensa" de facto política? Serão certamente quatro perguntas (e respostas) "politicamente incorrectas", mas eu não me sentiria bem se não as fizesse.
'Tá dito!