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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ainda a polémica entre José Diogo Quintela e Miguel Sousa Tavares...


A PROPÓSITO do post aqui publicado no domingo passado e intitulado "José Diogo Quintela vs. Miguel Sousa Tavares: o início de uma polémica", o meu amigo e antigo colega de lides jornalísticas Jorge Lemos Peixoto achou por bem enviar um comentário que recordava a fugaz passagem de Miguel Sousa Tavares pela direcção da revista "Sábado" nos idos de 90 e que, a propósito do artigo de Quintela, criticava as então opções editoriais do hoje colunista do "Expresso". Escreveu Jorge Peixoto: 

"As virgens ofendidas e os zelotes da pureza têm sempre alguma coisa a esconder por debaixo os ares indignados. De MST esta atitude só pode surpreender quem não o conhece bem. Eu, por exemplo, recordo-me de uma capa da extinta Revista Sábado, quando ele foi director dessa publicação com uma imagem do Camel Trophy. (...) Sucede que nessa semana tinha ocorrido um desastre ecológico na Madeira (derrame de crude nas costas do aquipélago) e a Sábado mesmo tendo enviado um jornalista optou pelo Trophy onde o director participara e remeteu a que seria a reportagem da semana para as páginas interiores".

Poucas horas depois,no dia 1 de Abril,  um "anónimo" que no entanto assinava como "o próprio" - pelo que presumo, repito, presumo tratar-se do próprio Sousa Tavares, enviou uma resposta que se transcreve: 

"Comentários, não faço. É só para desmentir que a Sábado, sob direcção de Miguel Sousa Tavares, alguma vez tenha feito uma capa com o Camel Trophy ou que o seu director de então alguma vez tenha participado no dito Camel Trophy. Foi aliás, por resistir a pressões publicitárias que foi despedido ao fim de seis meses de direcção".

Hoje, há algumas horas atrás, Jorge Peixoto, "contra-atacou" e num mail enviado, acompanhado de algumas imagens (entre as quais a capa da revista "Sábado" de 3 de Fevereiro de 1990 que se reproduz abaixo), desmente o antigo director da revista, começando mesmo por citá-lo no artigo que originou a capa desse número:





" '
Camel- É o cigarro do aventureiro e a melhor publicidade jamais feita sob o   tema da 'aventura'. Serviu também para baptizar uma prova emblemática: o Camel Trophy.'


Miguel Sousa Tavares (o próprio)
in revista "Sábado" 3.02.1990

Comentários para quê?
Só para refrescar a memória do “próprio” no que respeita à capa da Sábado; na edição de 3 de Fevereiro de 1990 o que aparece é exactamente um jepp, Land Rover, com publicidade do Camel Trophy isto a propósito de uma reportagem sobre raides de aventura onde são descritas as viagens organizadas por empresas especializadas neste tipo de empreendimentos. Talvez Miguel Sousa Tavares (o próprio) enquanto director daquela publicação não tenha conseguido desencantar nenhum assunto mais interessante para trazer à capa da revista, até porque outro acontecimento relacionado com um desastre ecológico de grandes dimensões mereceu apenas um chamada na capa da Sábado, embora a revista tenha enviado ao arquipélago uma equipa de reportagem.
Provavelmente para não incomodar os leitores da Sábado, MST (o próprio) achou que um derrame de 25 mil toneladas de crude provocada pelo petroleiro espanhol Aragon que provocou uma maré negra da ilha de Porto Santo fosse um assunto que mereceria menos destaque que as aventuras de jeep. Critérios!"

Quem diria que vinte e três anos depois, um artigo de um "gato fedorento" viria "desenterrar" e alimentar uma polémica à volta de jeeps, expedições, derramamentos de crudes e opções editoriais...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Zorô...



HÁ QUASE três anos, durante a campanha vitoriosa para o governo do estado de Tocantins, tive oportunidade de conhecer e trabalhar com Zoroastro Sant’Anna, grande figura e homem de vasto currículo em tudo o que tivesse a ver com televisão. Entendi-me às mil maravilhas com o “Zorô” e, a partir de aí, acho que ficámos amigos. Soube há bocadinho que o nosso Zorô foi-se... Ontem. De repente. Assim, sem que ninguém estivesse à espera. Que merda! Putz...

P.S.E Zorô não esqueça… dê um abraço nosso em Lampião, viu?!

José Diogo Quintela vs. Miguel Sousa Tavares: o início de uma polémica?





A  CRÓNICA  de José Diogo Quintela no "Público" de hoje intitulada "O que vale é que os compadres nunca se zangam" e em que Miguel Sousa Tavares é zurzido, sem dó nem piedade, e acusado de furtar-se nos seus escritos e intervenções semanais a comentar tudo o que se relacione com o grupo Espírito Santo dada a relação familiar que alegadamente, através da sua filha, possuirá com Ricardo Salgado, é de uma violência brutal e prenuncia uma polémica que, ou muito me engano, ainda irá fazer correr muita tinta. Atente-se na "brutalidade" do texto e no que coloca em causa:

"Fim de Março, época do IRS. Enquanto nas casas da maioria dos portugueses se procuram facturas para apresentar, na de Ricardo Salgado esconde-se o camembert. Para que o banqueiro não se esqueça de declarar tudo o que ganhou. Como no ano passado, em que olvidou 8,5 milhões de euros.
Duvido de que este ano Ricardo Salgado se esqueça de declarar um boião de brilhantina que seja. Ainda deve estar a tremer com o que foi dito nos jornais. Principalmente com o que escreveu Miguel Sousa Tavares no Expresso. Eis um resumo do que M.S.T. teve a dizer sobre a tentativa de fuga ao fisco:
Logo na semana em que foi noticiada a amnésia fiscal, M.S.T. não hesitou e escreveu sobre esse tema prenhe de actualidade que é o acordo ortográfico.
Não satisfeito com isso, na semana seguinte, zás!, falou sobre o excitante e nada programado regresso de Portugal aos mercados.
Na terceira semana, com toda a gente impaciente para ler o que tinha a dizer sobre a falta de memória do CEO do BES, a original crónica de M.S.T. teve ainda mais impacto. Foi sobre o (também muito pertinente) descarrilamento (sic) de um camião de porcos na A1.
Também não falou de Salgado na quarta semana. Nem na quinta. Nem na sexta. Ou na sétima. Nem há duas semanas. Nem na semana passada.
Como o leitor deve imaginar, Ricardo Salgado não dorme há dois meses. Tem terror do que M.S.T. irá dizer quando finalmente resolver falar. É que, para estar há tanto tempo calado, M.S.T. só pode andar a investigar, fundamentando bem a bordoada que irá aplicar no traseiro capitalista. Cada semana que passa mudo, é mais balanço que dá à perna alçada. O suspense é terrível.
O silêncio a que se remete enquanto pesquisa não é de agora. Também não disse nada sobre o papel do BES na operação Monte Branco ou na privatização da EDP. Aliás, ao consultar o livro A História não Acaba Assim, que reúne os chamados "escritos políticos" de M.S.T. entre 2005 e 2012, também não se encontra nada sobre Ricardo Salgado e o BES. Ou seja, há pelo menos oito anos que o mais influente comentador português, principal colunista do principal semanário português, com uma página inteirinha só para si, consegue nunca escrever sobre aquele que é considerado o homem mais poderoso de Portugal. O esforço que não deve ser guardar a informação compilada para só usar quando for mesmo preciso? É um monumento à contenção.
M.S.T. é um gavião, de olho acutilante para tudo o que sejam trambiquices de banqueiros. Já vituperou Jardim Gonçalves, amesquinhou João Rendeiro, mandou bocas acintosas a Fernando Ulrich, denunciou as negociatas da CGD no BCP, insultou Oliveira e Costa e o BPN, fustigou o Banif, descompôs Vítor Constâncio, censurou Carlos Costa e enxovalhou o Banco de Portugal em geral. Imagine-se o que não terá para dizer de Salgado. Estou ansioso para que esse topa-Shylocks aldrabões se decida por fim a dar uma lição ao prestamista amnésico. O dia em que M.S.T. finalmente falar sobre Ricardo Salgado vai ser histórico.
Ou, então, como a sua filha é casada com o filho de Ricardo Salgado, M.S.T. vai permanecer caladinho. Mas, como é seu timbre, esse silêncio será corajoso e totalmente livre e independente."
Quem conhece Sousa Tavares, aposta que a esta hora ele já estará em frente à televisão a (re)ver os últimos sketchs dos "Gatos Fedorentos", tentando encontrar alguma referência a Manuel Dias Loureiro e ao BPN no programas de Ricardo Araújo Pereira&Cia. É que (pelo menos entre Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2012)  Quintela foi sócio do antigo "homem-forte" do BPN na "Bakers Capital", a SGPS que detinha um terço da "Padaria Portuguesa", a rede de lojas de que Quintela é, como dizem os brasileiros, "garoto propaganda" e um dos principais proprietários. Aguarda-se (pois) a réplica... Virá?