A MORTE de Hugo Chávez transformou (ainda mais) o futuro da Venezuela numa incógnita. O seu desaparecimento físico não significa necessariamente que o país virará à direita, até porque a verdade é que ao longo dos últimos anos Chávez conseguiu triunfar em todos os pleitos eleitorais em que participou e sem que tenham existido acusações sustentadas e significativas de fraude. O grande "segredo" estará numa simples pergunta: como é que vivem hoje, depois dos governos chavistas, os venezuelanos mais pobres? Melhor ou pior? Era essa a pergunta que me fazia ontem à noite um amigo e a resposta será certamente a "chave" da solução do que irá suceder na Venezuela nos próximos tempos...
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
quarta-feira, 6 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Uma história sobre o "biógrafo"...
A PROPÓSITO do livro "Mário Soares, uma vida" que, ou muito me engano, ainda vai fazer correr muita tinta, não resisto a lembrar uma história (a dois tempos) vivida com o agora "biógrafo" e então jornalista Joaquim Vieira, que ajuda a perceber alguns traços do seu carácter...
*
Corria, salvo erro, o final da
década de 80. Eu trabalhava na Radiogeste e foi ali, nas Amoreiras, que fui
procurado por um velho conhecido – o Manolo. Há anos que não o via. Antigo
motorista e segurança de Mário Soares até princípios dos anos 80, este
corpulento filho de um galego de uma aldeia de Puenteareas e que há muito tinha
assentado arraiais no centro da Amadora, queria falar comigo em particular.
Sentámo-nos no único gabinete que existia na sede da estação e Manolo foi
directo ao assunto que o trazia: andava “enrascado de massas” e há dois ou três
dias atrás tinha ido falar com o Rui Mateus a pedir emprego. E então? “Contratou-me para seguir um jornalista que
anda a investigar a Emaudio”, revelou-me. Quem? “O Joaquim Vieira, o do ‘Expresso’
– tens de ajudar-me!”. Confesso que
fiquei sem saber o que dizer, era só o que me faltava agora andar a dar
informações sobre alguém que ainda por cima que tinha sido meu colega uns anos
antes e, já agora (!), a uma espécie de “espião” ao serviço de um “clã” pelo
qual eu não morria propriamente de amores. Chutei mais ou menos para canto,
transmiti ao meu amigo Manolo umas “preciosíssimas” informações sobre Joaquim
Vieira que mais não eram que meras banalidades tipo “o gajo é de Leiria” ou “antes
do 25 de Abril, baldou-se para Paris” – tudo para entretê-lo e tentar
perceber até que ponto ia o “cerco”, a mando de Rui Mateus, ao então jornalista
do “Expresso”. Despedimo-nos, comigo a prometer-lhe que se soubesse alguma “coisa interessante” lhe diria.
Escusado será dizer que a primeira coisa que
fiz quando vi a porta do elevador da Torre 2(?) das Amoreiras fechar-se e levar
o Manolo por ali abaixo foi precipitar-me para o telefone e ligar para o
Joaquim Vieira e marcar um encontro “no
Xenu daqui a meia-hora...” e onde o alertei para tudo o que se estava a
passar, contando-lhe timtimportimtim a minha conversa com Manolo e levando-o a tomar as precauções necessárias. Recordo-me tanto do ar extremamente assustado de Vieira, bem como dos insistentes agradecimentos que me fez pelo alerta
que lhe tinha levado.
Cinco ou seis anos mais tarde, se não estou
enganado em 1995, tive a oportunidade de dirigir e produzir um documentário
sobre Cuba. Antes de iniciar as filmagens, estabeleci um compromisso com a RTP,
então dirigida pelo Adriano Cerqueira, em que a estação pública teria a
prioridade no visionamento do documentário quando este estivesse finalizado e
consequentemente a sua opção de compra. Ao regressar de Cuba, alguns meses mais
tarde e já com António Guterres no poder, encontrei a RTP com nova direcção – o
tempo era agora dos “Joaquins”, o Furtado e o Vieira. Apesar disso, para mim o
compromisso de dar prioridade à televisão pública mantinha-se. Obviamente.
Liguei para a 5 de Outubro, identifiquei-me junto da secretária que me atendeu,
pedi para falar com Joaquim Vieira e ao fim de um ou dois minutos de espera, a
senhora em causa voltou à linha: “O sr.
Joaquim Vieira manda perguntar qual é o assunto...”. Não quis acreditar: “Desculpe...”. E a funcionária repetiu:
“O sr. Joaquim Vieira manda perguntar
qual é o assunto...”. Demorei alguns segundos a responder, mas respondi: “Minha senhora... o assunto era um, mas
agora passou a ser outro. Peço-lhe imensa desculpa, mas agradecia-lhe que transmitisse
da minha parte ao sr. Joaquim Vieira para ir à merda”.
Nunca mais esqueci esta(s) história(s). Nem nunca mais falei a esse sujeito...
segunda-feira, 4 de março de 2013
"O banqueiro indignado" by José Ferreira Fernandes

“Os reformados já tinham uma
organização, APRE! (Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados), e
amanhã será fundada outra, o MRI. Eu teria preferido CHIÇA!, uma interjeição
ainda mais dura, embora admita que fosse difícil encontrar uma palavra com a
letra inicial Ç. Mas o momento é de abandonar as interjeições e ir pela
explicação por extenso do estado de alma dos associados: MRI quer dizer
Movimento dos Reformados Indignados. Ora este MRI - não é de mais repeti-lo:
Movimento dos Reformados Indignados - vai ser presidido por Filipe Pinhal,
ex-presidente de banco (BCP) e atual beneficiário de uma reforma de 70 mil
euros mensais. É um pouco como se a Diana Chaves se tornasse tesoureira da
Associação das Feias de Portugal. Ao "ai aguenta, aguenta!" de um
banqueiro, ontem, responde, amanhã, um ex-banqueiro que não aguenta. Pôr um
ex-presidente de banco que ainda há meses foi condenado a pagar multas de 800
mil euros por deslizes financeiros a liderar pensionistas que tiveram cortes
nas reformas de 1350 euros é contradição das boas, capaz de gerar unidade
nacional. Estamos todos no mesmo barco da indignação: do banqueiro ao
cabouqueiro. Que este, por razões egoístas e prosaicas - ganha pouco - se
indigne, não merece duas linhas de crónica. Admirável é o outro, que apesar de
ter um milhão por ano de reforma ainda se indigna. O único contra que vejo é
irrelevante: faz-me desconfiar de tanta unanimidade”.
in DN, 4.03.2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)

