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domingo, 3 de março de 2013

Outros tempos e... outra gente



DEZ ANOS separam estas fotografias. 
A primeira data de 1976, aquando da primeira campanha presidencial de Ramalho Eanes e regista o momento em que, em Évora e durante incidentes que colocaram em confronto apoiantes da sua candidatura com os da candidatura adversária do comunista Octávio Pato, aquele que viria a ser o primeiro Presidente da República eleito do pós-25 de Abril resolveu subir para o tecto do carro que o transportava, apesar dos tiros que eram disparados.
A segunda, obtida a 15 de Janeiro de 1986 na Marinha Grande, retrata a "emboscada" que foi vítima Mário Soares na campanha eleitoral da segunda volta das presidenciais daquele ano e quando o então ainda candidato a Belém foi agredido por um grupo de populares ligados ao Partido Comunista e forçado a refugiar-se nas instalações da fábrica Stephens.
No fundo, apenas dois exemplos da nossa história recente e onde ficam patentes outros tantos gestos de coragem física por parte de dois antigos chefes de Estado e que podiam servir de exemplo a quem, 27 anos depois, ocupa o cadeirão presidencial e só a muito custo põe o pé fora do palácio de Belém...

Mário Soares e Angola: uma lição de como se faz política...


AO INESPERADAMENTE "piscar o olho" às autoridades angolanas e oferecer-se para "desenvolver esforços" no sentido de desanuviar a tensão actualmente existente nas relações entre Portugal e Angola, Mário Soares deu uma magistral lição de como se faz política e como se ocupa um "espaço" que estava vazio e que o actual Presidente da República não soube (ou não quis) preencher. 
Não é segredo para ninguém que Soares é, desde há muito, persona non grata do regime angolano e "alvo" por diversas vezes da ira dos diligentes editorialistas do "Jornal de Angola" que nunca deixaram passar em branco as críticas que publicamente o antigo Presidente fez ao governo angolano e a algumas das suas "particularidades". Mas isso não impediu que agora, aos 88 anos e recém-saído de um internamento hospitalar, com um sentido de oportunidade próprio de quem sabe o que é a política e a sua arte, Soares deitasse para detrás das costas, zangas, amuos e ressentimentos e surgisse como potencial mediador de um conflito que, mais do que "parte", o nosso País é "palco". 
Uma lição para um Cavaco Silva cada vez mais ausente e confinado a um palácio de Belém que se assemelha assim a uma espécie de Castel Gandolfo em versão lusitana e também para quem, investido agora em funções de responsabilidade política em Lisboa e que, por muitos diligente e solícito que se mostre para o governo de Luanda, não deixa de ser visto e na prática tratado, pelas próprias autoridades angolanas, como seu mandarete de ocasião - quanto mais não seja pela estranha celeridade com que deixou de considerar Angola como "um regime corrupto e criminoso" para lhe prestar agora uma vassalagem desajustada e contraproducente. 

sábado, 2 de março de 2013

O matreco

DE VEZ em quando calha-me apanhar trechos das intervenções televisivas de Luís Marques Mendes enquanto comentador político. E como tenho alguma memória, fico a maior parte das vezes estupefacto com o descaramento (sim, descaramento - não encontro outra expressão...) com que este "Marcelo Rebelo de Sousa dos pequeninos" fala de cátedra e com uma pretensa autoridade moral (vá lá saber-se ganha onde e à conta de quê...) sobre o País e o partido a que pertence, como se  nada tivesse tido a ver com o que quer que seja. No mínimo extraordinário, para quem nunca fez outra coisa na vida senão exercer cargos políticos, tendo sido membro do governo durante onze, repito, onze anos e líder do PSD num "consulado" de triste e má memória que ficou marcado por  perseguições e purgas internas dignas do mais estalinista dos estalinistas e penosos episódios como a "entrega" da câmara de Lisboa ao PS ou a assinatura do famigerado pacto de justiça.