DE VEZ em quando calha-me apanhar trechos das intervenções televisivas de Luís Marques Mendes enquanto comentador político. E como tenho alguma memória, fico a maior parte das vezes estupefacto com o descaramento (sim, descaramento - não encontro outra expressão...) com que este "Marcelo Rebelo de Sousa dos pequeninos" fala de cátedra e com uma pretensa autoridade moral (vá lá saber-se ganha onde e à conta de quê...) sobre o País e o partido a que pertence, como se nada tivesse tido a ver com o que quer que seja. No mínimo extraordinário, para quem nunca fez outra coisa na vida senão exercer cargos políticos, tendo sido membro do governo durante onze, repito, onze anos e líder do PSD num "consulado" de triste e má memória que ficou marcado por perseguições e purgas internas dignas do mais estalinista dos estalinistas e penosos episódios como a "entrega" da câmara de Lisboa ao PS ou a assinatura do famigerado pacto de justiça.
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
sábado, 2 de março de 2013
Diz-me quem te sucede, dir-te-ei o que vales...
A IMPORTÂNCIA do cargo de alto comissário para a Aliança das Civilizações que alguém arranjou para Jorge Sampaio quando este saiu de Belém mede-se pelo "peso" do seu sucessor, agora anunciado - um obscuro e desconhecido ex-embaixador do Qatar nas Nações Unidas. Para quem alguém alguma tivesse tido dúvidas sobre a insignificância do lugar que Sampaio, este facto fala por si só...
sexta-feira, 1 de março de 2013
Durão vs. Guterres
AS RECENTES declarações de José Manuel Durão Barroso e em que o antigo chefe
de governo atribui a "opções económicas falhadas" a crise económica que Portugal
atravessa são de uma desfaçatez a toda a prova, especialmente por parte de quem
chefiou o executivo durante mais de dois anos (2002-2004) e possui óbvias
e naturais "culpas no cartório" na actual situação. Mas Durão,
"cego" no seu afã de vir a suceder a Ban Ki Moon à frente da
ONU, resolveu agora, com ridículos e despropositados tiques professorais,
tentar agradar aos seus amigos alemães e de uma forma vergonhosa atrever-se a
dar lições e alijar as responsabilidades que naturalmente também lhe
cabem eque númereos e estatísticas comprovam à saciedade. Diga-se em abono da
verdade que bem melhor esteve o seu antecessor António Guterres que, ainda há poucas
semanas, teve a humildade de publicamente, através da RTP, em assumir a sua
quota-parte de responsabilidades na crise que Portugal atravessa: "Todos aqueles que
exerceram funções em Portugal têm uma responsabilidade no facto de nós, até
hoje, ainda não termos sido capazes de ultrapassar esses défices tradicionais,
essa incapacidade tradicional para competir em plano de verdadeira igualdade
com os nossos parceiros, nomeadamente no quadro europeu", afirmou Guterres,
tendo então ainda oportunidade para reconhecer que "ainda não fomos capazes -
e eu próprio porventura também o não fui - de re-situar o país por forma a
pudermos garantir aos nossos cidadãos melhores níveis de emprego e de bem-estar".
Durão e Guterres têm
muito em comum: ambos foram primeiros-ministros; os dois viraram costas ao País
quando perceberam que a situação era bem mais complicada que supunham; hoje um
está em Bruxelas como presidente da Comissão Europeia e outro em Nova York como
Alto-Comissário da ONU para os Refugiados; se os portugueses tiverem memória
curta qualquer um deles poderá vir a ser potencial candidato a Belém; e são
dois dos nomes que mais se perfilam para secretário-geral da ONU, se a escolha
recair desta feita num europeu, algo que não acontece desde que o austríaco
Kurt Waldheim ocupou o cargo (1972-1981).
A
diferença entre ambos ficou agora bem patente - enquanto um (Durão) não olha a
meios para alcançar os seus objectivos e não hesita em tentar fazer de todos
nós tolos, o outro (Guterres), tem a destreza e a argúcia de saber como
(re)conquistar a simpatia e o afecto que um dia o conduziram a S. Bento. Essa é
a diferença entre quem nunca conseguiu ver-se livre do dogma que o formou e
moldou na juventude e quem sempre soube perceber que o tempo e uma aparente
humildade apagam até as prestações mais penosas que se possam ter tido e
protagonizado...
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