A IMPORTÂNCIA do cargo de alto comissário para a Aliança das Civilizações que alguém arranjou para Jorge Sampaio quando este saiu de Belém mede-se pelo "peso" do seu sucessor, agora anunciado - um obscuro e desconhecido ex-embaixador do Qatar nas Nações Unidas. Para quem alguém alguma tivesse tido dúvidas sobre a insignificância do lugar que Sampaio, este facto fala por si só...
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
sábado, 2 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
Durão vs. Guterres
AS RECENTES declarações de José Manuel Durão Barroso e em que o antigo chefe
de governo atribui a "opções económicas falhadas" a crise económica que Portugal
atravessa são de uma desfaçatez a toda a prova, especialmente por parte de quem
chefiou o executivo durante mais de dois anos (2002-2004) e possui óbvias
e naturais "culpas no cartório" na actual situação. Mas Durão,
"cego" no seu afã de vir a suceder a Ban Ki Moon à frente da
ONU, resolveu agora, com ridículos e despropositados tiques professorais,
tentar agradar aos seus amigos alemães e de uma forma vergonhosa atrever-se a
dar lições e alijar as responsabilidades que naturalmente também lhe
cabem eque númereos e estatísticas comprovam à saciedade. Diga-se em abono da
verdade que bem melhor esteve o seu antecessor António Guterres que, ainda há poucas
semanas, teve a humildade de publicamente, através da RTP, em assumir a sua
quota-parte de responsabilidades na crise que Portugal atravessa: "Todos aqueles que
exerceram funções em Portugal têm uma responsabilidade no facto de nós, até
hoje, ainda não termos sido capazes de ultrapassar esses défices tradicionais,
essa incapacidade tradicional para competir em plano de verdadeira igualdade
com os nossos parceiros, nomeadamente no quadro europeu", afirmou Guterres,
tendo então ainda oportunidade para reconhecer que "ainda não fomos capazes -
e eu próprio porventura também o não fui - de re-situar o país por forma a
pudermos garantir aos nossos cidadãos melhores níveis de emprego e de bem-estar".
Durão e Guterres têm
muito em comum: ambos foram primeiros-ministros; os dois viraram costas ao País
quando perceberam que a situação era bem mais complicada que supunham; hoje um
está em Bruxelas como presidente da Comissão Europeia e outro em Nova York como
Alto-Comissário da ONU para os Refugiados; se os portugueses tiverem memória
curta qualquer um deles poderá vir a ser potencial candidato a Belém; e são
dois dos nomes que mais se perfilam para secretário-geral da ONU, se a escolha
recair desta feita num europeu, algo que não acontece desde que o austríaco
Kurt Waldheim ocupou o cargo (1972-1981).
A
diferença entre ambos ficou agora bem patente - enquanto um (Durão) não olha a
meios para alcançar os seus objectivos e não hesita em tentar fazer de todos
nós tolos, o outro (Guterres), tem a destreza e a argúcia de saber como
(re)conquistar a simpatia e o afecto que um dia o conduziram a S. Bento. Essa é
a diferença entre quem nunca conseguiu ver-se livre do dogma que o formou e
moldou na juventude e quem sempre soube perceber que o tempo e uma aparente
humildade apagam até as prestações mais penosas que se possam ter tido e
protagonizado...
Coragem, precisa-se...
NÃO SEI bem porquê, mas depois de constatar que hoje, mais uma vez, o Presidente da República optou por fazer substituir-se num evento para o qual estava convidado por uma gravação vídeo(!), dei por mim a "vasculhar" a agenda de Cavaco Silva nas últimas semanas, mais concretamente as suas aparições públicas... E tirando a presença no quadragésimo aniversário do semanário "Expresso" no dia 7 de Janeiro; a tradicional cerimónia de cumprimentos do Corpo Diplomático que teve lugar no Palácio de Queluz no dia 15 de Janeiro; e a chamada "abertura do ano judicial" que ocorreu no Supremo Tribunal de Justiça no penúltimo dia do mês passado (e onde entrou autenticamente "cercado" por seis agentes do corpo e segurança pessoal da PSP!), constatei que este ano foram estas as únicas três vezes que Cavaco se atreveu a pôr o pé fora do "eixo Travessa do Possolo-Palácio de Belém". Uma constatação que revela bem de que "massa" é feita esta criatura, cujas provas de falta de coragem são sobejamente conhecidas e datam - pelo menos... - dos tempos em que nos anos setenta, ainda professor no ISE e diante de uma contestação (ordeira, diga-se de passagem) por parte de um grupo de alunos, lhe deu um "fanico"...
Eu sei que os tempos não estão fáceis, que não falta quem "grandoleie" por tudo o que é lado e por dá cá aquela palha. Como também sei que há muita gente irritada, zangada, furiosa e a quem sabe bem soltar, à passagem de quem a seus olhos represente o poder, alguns insultos e palavrões. Mas, como diz o "outro", quem não quer ser lobo não lhe veste a pele - que é como quem diz, quem anda nestas lides da política, tem de saber lidar com os bons e... maus ventos. E aqui, por muito que custe a alguns, honra seja feita a Passos Coelho, alvo máximo da natural contestação popular e que ainda ontem, em plena Faculdade de Direito de Lisboa, cruzou impávido e dignamente os corredores perante vaias e protestos de dezenas de opositores. Teve aí a coragem que falta (de sobra) a quem, até na sua qualidade de chefe de Estado, tem a obrigação e o dever de dar o exemplo...
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