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sábado, 8 de dezembro de 2012

Em memória de Jorge Alves da Silva

COM QUINZE dias de atraso soube do desaparecimento de Jorge Alves da Silva. Quem anda há uns anos nestas coisas da política e de tudo o que a envolve, sabe bem quem foi este homem, tão difícil quanto criativo e tão genial quanto inconstante. Não tenho dúvida em afirmar que o Jorge foi porventura um dos mais talentosos homens da comunicação política no nosso País e não vai ser o facto dele ser às vezes alguém com quem não era fácil lidar que me irá fazer dizer o contrário. Algumas vezes estivemos lado a lado em certas "guerras" políticas, outras vezes optámos por "trincheiras" diferentes. Fui seu amigo, tivemos também as nossas zangas e amuos, mas sempre soube respeitar e admirar um talento que ele inegavelmente possuía e lhe conferia uma diferença muitas vezes pouco ou mal aceite entre a classe política e todos quanto andamos nestas andanças.
A última vez que estive com o Jorge foi há dois ou três anos. Falámos no bar do Ritz durante duas ou três horas. Mais tarde, ele ligou-me uma ou duas vezes para marcar um daqueles almoços que, por uma razão ou outra, nunca têm lugar. Tenho pena. Mas também - verdade seja dita - a imagem que prefiro guardar do Jorge Alves da Silva é a imagem do Jorge empenhado de corpo e alma na "gloriosa" campanha do PSD de 1991 e à qual o seu "dedo" em termos televisivos conferiu uma diferença e uma qualidade que poucas vezes se viu em Portugal.  É esse o Jorge de que eu sempre me irei lembrar, é esse o Jorge com quem eu aprendi alguma coisa.  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mário Soares



"(...) Tenha, pois, cuidado com o que lhe possa acontecer. Com o povo desesperado e, em grande parte, na miséria corre imensos riscos."

Mário Soares sobre Pedro Passos Coelho

QUER QUEIRAM quer não, Mário Soares é a principal referência do nosso regime. É indiscutivelmente um dos  (senão o principal...) "pais" desta nossa III República - obviamente com todas as responsabilidades que isso implica. Foi um corajoso resistente ao Estado Novo; soube enfrentar na rua e nos bastidores as tentações totalitárias de quem, no pós-25 de Abril, quis subverter a construção da democracia; integrou e afirmou o nosso País no espaço a que sempre pertenceu e ao qual virou costas durante décadas; liderou governos que, embora protagonizando e impondo impopulares e rigorosas mediadas de austeridade, contribuíram decisivamente para uma estabilidade económica que era essencial à consolidação do regime democrático; exerceu uma magistratura enquanto Presidente da República que, concorde-se ou não com o estilo, conferiu ao cargo um peso e uma intervenção que é fundamental na estabilidade das instituições; e, com quase 90 anos, é alguém a quem o País se habituou a escutar e respeitar as suas opiniões e experiência.
Quem me conhece e à minha relação (que tem a minha idade...) com ele, sabe que sou insuspeito para afirmar que Mário Soares é indiscutivelmente o maior estadista português das últimas décadas. Exactamente por isso mesmo, não entendo como é que alguém, com  o sentido de Estado que Soares obviamente possui e tendo desempenhado as funções que desempenhou ao longo das últimas quatro décadas (ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro por duas ou três vezes, conselheiro de Estado, Presidente da República durante dois mandatos, além dos cargos internacionais e prestígio que detém por esse mundo fora) possa escrever o que acabei de ler na sua coluna semanal no "Diário de Notícias" sobre Pedro Passos Coelho e alegados "riscos" que eventualmente o primeiro-ministro possa correr. Especialmente vindo de quem, como Soares, foi insultado, vaiado e até agredido (lembram-se?) por pura e simplesmente protagonizar políticas e posturas que, ainda que impopulares, ele na altura sabia ser imprescindíveis ao País. 
Aliás, Portugal deve-lhe esse seu sacrifício e essa sua coragem...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Fernando Nogueira: um exemplo


AGORA QUE nomes como Silva Peneda, Luís Amado e  Freitas do Amaral já chegam ao ponto de serem apresentados como "reservas morais" da Nação, é que percebemos que a memória deste nosso País não é só curta, mas também (muito) ingrata. Se existe alguém que, a par do general Ramalho Eanes e Jaime Gama, poderá ser considerado como verdadeira "reserva moral", esse alguém chama-se Fernando Nogueira. Alguém que soube estar na política com uma discrição e elegância notáveis, que soube retirar-se da ribalta como poucos e que é um exemplo de seriedade a todos os níveis. Possivelmente motivos  mais que suficientes para não estar na short list que - garantem - existir na algibeira de Cavaco Silva...