É CONSIDERADO como um dos mais credenciados "brasilanista", vulgo expert em assuntos brasileiros. É norte-americano, tem 80 anos, chama-se Thomas Skidmore e é autor de quatro livros essenciais para quem estudar o Brasil dos anos 30 até ao "consulado" de Fernando Henrique Cardoso. Desde há alguns meses, a partir do momento em que se apercebeu que sofria de Alzeihmer, decidiu recolher-se a um lar em Rhode Island, mais concretamente em Westerley, uma pequena cidade daquele estado norte-americano. Hoje a "Folha de S. Paulo" publica uma breve e interessante entrevista de quatro ou cinco perguntas e respostas com Skidmore. Mas o que achei verdadeiramente notável nas palavras deste octogenário foi o facto de, ciente da doença que o afecta, ter revelado no preâmbulo da entrevista estar a descobrir um "novo mundo" ao conviver com o Alzeihmer. Diz ele: "Entrei numa nova realidade que é diferente de tudo o que eu conhecia. Entrei num mundo de mulheres que cuidam de velhos...".
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
O "marciano"
SOU DAQUELES que ainda não chegaram a nenhuma conclusão sobre se o melhor jogador de futebol do mundo (que eu vi...) foi o Pélé ou o Maradona - para não falar do genial e actual Messi... Sinceramente não sei, embora ache que o polémico Diego Armando tivesse sido o mais "completo" dentro de campo e o mais "provocador" fora das quatro linhas, ainda que já tenha visto a "ilustres desconhecidos" protagonizarem jogadas geniais que, em nada, ficam atrás das fabulosas prestações destas "estrelas". Assisti ontem, por obra e graça de um amigo que me emprestou o DVD, ao documentário "Amando a Maradona", da autoria do cineasta argentino Javier Vázquez uma obra-prima do que há mais de encomiástico em termos de filme. Mas o documentário, mais do que por outra coisa, vale por uma curta e elucidativa resposta dada por Hugo Maradona, o irmão mais novo do "astro", quando lhe perguntam se ele gostaria de ser como o irmão: "Não sei, nunca pensei nisso, até porque ele é um marciano"...sábado, 3 de novembro de 2012
Contas de somar (e subtrair)...
DEVEM
EXISTIR alturas das nossas
vidas em que percebemos realmente que os anos vão passando – isto por muito que
nós achemos que não e que façamos tudo para contrariar a chamada “inexorável
marcha do tempo”... Uma dessas alturas são os desaparecimentos de quem nos é
próximo, mas também dos que, não sendo
tão próximos, “marcaram” de algum modo as nossas infância e adolescência – como
ainda recentemente foi o caso, por exemplo, de Maria Keil e Aquilino
Ribeiro Machado, duas pessoas com quem me habituei a conviver enquanto
miúdo e cuja morte fez com que sentisse que tinha partido também um “pedacinho”
de mim. Outra dessas alturas – e essa não tem nada a ver com desaparecimentos
físicos... – vivi-a hoje, ao abrir o “Globo”, mais concretamente o seu segundo
caderno, e dar de caras com toda a sua primeira página dedicada à actriz Claudia Cardinale e ao que o jornal
chama a (sua) “arte de envelhecer”. E tudo porque, ao ler que esta diva de origem
tunisina já conta com 73 anos, dei por mim a fazer contas de subtrair, de somar,
eu sei lá! E o resultado, mais que aritmético, foi um resultado estranho, para
não lhe chamar outra coisa...
Vou tentar explicar: foi em Havana, acho que em 1976. Tinha eu 15 anos, morava então em Cuba e Claudia Cardinale visitou a
ilha durante uns dias por ocasião de uma “Semana de Cinema Italiano” que o
ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica) organizava na sua
sala da Calle de La Línea. Porque os meus Pais eram amigos do casal
Albertario (Matilde e Carlo, os
embaixadores italianos), lembro-me que num dos habituais almoços de sábado no jardim de nossa casa, o casal italiano apareceu acompanhado pela
própria Cardinale. Ainda hoje recordo (e bem!) a impressão que a actriz me
causou – e provocou. Deslumbrante, com uma voz rouca (a que eu ainda hoje dificilmente "resisto"...) é óbvio que a diva povoou (se é que alguma
vez deixou de povoar...) os meus sonhos de jovem adolescente, verdadeiramente
extasiado por tanta beleza junta. Aquelas horas com ela ali mesmo ao lado, levaram a que, no fundo e a partir daquele momento, Claudia
Cardinale passasse assim a ser uma espécie de referência do meu estereótipo de beleza feminina,
não sei mesmo se o paradigma da perfeição enquanto mulher. Mas hoje, com o "Globo" na mão e para mal dos meus pecados, dei por mim a fazer contas e partindo deste facto: em 1976, ou seja há
36 anos, eu era um miúdo e ela – aos meus olhos – uma mulher, linda de morrer, mas
já um bocado para o “entradota”. Pois é... se ela agora tem 73 anos, então
há 36, tinha... 37 – ou seja menos 14 dos que eu tenho hoje. É complicado? Ah,
pois é, podem crer que é...
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