MERCÊ DAS precipitadas e desajustadas declarações de Paulo Portas sobre a situação na Guiné-Bissau, Portugal perdeu toda e qualquer capacidade de diálogo com as novas autoridades daquela antiga colónia. Nada que surpreenda quem conhece minimamente a realidade guineense e tenha desde sempre interpretado a inopinada intervenção do chefe da diplomacia portuguesa como um verdadeiro "tiro no pé" e um verdadeiro "frete" ao regime angolano a quem Portas, em tudo o que é aerópago, tenta agradar a qualquer jeito.
E a trapalhada chegou a um ponto que, desde há algumas semanas, Portugal não dispôe de embaixador em Bissau... E as notícias postas a correr que isso se deveria ao facto de Portugal ter retirado o seu embaixador da capital guineense em jeito de retaliação e condenação do golpe de estado e assim diminuído o ranking da nossa representação diplomática para o nível de encarrgado de negócios, são pura e simplesmente falsas... Sejamos claros: a embaixada portuguesa em Bissau é chefiada por um encarregado de negócios porque o governo português teve receio de ver negado pelas novas autoridades o necessário pedido de agrément para a nomeação de um novo embaixador que substituísse António Ricoca Freire, cuja transferência para a África do Sul foi anunciada em... Janeiro, ou seja, praticamente quatro meses antes da deposição do governo de Carlos Gomes Júnior. Aceitam-se apostas para saber como é que Portas irá descalçar esta bota...

