AS RECENTES notícias sobre a evolução do "caso Freeport" (a tal "conspiração" urdida por um bando de "santanistas" e destinadas a manchar a honra do primeiro-ministro, a acreditar no que idiotas que dão pelo nome de Pena e Ricardo nãoseiquê escreveram há tempos numa sempre bem-informada revista do burgo...) começam a mostrar que "a mentira tem (mesmo) a perna curta". É que afinal parece que há pretensos desconhecidos que não são tão desconhecidos quanto isso e que até se escreviam e tudo! Extraordinário...
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
segunda-feira, 8 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Memória (II) - Francisco Salgado Zenha (Parte I)

QUEM CONHECEU Francisco Salgado Zenha sabe bem quanta seriedade e verdade este homem punha em tudo o que fazia - na advocacia, na política, na sua vida pessoal. É profundamente difícil descrevê-lo, até porque essa descrição seria inevitavelmente desajustada, pecando por defeito. Zenha era daquelas figuras que já não existem e que encaravam a política como um desígnio, colocando os valores antes de qualquer coisa, sendo firmemente fiel aos princípios e aos compromissos, muitas vezes sacrificando amizades e benesses em nome de uma coerência inigualável.
Desde criança que o conheci e tive a honra (foi mesmo honra, acreditem!) de trabalhar com ele na sua campanha presidencial de 1985, quando por uma questão de consciência, decidiu candidatar-se numa eleição que tinha como adversários Mário Soares, Freitas do Amaral e Maria de Lourdes Pintasilgo. Uma campanha "à antiga", com dias e dias na estrada, jornadas extenuantes e debate político à séria, apesar de alguns adversários já a recorrerem a todo o tipo de baixezas e insídias (estou bem lembrado dos tempos de antena do derrotado Freitas do Amaral, onde as imagens de Zenha eram cobertas de "sangue" numa tentativa cobarde e própria de escroques em "colá-lo" às FP-25...), mas com "frentes-a-frentes" televisivos que punham o País inteiro frente aos ecrãs.
Vem isto a propósito de um episódio que nunca me irei esquecer, ocorrido comigo, durante a longa e interminável "volta do candidato", penso que para os lados de Aveiro - seria na Murtosa? No banco de trás de um Peugeot azul-escuro que calcorreou milhares e milhares de quilómetros em estradas ainda de macadame e repletas de buracos, uma das minhas funções era transmitir ao candidato alguns dados sobre as localidades que íamos visitar. Em Belém (agora pode dizer-se, penso eu...), o staff do então Presidente Eanes preparava, distrito a distrito, enormes e detalhados dossiers verdes-escuros, onde as características e problemas de cada local eram descritos e enunciados ao pormenor:
- Sôtôr...
- Diz lá...
- Agora vamos parar na Murtosa...
- E o que é que está previsto?
- Uma volta pelo largo principal e se tudo correr bem, talvez um discursozito... Depende de quantas pessoas estarão lá.
- 'Tá bem...
- Sôtor...
- Sim, diz lá...
- Talvez fosse conveniente, se houver discurso é claro, referir a questão do centro de saúde...
- O quê?!
- Sim, o centro de saúde está pronto há mais de um ano e ainda não abriu porque não foram colocados nem médicos nem enfermeiros...
- Olha lá... - diz-me com um ar de enfado do tamanho do mundo - o que é que eu tenho a ver com isso?!
E eu já meio a medo: - "Os médicos, 'tá a ver... talvez dizer que..."
- Mas dizer o quê, homem? Diz-me lá uma coisa: tu achas que se eu for eleito Presidente da República, que não vou ser, eu teria qualquer hipótese ou competência de colocar lá nessa terra um médico ou um enfermeiro ou o que quer que fosse?! É óbvio que não! E tu queres que eu prometa isso?! Era só que faltava! Nem penses nisso, não contam comigo para isso! Estamos entendidos?!
Estivémos, é claro que sim...
Mudanças em Luanda?

O PRESIDENTE José Eduardo dos Santos poderá ter que vir a efectuar o primeiro ajuste na recém-empossada estrutura de poder angolana. O seu actual vice-presidente, Fernando Piedade dos Santos ("Nandó"), um "histórico" do MPLA e que já ocupou a pasta do Interior, para além de ter sido primeiro ministro durante seis anos e presidente da Assembleia Nacional desde 2008 está, desde há algumas semanas, internado num hospital Londres após ter sido acometido de uma doença cardíaca. Segundo consta em Luanda, a lenta recuperação do formalmente "número dois" angolano poderá levar José Eduardo dos Santos a promover a sua substituição, o que já está a provocar surdas mas significativas movimentações no interior da "nomenklatura" daquele país, com uma série de candidatos a posicionarem-se como "solução". A seguir atentamente...
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