NÃO SEI se será coincidência, mas cada vez que ligo a televisão deparo com programas sobre futebol. Mesmo para mim, que gosto, vejo e até tenho clube e tudo, já começa a ser uma verdadeira overdose ter que ouvir o Sílvio Cervan a discutir com o Zé Guilherme Aguiar e com o Dr. Dias Ferreira; noutro canal deparar-me com o Eduardo Barroso a aturar o Seara e o dr. Pôncio; e hoje levar com o APV a degladiar-se com dois Ruis - o Oliveira Costa e o Moreira. Eles são tão bons naquilo que fazem, porque é que não se deixam destas incursões no terrível e perigoso "mundo da bola"?! É que o que é demais... enjoa!
... ou "quem não tem cão, caça com gato...", que é como quem diz, uma página e um espaço estritamente pessoal, onde também se comenta alguma actualidade, se recordam histórias de outros tempos e se tenta perceber o que está por detrás de algumas notícias...
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
"Un asunto sensible"

NÃO É um romance, mas sim uma reportagem que investiga de uma forma verdadeiramente notável o assassinato de quatro dirigentes do "Directorio Estudiantil" cubano após o assalto ao Palácio Presidencial, ainda nos tempos de Fulgencio Baptista e mostra como o que foi conhecido como o "massacre de Humboldt, 7" é relacionado, anos mais tarde, com um ajuste de contas pós-revolução do regime de Fidel Castro com os comunistas mais ortodoxo e que conduziu à prisão domiciliária de Joaquín Ordoqui, um importante dirigente pró-soviético cubano. Intitula-se "Un asunto sensible", é escrito pelo galego Miguel Barroso, editado pela Mondadori e é uma excelente mistura de jornalismo, intriga, novela e história. Vale mesmo a pena!
Um bando de fazendeiros à beira-mar...
PARA QUEM vive em Cascais estes últimos dias puseram à prova o sistema nervoso do mais calmo dos cascalenses, tal o desmesurado novo-riquismo com que as nossas autoridades resolveram receber um bando de fazendeiros (salvo honrosas excepções, diga-se de passagem, não passava disso mesmo - de um bando de fazendeiros!) que este ano resolveu reunir-se numa sala de hotel com vista para o mar, numa reunião pomposamente denominada como "Cimeira Ibero-Americana". Ao longo de dois ou três dias, a vila Cascais foi fustigada por uma pafernália de sinais de uma liturgia do poder bacoca, desnecessária e própria de um país do terceiro-mundo, mas mesmo do fundo da tabela. Sirenes a repicar a todas as horas; caravanas de automóveis possivelmente transportando um qualquer ministro de segunda-linha da Fava Rica (perdão Costa Rica...) a originar cortes de avenidas; polícias gesticulando freneticamente e apitando de forma ininterrupta para dar passagem a um qualquer bando de "aspones" (deliciosa definição que os brasileiros encontraram para "assessores de pôrra nenhuma"!) de algum secretário de Estado guatemalteco; dois vasos de guerra postados frente à baía, possivelmente a tomarem conta do presidente de El Salvador; helicópteros de um lado para o outro a "sarnarem" o juízo a quem por aqui vai vivendo; e até (pasme-se!) uma esquadrilha de F-16 a cruzar os céus da "Linha", possivelmente pilotados pelos aviadores da nossa Força Aérea a quem são recusadas horas de treino por falta de verba para combustível... E não me venham dizer que tudo isto se justificava pelo "elevado risco de segurança" dos chefes de Estado e Governo presentes na cimeira, até porque Raul Castro e Hugo Chávez, por exemplo, não participaram nesta reunião. Resta o Rei de Espanha que por aqui viveu e que, vindo cá amiúde, nunca foi alvo de uma tão "barraqueira" e desajustada protecção...
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