Os comentários a este blogue serão moderados pelo autor, reservando-se o mesmo a não reproduzir aqueles que pelo seu teor sejam considerados ofensivos ou contenham linguagem grosseira.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A desaustinada ambição de voltar a ser ministro...


PODEMOS GOSTAR ou não de Manuel Alegre. Admito mesmo que exista quem não goste dele como político, que discorde das suas posições; que o deteste enquanto poeta, achando-o de "rima fácil"; quem abomine as suas barbas ou a sua voz; ou, por exemplo, quem se irrite com a sua paixão pela caça. Agora ouvir alguém, como José Lello, que fez a sua carreira política a contar anedotas e a ter-se a si próprio em grande conta, brindando-nos amiúde com banalidades bacôcas e servis, a questionar o "carácter" de Alegre é algo que nem a desaustinada ambição de voltar a ser ministro pode justificar...

Tudo, menos honesto...

NÃO ACREDITO que José Sócrates não se tenha deliciado com os resultados do último "barómetro" do semanário "Expresso", especialmente no que diz respeito ao que os portugueses alegamente parecem pensar das suas capacidades quando comparadas com as de Manuela Ferreira Leite. É que, em seis das sete questões, o líder socialista "arrasa" a presidente do PSD: na competência para governar (57,7-14,8%); no conhecimento dos problemas do país (64,3-16%); no conhecimento dos problemas europeus e mundiais (63,7-12,8%); na liderança (68,8-12,6%); na determinação (72,6-13,7%); e na arrogância (59,9%-22,4%). Resta a Manuela Ferreira Leite um consolo - e não é pequeno...: é que quanto à honestidade, os portugueses consideram-na mais honesta que Sócrates (36,8-32,7%). Palavraa para quê? É o país que temos e só não percebe quem não está atento a fenómenos como os de Felgueiras, Gondomar e outros do género...

terça-feira, 3 de março de 2009

O último guerrilheiro


MORREU ONTEM aquele que era o "último guerrilheiro" no poder de uma ex-colónia portuguesa. Manhoso, arguto, desconfiado, "mula", João Bernardo "Nino" Vieira foi assassinado na sequência de uma interminável luta pelo poder num país hoje à beira de se desintegrar e, em consequência dos graves conflitos étnicos, ser "anexado" pelos seus principais vizinhos - o Senegal e a Guiné-Conakry.
Conheci Nino Vieira durante o seu exílio em Portugal, mais concretamente na véspera das eleições legislativas de 2004, quando tentei que a facção que ele "controlava" no PAIGC e que era liderada por Aristides Gomes se "sentasse á mesa" com a coligação "Plataforma Unida", liderada por Hélder Vaz. Eram porventura os sectores políticos mais "pró-portugueses" e o nosso País só tinha a lucrar se ambos se entendessem antes das eleições e Nino era essencial para esse propósito. E diga-se de passagem, isso só não aconteceu porque um conselheiro da embaixada de Portugal em Bissau que se tinha oferecido como "discreto anfitrião" dessa reunião, porventura por perceber a certa altura que desse encontro poderia resultar algum prejuízo nas suas "negociatas" de caju que mantinha com destacados diriigentes da outra linha do PAIGC, resolveu contar a meio-mundo que ia reunir, à mesa, Aristides Gomes e Hélder Vaz. Resultado? Furioso pela indiscrição do funcionário português, Aristides não compareceu e, a partir daí, furtou-se a qualquer contacto...
Bom, mas voltando a Nino Vieira e embora não valha a pena, como se diz, "chorar sobre leite derramado", este desenlace era mais do que previsível, desde que Nino regressou a Bissau e viu-se "obrigado" a aceitar como chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas ao general de origem balanta Tagmé Na Waie e que, na presença do próprio Nino, tinha sido torturado em meados da década de 90 e a quem, segundo se contava em Bissau, o próprio presidente teria esmagado os testículos numa gaveta... Apesar dos abraços públicos, dos sorrisos para os fotógrafos, os dois homens odiavam-se e estava escrito que, mais tarde ou mais cedo, iriam-se confrontar.´
Na Waie foi o primeiro a ser assasinado, vítima de um atentado á bomba no seu próprio gabinete, poucas horas antes do assalto à residência de Nino Vieira. Conhecendo este, alguém acredita que o atentado contra o chefe militar pudesse ter sido ordenado pelo próprio Nino e este se mantivesse serenamente na sua casa, como que à espera da retaliação das forças balantas? Impossível! Nino foi assassinado por quem quis afastar de vez estes dois inimigos da cena política guineense e deixar aberto caminho para o controlo político-militar. Não irá ser preciso aguardar pelos resultados de mais uma "comissão de inquérito", basta estar atento à evolução e ao inevitável "jogo de cadeiras" que terá lugar em Bissau, para percebermos quem de facto matou Nino Vieira...