TENHO O prazer de conhecer Paula Teixeira da Cruz já há alguns anos, desde os tempos em que fomos contemporâneos na já desaparecida Universidade Livre de Lisboa. Habituei-me a vê-la como uma mulher arguta, sempre combativa, extrovertida, por vezes até algo excessiva na defesa dos seus pontos de vista e - honra lhe seja feita! - muito ciosa de valores e princípios éticos, "cruzada" essa aliás que faz sempre questão de realçar nas suas intervenções enquanto política. Talvez por conhecê-la há tantos anos e nutrir por ela alguma estima, sempre que posso leio-a e oiço-a com redobrada atenção. Foi o que aconteceu há alguns dias, numas curtas declarações que fez ao "Diário de Notícias" e onde, mais uma vez, a actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa surge a corporizar a denúncia e a crítica a comportamentos e actos menos claros que, segundo ela, caracterizam, desde sempre, o quotidiano da Câmara Municipal de Lisboa. Diz ela e certamente com algum conhecimento de causa, dado a sua vcasta experiência na autarquia da capital: "A arbitrariedade caracteriza a cultura da CML há dezenas de anos".
É bem possível que Teixeira da Cruz tenha razão. Não o duvido. Mas também gostava de ver estas suas determinação, garra e vontade tão característica estendida a outras áreas como, por exemplo, a dos conflitos de interesses de eleitos autárquicos, no passado e no presente. E gostava tanto de saber, por exemplo, se será eticamente aceitável que um vereador patrocine, enquanto advogado, uma empresa de construção e obras públicas com actividades nessa mesma autarquia. Et pour cause..., como diz um amigo meu que por tudo e por nada recorre a galicismos.